Gisele Lemos Kravchychyn

Encontrados 6 pensamentos de Gisele Lemos Kravchychyn

Notícias ruins, bons resultados

Esses dias, num seriado, vi uma frase que me impressionou: “notícias ruins nos fazem sofrer momentaneamente, mas a esperança é paralisante.” Na idéia apresentada, esperança é ruim, notícia ruim é que é bom.
Que inversão, certo? Mas se pararmos para pensar e colocarmos no contexto, até que o personagem tinha razão.
Em nossas vidas existem momentos que temos que deixar coisas para trás. É triste, é sofrido, mas termina. O encerramento de certas histórias é indispensável para criarmos espaços para coisas novas. Sejam elas relacionamentos, empregos, vínculos de qualquer tipo.
A "morte" de uma situação significa uma oportunidade de recomeço.
Mas às vezes, a querida e bem cotada esperança nos mantém enlaçados à pessoas e coisas que já não deviam mais estar ali. É a famosa idéia de tentar sempre, ainda que na infinita só “mais uma vez”... E a má notícia, aquela que anuncia o fim, essa nos liberta.
Nada como um grande acontecimento, um momento marcante, ainda que ruim, para nos dar aquele último empurrão, aquela força para irmos em frente e pararmos de olhar para trás.
É o Big Bang da vida. Explode-se o conhecido, surge o novo!
Só que muitas vezes ficamos tão envolvidos com a idéia de consertar tudo que não temos a coragem de iniciar a explosão. O mundo então nos dá uma forcinha. São as más notícias atuando em nosso favor. Mas sejamos justos, as boas notícias também podem ter essa vocação transformadora.
Uma promoção, uma vitória, uma loteria, o início de um novo ano, enfim, qualquer motivador serve, desde que seja para nos levar para frente.
E entenda-se, aqui não estou falando de desistir. Perceber o fim não é fraqueza. Somente os fortes enfrentam as derrotas de forma proveitosa e criadora. Os fracos se contentam, se acomodam, e seguem no mesmo caminho, insistindo nos mesmos erros, porque mudar dá medo. Escolher outro caminho, repaginar a vida, reorganizar projetos não é desistir. É aprender, é crescer.
Portanto, concordo plenamente. Em muitos casos, a esperança é ruim, amarra-nos. E a má notícia, essa nos liberta.

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Presentes diários

Lembro na casa de minha avó, que existia uma sala de visitas. Nós, crianças, não podíamos brincar lá. Aliás, não fazíamos refeições lá também apesar da grande mesa. Quando em família nem os adultos lá comiam. Era um espaço reservado para as visitas. Que sinceramente, nunca vi sendo usado, porque as tais visitas nunca apareceram enquanto eu estava por lá. E no ambiente havia enfeites, sofás, cristaleira, tudo muito bonito, preparado para receber as tais pessoas, mas nada realmente funcional ou, na minha opinião, agradável. Era uma fachada de coisas bonitas mas inúteis, que estavam ali acho apenas para impressionar os outros.
Interessante como muitos de nós têm essa mania de reservar em nossas casas e em nossas vidas aquilo que só será usado com as tais visitas. São louças, talheres, salas inteiras, reservadas para os outros.

Mas isso não é só em coisas da casa. Tenho amigas que compram jóias caras para usar só em festas, só para os outros verem. E são apaixonadas por suas jóias, mas as deixam guardadas na caixa, para os dias “especiais”.

Bem, eu nunca entendi muito isso.

Penso que seríamos muito mais felizes se aprendêssemos a agradar à nós mesmos e àqueles mais próximos de nós, e a fazermos coisas pelo simples prazer de as vivenciarmos. Essa idéia de termos que aparentar mais do que curtir o nosso dia a dia me parece receita para o insucesso pessoal e familiar.

Uso os cristais sempre que me dá vontade, organizo minha casa para que todas as salas sejam de estar, não de visitas. Voto que devemos dividir com quem amamos o melhor de nós, não com estranhos.

Não é realmente proveitoso reservarmos espaços apenas para aparências. Compro jóias se pretendo usá-las no dia a dia. Não as compro para guardá-las no armário. Organizo minha casa para que meu filho possa nela brincar com segurança, mas para que tenha a liberdade de usá-la da maneira que mais lhe fará feliz.

O cuidado excessivo com coisas nos tira de foco o que realmente importa: as pessoas.
Os sofás, os enfeites, isso tudo pode ser reposto. Se gastar, compra-se outro. Pior seria terminar os dias com os objetos novos em folha, jogos completos de tudo, mas sem ter aproveitado. Sem ter dividido momentos de felicidade com a família e com os amigos. Ricos em contas bancárias, mas pobres em experiências e oportunidades aproveitadas.

