Damião Leão
A vida é vento que dança,
É rio livre a percorrer.
Quem caminha com esperança
Faz o mundo florescer.
A vida ensina em silêncio,
Com gestos que vêm do tempo.
Cada erro é começo imenso,
Cada acerto, um alimento.
A vida é mar que varia,
Ora calma, ora a bramar.
Mas quem navega com alegria
Sempre encontra um novo lugar.
A paz brota onde há espaço
Para o velho se render.
É no desatar de um laço
Que a alma volta a crescer.
A paz floresce em segredo
No terreno do próprio ser.
Quem atravessa o medo
Descobre força em renascer.
A serenidade é o abrigo
De quem aprendeu a escutar
Que o silêncio é um velho amigo
Ensinando a saber esperar.
A serenidade é terreno fundo
Onde o ego deixa de lutar.
Só quem se despede do mundo
Pode ao íntimo regressar.
A compaixão é chama interna
Que aprende a sofrer sem quebrar.
Ela acolhe a noite eterna
E a devolve ao dia para brilhar.
Serenidade é o gesto leve
De quem sabe se recolher;
Caridade é ponte breve
Que nos ensina a oferecer.
Quem guarda a alma serena
Percebe o outro a florescer;
Sente a dor que nele acena
E estende a mão sem dizer.
Caridade é o silêncio
Que escolhe agir sem brilhar;
É força em estado propenso
A simplesmente amparar.
A compaixão toca o invisível,
Vê o que o olhar não vê;
Transforma o peso impossível
Em possibilidade de ser.
Serenidade é o intervalo
Entre impulso e compreensão;
É pausa que evita o estalo
E abre espaço ao coração.
A compaixão é ponte aberta
Entre o eu e o outro em dor;
É estrada sempre desperta
Para o exercício do amor.
Na serenidade, há um lume
Que acalma a pressa de agir;
É nele que a alma assume
O tempo certo de servir.
Caridade é plantio secreto
Em solo que ninguém vê;
Mas seu fruto nasce completo
Quando alguém volta a viver.
A compaixão se inclina
Onde o orgulho não quer ir;
É luz que sempre ilumina
Quando tentamos desistir.
Caridade é mão discreta
Que não precisa explicação;
É a atitude que completa
O silêncio da intenção.
A compaixão é o encontro
Entre coragem e suavidade;
Quando o coração faz o confronto
Com sua própria verdade.
A esperança é leve chama
Que insiste em permanecer;
Mesmo quando o medo clama,
Ela ensina a renascer.
A esperança é ponte interna
Ligando o hoje ao porvir;
É promessa que, mesmo eterna,
Nos convida a prosseguir.
A adversidade é mestra
Que ensina sem prometer;
Mostra a queda como orquestra
Do impulso para crescer.
