Giovanni Tolosa

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Quando alguém surge em nossa vida no exato instante em que o mundo parece desabar, é fácil chamarmos isso de serendipidade. Afinal, essa pessoa chega como quem acende uma luz em um quarto escuro, como um abrigo encontrado no meio da tempestade.


Mas o tempo tem suas próprias respostas. Quando os ventos se acalmam, quando as feridas deixam de sangrar e a vida volta ao seu ritmo, resta uma pergunta silenciosa: ela continua sendo?


Talvez a serendipidade não esteja apenas no encontro, mas na permanência. Porque o acaso pode unir dois caminhos por um instante, mas só o afeto faz com que eles continuem lado a lado.


E então descobrimos que algumas pessoas não foram apenas a melhor coisa que nos aconteceu em um momento difícil. Foram a melhor coisa que permaneceu quando a dificuldade já não existia.


O acaso escreveu o primeiro capítulo. O coração decidiu continuar a história.

Em tempos em que a polarização política cega corações e endurece olhares, parece que deixamos de enxergar o ser humano por trás das opiniões. O respeito se perde no caminho, e o ódio, disfarçado de convicção, encontra morada em ambos os lados.


Tão envolvidos pela certeza de que o outro está errado, muitos já não se permitem explorar novos caminhos. O medo do desconhecido, o receio de que tudo possa piorar, faz com que nos agarremos à ideia do "menos pior", como quem se prende a um porto por medo do mar aberto.


Mas o tempo passa. As eleições terminam. As bandeiras são guardadas. Os discursos perdem a força.


E então resta o que realmente foi sacrificado: amizades que não resistiram, relacionamentos que se quebraram, famílias que se afastaram. Feridas abertas por debates que, meses depois, já nem são lembrados com a mesma intensidade.


No fim, a democracia nunca deveria ser apenas o direito de escolher, mas também a capacidade de respeitar quem escolhe diferente. Porque quando o ódio vence o respeito, todos perdem um pouco daquilo que acreditavam defender.


E talvez a maior derrota não aconteça nas urnas, mas no momento em que esquecemos que, antes de qualquer posição política, somos todos humanos.