Aprendi com meus pais a viver e não apenas acumular coisas. À gastar com aquilo que nos dá prazer, ainda que para os outros pareça besteira. Viagens, carros, brinquedos de crianças e de adultos... Aprendi à guardar para ter segurança financeira mas não me tornar vítima do trabalho e do dinheiro.

Porque no final, o que resta se tornará herança para alguém. E quem sabe essa outra pessoa lhe dê algum valor. Quem sabe jogue fora. Por isso, não fique guardando o melhor de você para os outros verem só nas festas. Aproveite a vida e as coisas. Todos os dias. Aprenda a ser feliz com o que você tem. E lembre-se: Não existe aparência mais bonita do que a da felicidade!

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Renúncias

A grande notícia de hoje que me induziu à algumas considerações: o Papa renunciou. Avisou que vai sair no dia 28 de fevereiro, menos de 30 dias de aviso prévio. Nem deu muita explicação ainda sobre o porquê, parece que tem a ver com a idade. Vai ver, quer viver um pouco antes de ir lá para cima e as responsabilidades e compromissos do papado lhe tiram esse direito.

Mas daí me coloquei a pensar: ora, se o Papa, que é o Papa, pode renunciar, porque às vezes aceitamos certas amarras que só se tornam eternas porque assim as permitimos?

Podemos ter perspectivas diferentes sobre nossas responsabilidades e desejos. Não sou a favor de sairmos por aí desfazendo todos os laços e sendo irresponsáveis. Escolhas devem sempre ser pensadas e as consequências devem ser pesadas.

Mas não precisamos ficar reféns de nossas próprias vidas, de nossas carreiras, de nossas responsabilidades e relacionamentos. Escolhas podem ser refeitas. Somos tão livres quando desejamos realmente ser.

A diferença da vida que levamos para a vida que queremos está no verdadeiramente querer, em colocar em movimento nós mesmos e o mundo para que mudanças aconteçam.

É a força de nossas escolhas, de nossas coragens, que nos coloca no caminho que quem sabe nos garantirá um futuro diferente do hoje, à liberdade, à vida plena.

Somente os fortes de nós, os corajosos, é que ousam e alcançam novos sucessos.

Ficarmos vinculados, indefinidamente, aquilo que já não nos faz bem, não nos faz pessoas melhores ou mais responsáveis. Só nos torna infelizes.

E a preocupação com o que os outros vão pensar é uma besteira. A sociedade, quando pensada em grupo, parece oprimir seus membros a agirem sempre de acordo com certos padrões. Mas no fundo, somos todos nós, um cuidando da vida do outro ao invés de olharmos para nós mesmos e procurarmos nossa própria felicidade.

Deixem o Papa se aposentar. Já virá outro, quem sabe melhor, quem sabe pior. Porque tem sempre alguém para ocupar o lugar vago. Podemos até ser necessários mas nenhum de nós é insubstituível.

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Batata Frita

Ontem, num restaurante, pedi batata frita. De todas essas comidas politicamente incorretas, é a única que tenho ainda dificuldade de excluir de meu dia a dia.

Mas para meu desgosto, veio morna. Naquela temperatura que não está fria, mas já perdeu a graça.

Tenho um problema: não gosto de coisas mornas. Sempre preferi o quente. Sem dúvida prefiro queimar a língua à ter que conviver com aquilo que não me impressiona. Sopa bem quente, feijão bem quente, enfim, tudo quente. Salvo sushi e sorvete, claro, que não sou tão louca ainda.
Na minha opinião essa regra vale não apenas para a comida mas para várias situações na vida.

O amor, assim como a batata frita, tem que queimar. Tem aliás, que aquecer, invadir, submergir. Senão, é escolha sensata, vá lá, mas falta aquele algo mais. A gente até fica mas não se aquieta. Segue com aquela vontade de algo diferente. Sabe aquela vontade de algo que você não sabe o que é, mas que com certeza não é aquilo que você está tendo no momento? Então...

Acho que trabalho tem que ser um pouco assim também. Tem que te desafiar, tem que te inspirar para sair da cama todos os dias. Senão é só aquilo que se faz para passar o dia, mas que não te dá alegria. E acabamos virando escravos do contra-cheque, sem termos prazer naquilo que fazemos.

