Eli Odara Theodoro
A REPRESA QUE VAZOU!
Estava fazendo a leitura de um certo texto quando me lembrei das represas encontradas ao longo da minha trajetória, e das muitas vezes em que precisei ser musgo.
Algumas vezes, também tive, estrategicamente, de ser planta: aguardar o momento certo para vazar-me, criar passagem e, com coragem e resiliência, deixar minhas ideias florescerem na natureza que eu mesma criei, nos espaços que conquistei.
Foi o vento, companheiro condutor, contribuiu: soprou o aroma das minhas sementes, carregando a essência do essencial , a força vital de quem insiste.
Carrego comigo a natureza ancestral, eu sou a vida que pulsa, que insiste, que pede passagem.
Porque eu sou a própria arte. Eli Odara Theodoro
Sou mulher preta e quilombola.
Sou filha do axé, das águas que curam.
Sou herdeira das mulheres que rezavam, dançavam e libertavam o mundo com as mãos e o coração. Em mim, o tambor fala, o vento responde e o fogo me guia. Trago no corpo as marcas da luta e da bênção. Cada cicatriz é memória, cada gesto é herança. Eli Odara Theodoro
Filho, não dá para falar desse ser singular sem lembrar de luta, insistência e resiliência. Sua história envolve tantos episódios, tantos capítulos, tantos contextos da natureza humana. Há coisas que se podem ver, outras que se podem acessar, mas há também aquelas que só se revelam quando se olha para além da superfície.
E eu me pergunto: onde você bebeu essas goladas de força e resistência que fizeram de você esse sol? De onde vem essa luz que ilumina o seu avesso e escapa pelos seus poros, mesmo quando a vida insiste em testar sua força?
Talvez seja justamente aí que esteja a sua maior virtude: na humanidade que você carrega. E talvez a sua grandeza esteja nessa espécie de santidade que não se anuncia, não se veste de perfeição, simplesmente existe.
Você é luz porque, mesmo atravessando sombras, não deixou de iluminar.
MÃE QUILOMBOLA!
Talvez o barulho provocado na natureza do meu desejo materno tenha despertado, em nós, a conexão com o amor desta união. O que verdadeiramente revelo não se compara a nenhum outro sentimento já sentido, já experimentado. Uma providência se justifica: as intenções são sagradas!
As bonitezas de ser mãe são como um jardim florido, onde as conjugações sentimentais despertam propósitos divinos. Não há surpresas quando o coração anseia, quando a emoção pulsa em certezas e a ancestralidade presenteia.
A semente do amor brotou!
Em meu útero de mulher preta, vingou.
Meu ventre é solo livre. Nele, uma semente consciente se movimenta, regada pela minha essência. Germinou!
E a descendência, com liberdade, chegou.
A esperança é quilombola: fruto saudável da resistência, alimentada pela memória, pela ancestralidade e pela coragem de existir. Cresce para protagonizar novas trajetórias, abrir caminhos e escrever outras páginas de vitórias na história.
Sou mãe quilombola.
Meu ventre é território.
Minha maternidade é ancestralidade.
Minha descendência é continuidade.
E a semente que germinou em mim carrega a liberdade de florescer. Eli Odara Theodoro
