Edna Frigato
Eu sempre achei que não precisava provar nada, até começar a imaginar o gosto da tua boca depois de uma taça de vinho.
Da mesma forma que o amor chega, ele se vai. Manso, pisando leve, devagarinho. Impossível precisar o exato momento da chegada e da sua partida também.
Vícios... Vícios... Nossa vida é permeada de vícios. Uns mais, outros menos destrutivos. Alguns aparentemente inofensivos e outros absolutamente letais. No entanto todos são vícios. O que escondemos atrás dos vícios?
Somente enquanto tivermos a mão bondosa e carinhosa de uma mãe estendida em nossa direção, podemos ter a certeza de que nenhum abismo é tão fundo.
Não tenho medo de envelhecer. Tenho medo de perder a meninice, pois é nela que guardo o brilho, a magia e o encantamento do meu olhar de criança.
Tenho um desejo simples e tão singelo quanto as flores: que nosso amor permaneça criança correndo entre girassóis.
Há dias em que meu olhar curioso entra como luz pelas frinchas da inspiração e alcança as palavras que dormem no berço semântico das paixões. Onde os versos ardem, queimam, os sons ganham ressignificações na chama cadenciada da linguística, na aurora dos poemas, na ponta da minha pena.
Embaixo de uma árvore frondosa de raízes lilases que se estendiam além das nuvens enovoadas de pomos açucarados de inocência, ela alongava o olhar sereno e na pontinha dos pequeninos pés tentava alcançar o céu.
O coração vai pra onde quer por que não precisa levar consigo o peso insuportável das coisas desprovidas de magia.
