Agilson Cerqueira
Eu ... Freud ... (?)
Agilson Cerqueira
O egoíco gosta de soliloquiar!
É muito falante para si mesmo!
Para uns, às vezes, gargalhadas silenciosas.
Para outros, tristezas das ignorâncias não ignoradas …
… (?)
Eu intrínseco!
Pragmático
Agilson Cerqueira
Não há em mim
momentos epifânicos,
Mas para toda estupidez,
O Silêncio!
Momentos de solilóquios
Agilson Cerqueira
… Reflexões, risos,
gargalhadas e palavrões!
Você intrínseco!
Paragem (in)temporal?
Agilson Cerqueira
Espaço e Tempo são interessantes,
porque os espaços são ocupados em tempos presentes, e demandam
sabedorias constantes!
Vivo em pensamentos,
Vivo em mim!
O meu niilismo me torna pragmático,
Não há sonhos nem delírios.
Todo racional é sofredor!
Às vezes …
Agilson Cerqueira
… É só um dia!
(Des) articulações, travamentos,
Sem lamentações!
Grito sem eco,
Dor instigante!
Lágrimas que rolam,
Os sentimentos extrapolam!
Lágrimas que não rolam,
Fontes secas!
Coração em descompasso,
Descontrole do pulsar!
Respiração diafragmática,
Desequilíbrio!
O cérebro como termorregulador
físico-emocional:
Sol, suor, calor, frio…!
Olhar fixo, pensamentos,
Tudo em silêncio!
Respiração controlada,
Vida!
Talvez moucos ...
Agilson Cerqueira
… Falo pouco!
Eu faço solilóquios!Talvez moucos ...
Agilson Cerqueira
… Falo pouco!
Eu faço solilóquios!
Inconsistências humanas
Agilson Cerqueira
Se estás a falar sempre com incoerências,
Mentiras e distúrbios emocionais: logorréia!
Sem prosopopéia, carecerá soliloquiar!Pois no eco do próprio desatino,Onde o verbo é raso e o brio é escasso,O mentiroso traça o seu destino:Um nó cego no próprio abraço.
Melhor o mudo que se reconhece,Do que o orador que se esvazia;Pois quem na língua o mal oferece,Na própria voz se asfixia.Em pântanos de frases mal tecidas,Onde a verdade é sombra que se esconde,Perdem-se as pontes, sobram as feridas,
E o eco da razão já não responde.
Quem faz do sopro apenas ventania,
Sem o lastro do ser, sem o prumo,
Descobre, enfim, na própria agonia,
Que a palavra oca é só fumaça sem fumo.
É antes o deserto e a mudez profunda,
Onde o pensamento se faz luz e trilha,
Do que a torrente falsa que inunda,
E no próprio lodo se amordaça e humilha
Lógica e ignorância
Agilson Cerqueira
Ao saber o desconhecido,
me contive...
Fiz uma reflexão, e me curvei agradecido!
Lucidez sensata ou sabedoria?
Fiquei em silêncio!
Fiz o controle da respiração!
O tempo e a paciência angustiantes...
Um corpo ocupando o espaço desconhecido!
Enfim, a certeza das limitações!
Ignoro a lógica...
Continuo em silêncio!
CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos)
Agilson Cerqueira
Antes da ideia
existe o mundo.
A luz derrama-se nos olhos
como um rio silencioso,
o vento escreve na pele
sua caligrafia invisível,
e os sons se espalham no ar
como círculos sobre a água.
Tudo começa assim:
Em uma delicada invasão.
O corpo recolhe sinais,
mínimos fragmentos do universo,
sementes dispersas
de um saber ainda sem nome.
Cada cor,
cada textura,
cada rumor distante
é um sussurro da realidade.
E pouco a pouco
a consciência desperta
como um amanhecer
dentro do ser.CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos)
Agilson Cerqueira
Antes da ideia
existe o mundo.
A luz derrama-se nos olhos
como um rio silencioso,
o vento escreve na pele
sua caligrafia invisível,
e os sons se espalham no ar
como círculos sobre a água.
Tudo começa assim:
Em uma delicada invasão.
O corpo recolhe sinais,
mínimos fragmentos do universo,
sementes dispersas
de um saber ainda sem nome.
