FernandoSoeiro
Quem sou eu? Quem tu és?
Às vezes descobrimos tarde demais quem alguém realmente era.
Outras vezes, descobrimos tarde demais quem nós próprios éramos.
E há uma coisa ainda mais interessante: os rótulos têm uma força social enorme. Racista, fascista, extrema-direita, comunista, xenófobo, etc., podem provocar imediatamente uma reação moral. Assim, quem os utiliza pode conseguir mudar o centro da conversa: deixa-se de discutir se a afirmação é verdadeira ou falsa e começa-se a discutir se a pessoa merece aquele rótulo.
A corrupção não justifica o combate corrupto á corrupção.
Para se encontrar algo é necessário começar a procurar.
É esta a questão que está por baixo da minha argumentação.
Eu não estou propriamente a tentar defender «os fins justificam os meios». Estou a fazer uma pergunta anterior e talvez mais incómoda:
«Quem determina quais são os meios que um fim legítimo pode legitimamente utilizar?»
Porque, a partir do momento em que aceitamos que determinados meios podem ser admissíveis ou não, para alcançar um fim considerado legítimo, aparece imediatamente o problema:
Quem estabelece o limite?
* A lei?
* Um juiz?
* O Estado?
* Uma autoridade policial?
* A necessidade?
* A consciência individual?
* A maioria?
* Ou o próprio resultado obtido?
E aqui está o perigo: quem controla os meios pode acabar por definir aquilo que considera legítimo.
É por isso que o meu exemplo sobre os meios que justificam o combate à corrupção é pertinente. Não prova que qualquer meio corrupto seja justificável; mostra que a fronteira entre um meio ilícito, um meio excepcionalmente autorizado e um meio abusivo não é simplesmente determinada pelo objetivo declarado.
E eu faria uma pequena evolução na frase inicial: A corrupção não justifica o combate corrupto á corrupção
Para:
«A corrupção não justifica o combate corrupto à corrupção.»
Agora passo para uma pergunta:
«Se o fim é legítimo, quem legitima os meios utilizados para o alcançar?»
Esta segunda já não é uma máxima que dá uma resposta. É uma pergunta que obriga quem fez a afirmação a revelar o critério que utiliza.
E, conhecendo a maneira como tenho vindo a construir as minhas ideias em relação, acho que é precisamente aí que quero chegar: não aceitar a conclusão antes de descobrir quem escreveu as regras que permitiram chegar até ela.
Dirigido aos artistas que se acham Funcionários Públicos
A cultura deve incomodar-nos para nos fazer pensar, não para nos dizer em que devemos acreditar.
A cultura pode ser disruptiva sem ser partidária. A cultura sempre teve capacidade de romper padrões; o problema começa, quando deixa de estimular o pensamento e passa a tentar determinar o que devemos pensar.
Idiota Útil " O idiota útil é uma pessoa que defende uma causa sem perceber que o sucesso dessa mesma causa resultaria na perda do seu próprio direito ou na sua própria perseguição ".
A perfeição ou transparência. Não precisamos de homens perfeitos para construir uma sociedade humana; precisamos de regras suficientemente justas e transparentes para que nenhum homem possa tornar-se senhor dos outros
O reconhecimento é uma forma singular de gratidão , e a gratidão é uma forma sincera de reconhecimento.
