ElenirCruz
Coração de cofre, mas expectativa de herdeira. O amor não é caridade para sustentar quem só sabe receber e nunca tem nada a oferecer.
Mãos cerradas que nada ofertam,
Coração mudo que não sabe agraciar.
Vive o lamento de quem se sente só,
Mas esquece que o amor é via de par.
Exige o brilho, o mimo, o cuidado,
Faz-se vítima do próprio deserto.
Quer ser banquete em solo sagrado,
Sendo apenas um abismo aberto.
“Não sou da folia, sou da poesia.”
Não sou da folia, mas
gosto do riso solto na esquina,
do confete que dança no vento
e da música que abraça de longe.
Fico na calma do meu canto,
vendo a cidade virar cor.
Não pulo, não bebo, não grito —
mas deixo o coração sambar
bem baixinho por dentro.
Esperamos o mundo de quem caminha ao nosso lado,
Por quem doamos o tempo, o zelo e o cuidado.
Mas se o retorno é vazio, o sentimento esfria.
A decepção, então, vira bússola e guia,
Abrindo caminhos que antes não se percebia.
A gente espera de quem está perto,
Mas o deserto ensina a caminhar.
A decepção é o rito de passagem:
O medo de perder se apaga
Quando percebemos que ninguém se perde
Se nunca pertenceu ao nosso lugar.
Novos contatos florescem no que antes era medo,
Descubro que a vida não guarda segredo:
Perder quem não soma é, enfim, se encontrar,
Pois quem nunca foi seu, não há como deixar.
Aos conhecidos, entregamos o que eles querem ouvir; aos amigos, o que eles precisam saber. Se para uns o ego basta, para os outros a sinceridade é o que sustenta o laço.