Cada cor,
cada textura,
cada rumor distante
é um sussurro da realidade.
E pouco a pouco
a consciência desperta
como um amanhecer
dentro do ser.
CICLO DA RAZÃO (II — Intelecto)
Agilson Cerqueira
Então a mente começa
seu trabalho secreto.
Recolhe os vestígios do mundo
trazidos pelos sentidos
como quem junta estrelas caídas.
Entre o sentir e o perguntar
nasce o intelecto.
Ele separa o caos,
ordena a luz,
traça caminhos invisíveis
no território das ideias.
Das sensações ele faz pensamento.
Do instante ele faz memória.
Do encontro ele faz pergunta.
E assim, lentamente,
o universo exterior
ganha morada
dentro da mente.
Mas sem o sopro da experiência,
sem o fogo dos sentidos,
seria apenas
um vazio.
CICLO DA RAZÃO (III — Razão)
Agilson Cerqueira
E então surge a razão.
Não como pedra fria,
nem como montanha isolada,
mas como um horizonte
que se abre no pensamento.
Ela ilumina o que foi sentido,
revela o que foi pensado,
e costura o mundo
à consciência.
Na razão,
as coisas encontram forma,
e o pensamento encontra direção.
O ser humano percebe
que compreender
é também uma maneira
de tocar o infinito.
Pois cada ideia
é uma ponte invisível
lançada entre o eu
e o universo.
E assim,
o mundo continua
a nascer todo dia
com sentidos, mente e razão.
Vida!
Epoché
Agilson Cerqueira
Recolher-se não é simplesmente afastar-se do mundo, mas suspender, ainda que provisoriamente, o regime de evidências que o mundo impõe. É um gesto de interrupção. Um desacordo silencioso com a pressa das coisas, com a necessidade constante de responder, agir, significar.
Ao voltar-se para dentro, não se encontra um refúgio estático, mas um campo em permanente elaboração. A consciência, longe de ser um recipiente passivo, revela-se como um espaço onde o pensamento se forma e se desfaz antes mesmo de adquirir linguagem. Escutar esse movimento exige mais do que atenção: exige desaceleração.
O ruído exterior — vozes, tempo, acontecimentos — não desaparece;
ele apenas perde centralidade. O que se desloca é o eixo da experiência. E nesse deslocamento, o silêncio deixa de ser ausência para se tornar condição. Não um vazio, mas uma presença não ocupada.
É nesse ponto que algo decisivo se insinua: a percepção de que a interioridade não é um lugar, mas um processo. Um caminho que não se percorre avançando, mas suspendendo. E que só se revela à medida que o sujeito abdica da urgência de compreender.
Assim, o recolhimento não conduz a respostas, mas a uma outra forma de relação com o desconhecido — mais próxima da escuta do que da interpretação, mais próxima da presença do que da definição.
E talvez seja nesse estado, rarefeito e atento, que a maturidade racional — se assim podemos nomeá-la — encontre não um destino, mas a possibilidade de continuar se desvelando.
O Que Vê Antes de Ver, Vê!
Agilson Cerqueira
Há momentos em que me detenho à beira de mim mesmo e me pergunto, sem pressa de resposta: o que pesa mais — conhecer ou preservar-se na ignorância do que se poderia saber?
O conhecimento, quando chega, não vem só. Ele arrasta consigo a sombra do que ainda escapa, do que permanece fora do alcance. Saber, por vezes, é abrir uma ferida ou ferir onde antes havia apenas silêncio. É tocar o limite e, ao tocá-lo, perceber o quanto ainda falta.
Então, por defesa ou a falta dela, ignoramo-nos. Não por ausência de capacidade, mas por uma espécie de pacto íntimo consigo mesmo. Um acordo silencioso onde a incompletude não dói — porque não é nomeada.
Mas ignorar, quando não é escolha lúcida, é também uma forma de permanência. Deixar que as coisas sobrevivam em sua forma mais estreita, protegidas de qualquer expansão que as desestabilize. É um abrigo — mas também um confinamento.
E assim seguimos, entre o risco de saber e o alívio de não saber, sustentando essa tensão invisível onde a consciência, às vezes, avança ... e outras, recua para dentro de si.