O mesmo acontece com os livros. Ele tem que nos prender na leitura, nos envolver na trama, senão, que chatice é para conseguir terminar. Livro que não nos assusta, emociona, choca, surpreende não tem graça. A vontade é abandonar. Nesse caso, me lembro de alguns livros chatos que tive que ler pela vida acadêmica. Eu até lia, mas terminava irritadíssima com quem me obrigou a ler, porque achava aquilo tudo uma perda do meu tempo.

Enfim, minha solução para o morno da vida é: “Troque sempre que puder. Chame o garçom e mande de volta!” É preferível ser chata e bem servida do que boazinha e entediada!

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Envelhecendo

Engraçado como percebemos o passar do tempo. Eu, por exemplo, não costumo notar em mim o andar dos anos. É nos outros que tomo susto.
Pode ser ao reencontrar uma criança, que vi nascer e que agora não é mais criança... Ou então em perceber que meu irmão mais novo já tem cabelo branco. Nossa, o tempo voou e eu, distraída em viver, mal percebi.
Mas enfim, acho que não nos favorece a neurose do passar dos anos. Acredito que só se revolta com sua idade aquele que não viveu cada fase, que não aproveitou os anos, e vai percebendo que seu tempo aqui está cada vez menor mas que suas conquistas não foram atingidas.
Sofrem com os seus aniversários aqueles que deixaram suas oportunidades para trás sem aproveitá-las. Esses, a cada nova primavera estão mais amargos, mais estressados, mais infelizes.
Já os que vivem plenamente, cometendo erros mas também acertando, aproveitando as etapas da vida com suas vantagens e desvantagens, esses parecem aflorar com a idade. Se tornam mais seguros, mais satisfeitos, mais tolerantes.
São pessoas que viveram a sua infância e adolescência em todas as descobertas e despreocupações. Que, se adultos, já acharam a profissão que lhes faz feliz, ainda que não tenham ficado ricos com isso. São pessoas motivadas. Pessoas que, casadas ou solteiras, estão em paz com seus corações e sabem que o amor vem do respeito mútuo e do companheirismo. São pessoas seguras o suficiente para saberem seu valor em família, no trabalho e no mundo.
Essas, comemoram seus aniversários não pelos presentes que vão receber, mas pela nova fase que se inicia, pelas novas oportunidades, pela vida que continua.
Correr atrás do relógio, se preocupar com as ruguinhas que vão surgindo, com os efeitos da gravidade em nossos corpos, são formas infelizes de contar os anos.
Devemos contar nossas conquistas, nossas vitórias, nossos aprendizados. E assim, a cada ano encerrado, celebraremos com intensidade o novo ao invés de sofrermos pelo que não foi.
Aprendamos com o vinho nesse caso. Os bons se apuram com a idade, já os maus azedam e viram vinagre...

Inserida por gisekrav

Cor de rosa

Cuido para que as verdades alheias não apaguem o meu direito à opinião. E prefiro viver no meu mundo cor de rosa do que num preto e branco pintado por outra pessoa.

Acredito que não devemos dar aos outros o direito de escrever nossas histórias ou de ditar nossas verdades. O mundo é aquilo que procuramos, que destacamos nele. É também um pouco do nosso reflexo. Se esperamos o mal e fizermos o mal, vamos ficar atentos ao mal que nos cerca.

Tudo não deixa de ser um exercício do que nos atrai nos outros baseados no que vemos ou queremos em nós mesmos.

Assim, prefiro acreditar no amor, nas boas pessoas, no lado positivo de cada situação. Entendo que as coisas ruins acontecem porque precisamos passar por elas, mas são as coisas e as pessoas boas que merecem nosso cultivo e nossa dedicação.

Acharemos no mundo tantas provas da bondade humana quanto da maldade. Veremos exemplos de bons ou maus maridos. De mulheres dignas ou de safadas. Depende do que estivermos procurando. E quem não sabe o que procura também pode não reconhecer o que encontra. Nosso olhar desatento para o bem pode nos fazer enxergar o mal onde ele nem existe.

E perderemos oportunidades de sermos felizes simplesmente porque sequer acreditamos na felicidade.

Prefiro, portanto, viver na minha ilusão, ainda que me acusem de Poliana, do que aceitar o mundo tão ruim quanto algumas pessoas insistem em vê-lo.

E se não for assim, quebro a cara, recolho os pedaços dos meus sonhos desfeitos e continuo minha vida enxergando o lado bom das coisas. Se me restarem só caquinhos, faço um caleidoscópio!

Porque somos o que nos esforçamos para ser e colhemos aquilo que plantamos. Cabe a você escolher o que quer receber do mundo.

Inserida por gisekrav