Foxy
Eu percorri km de distância, a distância que nos separava, moldei meu ser, me distanciei de muitos contratempos, me senti amada em muitas situações, afastei o que conheço e apostei todas minhas fichas no desconhecido porque me apaixonei, porque ele era tudo o que eu queria, tudo o que eu visualizava diante de mim, desisti de momentos, empregos, apegos, material, moradia, tempo, ignorei todos os fatos que me faziam querer desistir e perdoei cada situação e honrei cada passo que ele deu enquanto estávamos distantes pois a distância só fazia aumentar a vontade de amar ele, honrar, tornar ele uma pessoa importante pois ele não se sentia assim, sentia como um pássaro numa gaiola e eu o libertei de suas amarras mas ele simplesmente me deixou pra trás e saiu voando sem olhar pra trás, sem ligar para como eu me sentia e para o quanto eu sofreria com a partida dele, a partida das emoções, do amor, do respeito, da honra, todas as partidas possíveis, mesmo depois de tudo o que eu sacrifiquei por ele, eu fui um vulcão de amor, carinho e sentimentos perante suas costas mas seu amor só vale diante da minha face, pois era só eu me tornar costas que tudo mudava e eu deixava de existir, saiba que você sempre existiu pra mim.
Primeiro você perde sua essência, identidade e força de vontade... Depois, você perde a si mesma e se torna um floco de neve.
Não saber mais quem é declina a própria identidade e o ser se torna apenas uma gota de chuva em meio a uma grande tempestade no universo, se as estrelas fossem destinos de redenção eu me tornaria uma viajante, o céu se tornaria o meu limite e a imensidão infinita seria meu destino sem fim, embora os sonhos sejam possíveis na mente de um sonhador, nem sempre a possibilidade é igualada entre semelhantes.
Imensurável é o coração, que mesmo após aceitar um destino, ele continua varrendo para si uma esperança infindável e imediata.
O amor não se compreende, não se iguala, não se declina... O amor é a maior de todas as metáforas, a difícil compreensão humana, o destilado de um alcoólatra sem motivos.
Enquanto sonhos existirem eu estarei sonhando, talvez dormindo ou talvez acordada em mais de mil maneiras de me expressar.
A sociedade comum esboça diversão e prazer de muitas maneiras vazias incorporando físico e pudores fúteis enquanto meu olhar foca um ipê em pleno florescimento, se sou estranha, talvez, se sou incomum, talvez sim ou talvez não... Eu visualizo a vida de uma outra forma, de outros olhos, onde o horizonte não tem limites carnais mas é um borrão azul que quero deixar destacado com a aproximação.
A culpa não é sua se o mundo resolveu se deixar levar pela gula do corpo, a culpa não é sua pelas escolhas alheias, o tempo passa, sentimentos passam e você passa... Então não perca seu tempo se debulhando como grãos ao chão por incentivo de quem não te valoriza.
Quanto mais o tempo passa mais eu percebo que não devo iniciar batalhas para investir em sentimentos, não devo incapacitar minha saúde mental, esmagar meu peito pela mágoa, eu sei meu valor e sei que sou uma boa mulher, não devo agir com ganância, vingança ou ódio, a vida cobra e eu sou apenas um balde emocional que ao transbordar deve se encolher até que consiga controlar seu interior e manter seu valor longe do entretenimento fútil de um país que valoriza o desrespeito em vez da própria fauna destruída ou dos rios secos.
