Fabiana Rezende

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Peso sobe.
Mente foca.
Corpo responde.
Eu fico.

Pedalo contra o vento,
o medo fica pra trás.
A rua vira liberdade,
o corpo grita vida,
e o mundo não me alcança
quando eu acelero.

Ficar em silêncio
também é escolher
não se perder.

A gente se encostou,
mas não se encontrou.
Tinha presença no corpo,
falta na alma.
Conversas cheias de nada,
toques sem cuidado,
promessas sem raiz.
Relacionamentos vazios
não doem pelo fim,
doem pelo tempo
em que a gente se abandonou
tentando ficar.

A vida não pede pressa,
pede presença.
Ela acontece
entre um cansaço e outro,
num suspiro,
num recomeço discreto.
Viver
é continuar mesmo sem certeza,
é existir
do jeito que dá
e isso já basta.

Gritos de lados opostos.
Escuta nenhuma.
A ideia vira muro,
o outro vira inimigo.
No meio,
pessoas
tentando existir
sem rótulo.

A opinião virou fronteira,
o diálogo, ruína.
Cada lado levanta bandeiras
sem enxergar quem passa por baixo delas.
A polarização não separa ideias,
separa pessoas
que ainda respiram
o mesmo mundo.

Câmeras ligadas,
humanidade editada.
Sentimentos viram roteiro,
quedas viram entretenimento.
Ganha quem grita,
perde quem sente.
Enquanto o público escolhe lados,
alguém aprende
a sangrar em silêncio
para dar audiência.

Meu amor anda em silêncio,
tem bigodes,
olhos que entendem.
Eles dormem no meu colo
como se soubessem
que meu coração é casa.
Ser gateira
é amar quem escolhe ficar.

Te amo
não pelo que você pode ou não pode fazer,
mas pelo que você é.
Pelo jeito que me olha,
pelo jeito que me entende
sem pedir nada em troca.
Amar você
é aprender que o corpo é detalhe
e a alma
é o que nos move.
Nosso amor não precisa de passos,
precisa de coragem
e coração aberto.

Te amo
como quem respira fundo no abismo:
com medo,
mas sem recuar.
Te amo
não pelo corpo que caminha ou não,
mas pelo fogo que carrega
e que me incendeia por dentro.
Amar você é mergulhar
num oceano sem mapas,
onde cada toque,
cada olhar,
é descoberta e entrega.
E mesmo que o mundo veja limites,
meu coração não vê nada além de você.

Entre páginas e orações, descubro que a maior força está em confiar.

Ler a Bíblia é ouvir Deus falando baixinho para o coração.

A Bíblia me ensina, Deus me sustenta, e minha fé me move.

Cada versículo é um farol que me lembra que não caminho sozinha.

Deus não é só palavra na Bíblia, é presença no silêncio da alma.

Falsos "amigos" mostram sorriso,
mas carregam faca nas costas.
Eles ensinam mais sobre quem somos
do que sobre quem elas são.

Amar à distância também é brigar em silêncio.
É querer explicar o que sentiu, mas só conseguir digitar metade.
As palavras chegam frias, fora de tom.
O que era cuidado vira mal-entendido.
O que era saudade vira defesa.
Ninguém solta a mão.
Mas por alguns minutos, o coração se afasta.
E mesmo assim, no fundo,
o amor continua ali
esperando que alguém tenha coragem
de atravessar o orgulho primeiro.

No primeiro olhar eu travei o mundo,
não por medo, mas por não saber
onde colocar as mãos, os gestos,
o silêncio entre nós dois.


Você chegou real demais
pra alguém que nasceu em palavras,
e meu coração correu na frente
antes que eu aprendesse a andar naquele momento.


Rimos e foi ali que tudo coube.
A cadeira, o nervoso, o cheiro doce
de shampoo no ar,
o beijo que veio como um susto bonito.


Antes de qualquer toque
meu corpo já era arrepio,
e o tempo…
ou correu de mim
ou parou só pra nos ver existir.


Eu só sei
que ir embora doeu pequeno,
porque ficar
parecia o único lugar certo.

Tenho medo de tocar sem saber
onde mora a dor que você não mostra.
Há histórias no seu corpo
que a internet não traduz.


