Demétrio Pereira Sena

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Mundos atípicos


Demétrio Sena - Magé


Confiar, no contexto insano do inusitado; respeitar, no sentido pleno do improvável; ter segurança, nos desvãos do escuro e da insegurança que aprendemos a ter por ter. Ou pela criação (compreensível) para termos medo do mundo. Ver no ser humano atípico (não me refiro a laudo), a possibilidade ampla de uma relação harmoniosa e sem "pé atrás"... onde normalmente não é "possível".


Pontualmente consigo idealizar essa possibilidade, ao perceber que alguém mora, dentro de si mesmo, em um mundo parecido com o meu. Alguém atípico, ou quase, como eu, na forma de olhar o mundo externo. De avaliar as pessoas muito além dos comportamentos formais e obrigatórios e das crenças, dos conceitos e hábitos alinhados por ensinamentos que se repetem "desde a fundação do mundo", como os únicos; porque são coletivos.


Já garimpei algumas pessoas atípicas como eu e tive laços dissociados do secular: inusitados, improváveis, incompreensíveis... inaceitáveis para os formatos estabelecidos ao redor. E muita gente "típica" me garimpou, entendeu e sentiu comigo a leveza do que sempre pesou nos conceitos estabelecidos por correntes; tradições; crenças; leis coletivas; hábitos esculpidos.


O mundo não tem que ser sempre o mesmo, para quem é capaz de manter o próprio mundo e dividi-lo com alguém. Ou até para quem não tenha esse mundo próprio, porém seja capaz de identificar e se inserir no mundo próprio de alguém. Há momentos que valem por todo o tempo restante, até que voltem a ser possíveis. Esses momentos nos ajudam mais do que terapias comuns.
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Sobre cordeiro e predadores


Demétrio Sena - Magé


Tá bom; você vai votar no Lula, para presidente. Já é um ótimo começo. Tem mesmo que ser Lula. Mas vamos fazer uma breve analogia. Digamos que o Lula seja um cordeiro. Votando nele, você põe o cordeiro no Planalto. Está devidamente alojado.


Mas o cordeiro tem predadores; entre eles, os lobos, que vivem à procura de uma chance para pegar o cordeiro. Aí você vota para deputados, senadores e governo estadual, justamente nos predadores. Na oposição. Nos partidos contrários ao perfil do partido do cordeiro, que atua em favor dos trabalhadores, dos mais pobres e desassistidos, da educação, a cultura e a democracia, enquanto seus opostos, ou predadores, atuam somente pelos patrões; pelos ricos; os opressores; as elites.


Foi o que aconteceu, quatro anos atrás, quando elegemos Lula para presidente, mas também elegemos deputados e senadores contrários ao Lula, suficientes para formarem maioria no congresso (Câmara Federal e Senado). Sem contar os deputados de cada estado e governadores, que nas horas convenientes unem-se aos lobos do congresso, para impedirem o cordeiro. Cada vez que Lula surgia com uma lei ou projeto em favor dos pobres, trabalhadores e outras classes desfavorecidas, os lobos atacavam contra, para impedir. Fizeram da rotina do Governo Federal um verdadeiro inferno.


Lula fez milagres para conseguir o possível, com tanta oposição. Quando conseguia, tinha que ceder onde não desejava, pois eram contrapartidas ruins para o país. Durante todo o período, o governo esteve na corda bamba. Poderia ter feito muito mais (e tentou insistentemente), mas os dentes dos lobos rangiam e chantageavam: "Quer isso para o povo? Queremos aquilo e mais aquilo para os empresários, nós mesmos e outros grupos da nossa panela!".


Não podemos repetir isso. Vamos reeleger Lula para presidente, mas com um congresso a seu favor. Deputados e senadores da esquerda; com os mesmos projetos e os ideais de Lula. Não suportamos mais, esse congresso inimigo do povo.
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Um ensaio de humanidade

Demétrio Sena - Magé

Há dias em que a hipersensibilidade tátil de quem a tem vira uma tortura, e surge a necessidade de ficar só. Carícias causam cócegas intensas, o toque leve de um galho faz arrepiar de "arrelia" e qualquer peça de vestuário aperta; sufoca: vira camisa-de-força; calça-de-força; vestido; saia; sutiã; calcinha; calçado; cueca-de-força. Se a pessoa usa gravata, vira gravata não de força; e sim, de forca.

Quem passou a vida inteira, chegou à meia ou terceira idade sem qualquer acompanhamento profissional, mas nunca deixou esse transtorno pessoal virar transtorno alheio, pode se orgulhar. Houve realmente um tempo em que nenhum transtorno era visto como tal; ninguém sabia que dava para se cuidar. Era tudo reduzido a silêncio, remorso e medo, a depender do caráter de cada um.

Quando a ht está mais aguda, separar momentos próprios, consigo mesmo, para vivenciar-se despojado e livre de todos os gatilhos, pode ajudar a suportar o dia a dia em sociedade ou no compartilhamento restrito; familiar. Ninguém entenda este texto como orientação profissional; não sou médico ou terapeuta. É apenas o desejo sincero de ajudar alguém a não se sentir tão só.
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