Giulio Cesare
Longe, perto ou colados - tanto faz, é indiferente. Só nos completamos com alguém se existir amor. E ponto final!
Recordando: Só a expectativa de ir ao baile já era uma emoção - e maior ainda quando, no baile, um belo rosto correspondia ao olhar. Imperava a emoção. Requisitava a coragem, ao encontro partia, as mãos se tocavam, perfume suave, dois corpos em um, no compasso da musica romântica, até o ápice com um beijo apaixonado disparando o coração. Bons tempos que dificilmente voltarão.
Nada mais gratificante do que ser lembrado e ser lembrado com carinho. Assim, agradeço ao Criador por ser merecedor e dizer que o meu carinho está nas estrelinhas no firmamento sorrindo sempre com o olhar daqueles que me querem bem.
Quantas vezes morremos e ressuscitamos sem saber ou nos darmos conta, no curso de nossa jornada — pois o coração faz e não explica.
Para psiquiatras, psicólogos, pais de santo, benzedeiras e afins: quando o sentido já não faz sentido, quando o amanhecer é apenas mais um dia, e quando o nada se torna o seu tudo, sorria como uma hiena e torça para encontrar o leão faminto logo na próxima esquina.
Um alienígena solitário, cuja meta de vida é acordar no dia seguinte e pagar seus boletos, tem apenas um sonho: ser abduzido por um disco voador vindo de um planeta azul.
Cuidado: a solidão perene vai calcificando coisas importantes dentro de nós e, quando efetivamente nos damos conta, virou pedra - sem volta, sem tratamento, apenas lembranças.
De repente escuta uma música que abre uma caixinha supostamente trancada: a da saudade. Advém uma dor no peito, de um sonho que partiu, virou passado, mas ficou. Dos olhos caem lágrimas — uma homenagem sincera, digna e silenciosa do coração.
Um dos piores momentos é quando alguém se perde de si mesmo. Bem-aventurados aqueles que promovem o reencontro.
A distância, aliada ao silêncio, jamais terá êxito no esquecimento, se a conexão for patrocinada pelo coração.
Um cara que tem de ser respeitado é o tal do Sentir. Sobre ele não temos controle: é atemporal, doido, desaforado e vive nos extremos — ou odiamos, ou amamos, sem meio-termo. Não se explica nem se entende. Agora, convenhamos: não dá pra viver sem ele.
Nos dias de hoje, ler boas notícias está se tornando uma verdadeira utopia; mais raro ainda é poder vê-las ou ouvi-las nos meios de comunicação. A narrativa predominante parece sempre alimentar o medo, o conflito e o desencanto, relegando ao silêncio as pequenas conquistas e os gestos que poderiam inspirar esperança. Nesse cenário, a ausência de boas notícias não significa que elas inexistam, mas sim que deixaram de ocupar o espaço que merecem na vida coletiva.
Na origem da vida, é o coração o primeiro órgão a funcionar, enquanto o cérebro chega depois. Talvez resida aí um recado da natureza: para pensar e decidir com sabedoria, é preciso não esquecer qual deve ser a prioridade.
O mal não pode vencer o bem. O bandido não pode vencer o mocinho, assim como Tom nunca pode derrotar Jerry. Ao olhar ao redor, vemos, ouvimos e sentimos uma desesperança que tenta nos confinar — mas este é o momento de reagir e jamais aceitar.
Há pregadores da esperança que vivem órfãos dela — e, assim, encontram nobre sentido para suas vidas.
Num mundo polarizado e banalizado, resta o saudosismo: tempos em que cantar e dançar 'Só Love', de Claudinho & Buchecha, fazia a vida parecer mais leve, lúdica e melhor.
Quando um veterano descobre que já tem mais passado do que futuro, deve sorrir: venceu o tempo e foi privilegiado pela vida. Agora, resta-lhe transformar cada novo dia em conquista, para que o futuro se converta em páginas dignas de enriquecer o seu passado.
A verdade e a mentira andam juntas. Entram em cena alternadamente, dependendo dos objetivos, das circunstâncias e do público. Nesse contexto, as narrativas surgem como um meio-termo perigoso: são ferramentas indispensáveis, anestésicas e até hipnóticas, mas que representam a metástase da verdade.
Olhando em volta, sem ver nada que possa interessar nem ouvir, exceto as cores das flores e a conversa dos pássaros, tá ótimo!
Do nada, chega uma mensagem e aí constata que foi desarquivado por um passado em que foi muito amado, porém com melancólico final. Duas hipóteses: curiosidade mórbida para saber se ainda está vivo; ou, apesar dos muitos anos passados, sugere que ficou algo de si. À luz do romantismo, a primeira hipótese.
Mesmo quando tudo parece vazio por dentro, é nesse silêncio que a vida sussurra: ainda há força em você para recomeçar.
Quem muito amou e hoje, na solidão, se sustenta das boas lembranças do que viveu, deve ser testemunho não de desistência, mas de coragem — pois a felicidade sempre ronda nossa porta e espera por quem ainda acredita nela.
Bacana mesmo são aqueles que vivem sem horizonte, seguram a onda da solidão e procuram como missão, resgatar a resiliência, proatividade e esperança nos outros.
