irmosvoltaire4444_1120041
O meu repertório
Coisas vazias brilham ao sol.
Nulidades querem se destacar do nada.
O tempo procura mostrar sua existência, mesmo não sendo possível.
Os sentimentos fingem ter vida própria.
Essa é a casa dos ancestrais.
Brincando
O que importa o frio?
O que importa o calor?
O que importa a alegria?
O que importa a dor?
A vida prossegue,
mas não corre o tempo.
A vida é a aurora
que precede o nascimento.
Se não houvesse as leis e os costumes, a situação continuaria na mesma, já que estes são o resultado das condições em que o povo vive. Se fossem suprimidas as leis, todos saberiam o que fazer, ao se terminarem os costumes, as pessoas arranjariam outros.
Quanto ao que os apóstolos escreveram sobre Jesus, será que ele disse tudo o que eles afirmaram? Ou terá dito uma parte? Ou não disse nada daquilo? Ou ainda ele poderia estar se referindo às lições do tio Bantuf. Em verdade, acreditamos no que agrada aos nossos preconceitos. A verdade é o que parece verdade.
O mundo é uma peça de teatro que se repete todo o tempo. O mundo quer a sua repetição. Só quando percebemos a nossa contínua reprise é que podemos nos modificar, e, assim, modificar o Universo.
Sempre me encontro comigo mesmo nas coisas que eu já escrevi. Como pude ser tão velho e sábio anteriormente e, agora, tão jovem e curioso? Todos esses eus não dependem do tempo, estamos todos aqui.
Droga
A minha casa eu conheço há tempos. E ela sempre fica maior. Já sonhei sonhos de álcool, mas ao primeiro gole eu vi que não era nada disso, era algo deprimente até na alegria forçada. Como se eu fosse uma múmia química ganhando a consciência da minha pequenez e do enjoo misturado com a tontura. Parei por aí e deixei as drogas antes de começar a usá-las. A minha droga é a imaginação e a sensibilidade. Os sonhos que me vêm da massa de árvores verdes acinzentadas. Das manchas do teto e daquele facho de luz quando estou na cama e olho para cima e vejo que é Deus.
Sim, Deus vem toda a noite por sobre a minha cama e toma a forma de um triângulo de luz amarela, silencioso e imutável. É um raio de luz, e eu sei que é Deus. Poderia ser qualquer outra coisa, mas quando eu levanto os olhos ele se revela e fico a pensar e admirar a sua imperfeição. As noites de insônia são muito estimulantes. Eu viajo e mantenho contato telepático com a pessoa ao lado. Uma vez eu pensei que dormia ao lado de um demônio, e eu tinha razão. Que saudades do súcubo!
Não existe a realidade por si só, ela precisa ser construída para funcionarmos, por isso ela só existe na mente do homem.