Quero perguntar tudo,
mas aprendo a respirar espera
porque algumas verdades
só nascem quando você quiser dizer.


Caminho devagar em você,
como quem entra num quarto sagrado,
sabendo que confiança
não se força:
se recebe.


E enquanto isso
eu fico aqui,
guardando cuidado nas mãos
pra não te magoar
quando só quero
te conhecer inteiro.

Silêncio


Meu peito aperta,
teu silêncio pesa.
O mundo segue,
mas você não fala comigo.
Fico aqui,
esperando teu olhar,
na saudade que não cabe.

Nunca fui casa
fui sempre estrada.
Gente passa, pisa, promete voltar,
mas nunca fica.


Carrego oceanos no peito
e sirvo em copos pequenos.
Assusto. Transbordo.
Sou chamada de demais
por quem oferece de menos.


Amo como quem incendeia
e depois treme no frio das cinzas.
Dou tudo antes de pedirem,
fico vazia antes de perceber.


Nunca fui amada
ou talvez fui,
mas em volumes que não alcançam
a altura do meu grito silencioso.


Tenho fome de um sonho
que respira atrás do vidro.
Eu encosto a testa,
vejo a vida lá dentro,
luz acesa, música tocando,
e eu do lado de fora
aprendendo a sorrir para a vitrine.


Viver dói porque eu sei
o gosto do que ainda não vivi.
Morrer assusta menos
do que continuar esperando
o milagre de ser escolhida
sem precisar me diminuir.


Sou exagero,
sou febre,
sou amor sem manual.


E talvez o erro nunca tenha sido
ser intensa
mas ter tentado caber
em corações
com medo de incêndio.

Eles chegam sem passado,
apenas com o olhar aberto.
Adotar é estender a mão
e receber o coração inteiro.
Cada patinha que toca o chão
deixa marcas na alma
que ninguém apaga.
Amor não se compra,
se escolhe
e eu escolhi você

Desde criança eu carregava um mapa
que ninguém via
uma casa aberta no meio do mundo,
gente chegando cansada
e saindo com um pouco mais de vida.


Enquanto os outros sonhavam viagens,
eu sonhava abrigo.
Sonhava mãos dadas,
cadeiras puxadas pra perto,
um lugar onde ninguém fosse peso.


O tempo passou
e disseram que crescer
era esquecer essas ideias grandes.
Mas meu peito nunca aprendeu a ser pequeno.


E então a vida colocou pessoas no caminho
que acenderam o desenho antigo.
Não como salvação,
mas como espelho:


“olha, isso ainda mora em você.”


Conhecer alguém
não criou o sonho
só deu nome à coragem
de tirá-lo da gaveta.


Meu instituto não é prédio,
é promessa.
É a criança que fui
estendendo a mão pra adulta que sou
e dizendo:


“a gente ainda pode.”


Quero construir um lugar
onde a dor não seja vergonha,
onde intensidade seja força,
onde gente quebrada
descubra que ainda é casa.


Se um dia isso existir
não será milagre.
Será soma:
de quedas,
de encontros,
de amor que não coube em mim
e precisou virar mundo.

Silêncio que Respeita


Eu não gritei,
não traí,
não escondi meu coração atrás de portas fechadas.


Eu só pedi confiança.
Mas às vezes
quem já carrega medo
escuta culpa
até no que é verdade.


Eu me expliquei
como quem estende as mãos vazias,
mostrando:
“Olha, não tem nada aqui
além de sentimento.”
E mesmo assim
fui julgada
como se amar fosse crime
e transparência, suspeita.


Então hoje
eu escolho o silêncio.
Não o silêncio de quem desiste,
mas o de quem se respeita.


Porque amor não é tribunal.
Não é interrogatório.
Não é sentença dada no calor do ciúme.
Se ele quiser ficar,
que venha com calma.
Que venha com maturidade.
Que venha com confiança.


E se não vier…
que o meu coração aprenda
que não se perde
quem nunca soube confiar.


Eu não sou erro.
Eu não sou ameaça.
Eu não sou culpa.


Eu sou alguém
que só queria ser acreditada. 🤍