SayMyName
Eu acho que hoje não acordei muito bem, cabeça pesada. Esse frio parece deixar tudo mais parado. Isso não, necessariamente, é ruim, mas a sensação tende a ser estranha em dias assim. Mas não foi isso que mexeu comigo. Parece que há coisas mais importantes a me preocupar.
Pois bem, depois de ler algumas páginas de um amontoado de palavras, isso parece também não fazer muito sentido. Na busca por sentido, o que eu e você pensamos, gastamos energia, pode parecer uma preocupação egoísta. Existem situações mais sérias? Óbvio que sim. Mas isso invalida aquilo que você carrega como história?
Fato é que o debate continua. Mentes estão agindo, se preocupando, calculando rotas, se reorganizando, pegando atalhos, tomando decisões das mais variadas formas e, no fim, o que sobra são os resultados que cada um carrega, frutos do conjunto de tudo aquilo que viveu. Não há nada descartável, ou, para alguns, quase tudo é descartável.
O veredito sempre pode ser questionado, mas quem carrega a condenação são aqueles que tiveram que conviver com as consequências dos seus atos e, adivinhe... todos, absolutamente todos, carregam, consciente ou não, as consequências de tudo aquilo que decidiram, até mesmo não decidir. Porque, no fim, não se trata de estar certo ou errado, mas de qual ponto de equilíbrio você encontrou para que a vida faça algum sentido.
A vida pode ser um peso, pode ser tristeza, pode ser luto, pode ser trauma, pode ser temperamento, pode ser tudo. Pode ser dádiva, pode ser morte. Mas encontrar equilíbrio em meio à pressão de tudo aquilo que nos aflige, seja o pensamento, seja o abandono, seja a alegria de possuir, no fim, nada é tão real quanto enxergar que a vida é o que temos.
Você pode abandonar tudo: ideologias, certas convicções, traumas, decepções ou até você mesmo. Mas não pode ignorar que esta vida é uma oportunidade de tentar mais uma vez caminhar por um caminho. Não, não direi reto, sem preocupações, sem dores ou algo assim. Eu desprezo qualquer tipo de fórmula que tente nos fazer crer que a vida é, ou será, um caminho sem obstáculos. Inclusive, isso foge da realidade.
Pois, das poucas certezas que temos nesta vida, tristezas e desilusões são as mais comuns. Às vezes vamos ouvir isso dos mais velhos, mas, mais cedo ou mais tarde, entenderemos por conta própria o quão imprevisível e inevitável é viver com as dúvidas, com as dores, com o carma.
O viver é um presente por si só, mas encontra um pouco de afago quando temos consciência de que viver é estar vivo. E estar vivo é tentar novamente. Tentar novamente é estar vivo. Um ciclo sem fim, até que sejamos recolhidos deste mundo.