O Estado de ser e os problemas do Ser
Agilson Cerqueira
Inebriar-se ou embriagar-se não é fugir — é um método.
Um experimento contra a tirania da inconsciência.
Pois existir, quando plenamente percebido, não é um dado — é um privilégio.
A lucidez não ilumina: ela expõe.
E o que ela expõe não é o mundo, mas a impossibilidade de habitá-lo sem fissuras.
Há, portanto, uma tensão irreconciliável:
entre o esquecimento, que dissolve o ser, e a consciência, que o torna insuportavelmente nítido.
Não se trata de escolher entre dois estados, mas de reconhecer que ambos falham.
O esquecimento falha porque não sustenta.
A lucidez falha porque sustenta demais.
O sujeito, então, não é algo estável —
é um movimento de oscilação.
Um pêndulo sem centro.
Aquilo que se chama “eu” não passa de um intervalo entre percepções, uma tentativa precária de continuidade num fluxo que não admite permanência.
Conhecer-se torna-se impossível,
não por falta de profundidade,
mas por excesso de instabilidade.
O ser não é oculto — é inconsistente.
E talvez por isso o outro se torne intolerável: não por diferença, mas por revelar que também ele sustenta, com igual fragilidade,
a ficção de existir.
Recusar-se a ser o outro
é, no fundo, recusar a evidência
de que não há saída fora dessa condição.
Ser é estar preso numa estrutura sem fundamento, onde o instante é tudo o que há — e, ainda assim, não se sustenta.
O agora não é presença: é ruptura contínua.
Assim, as palavras “loucura e lucidez”
perdem o sentido.
Porque ambas partem do mesmo erro:
acreditar que há um estado correto do ser.
Não há.
O que existe é apenas a consciência
tentando justificar o fato bruto de estar aqui.
Sem motivo.
Sem centro.
Sem garantia.
E talvez o pensamento mais radical
não seja compreender isso
— mas continuar, mesmo assim.
Dúvidas do viver
(Ensaio de Prosa Poética minimalista em golpes secos)
Agilson Cerqueira*.
Não sei.
E não importa.
Penso.
Não sai do lugar.
Produção,
Nome bonito pro vazio.
Sinto.
Não explica.
Razão falha.
Sentimento também.
Sem saída.
Cético —
De quê?
Prático —
Pra quê?
Nada sustenta.
Nem povo,
Nem Intelectual.
Ciente inconsciente.
Nem isso.
Não ser —
Sem drama.
Querer ser —
Erro.
O ser não falta.
Nunca houve.
Inquietude corrói.
Insatisfação gasta.
Nada constrói.
Tudo desgasta.
Resta —
Nem resto.
Nem nada.
*Professor, Engenheiro, Matemático, Prosador e Artista Plástico
Dúvidas do viver
(Ensaio de Prosa Poética em golpes secos)
Agilson Cerqueira
Não sei.
E não importa.
Penso.
E não sai do lugar.
Produção,
Nome bonito pro vazio.
Sinto.
Não explica.
Razão falha.
Sentimento também.
Sem saída.
Cético —
De quê?
Prático —
Pra quê?
Nada sustenta.
Nem povo,
Nem Intelectual.
Ciente inconsciente.
Nem isso.
Não ser —
Sem drama.
Querer ser —
Erro.
O ser não falta.
Nunca houve.
Inquietude corrói.
Insatisfação gasta.
Nada constrói.
Tudo desgasta.
Resta —
Nem resto.
Nem nada.
Açaimei-me
Agilson Cerqueira
Não me acontecem epifanias.
Não há clarões, nem súbitas compreensões que reorganizem o mundo.
O que há é a permanência — sólida, repetida — da estupidez.
Ela se infiltra nas falas, nas certezas, nos gestos automáticos.
Diante disso, não argumento, não confronto, não elaboro.
Reduzo-me ao essencial: calo.
Não por sabedoria, mas por economia.
Não por virtude, mas por recusa.
O Labirinto do Pensar e o Vazio do Ter
Agilson Cerqueira
As decepções, em sua marcha lenta, vão desbotando o nosso romantismo até que reste apenas o esqueleto da realidade.
Vivemos engolidos por uma luta diária que não nos concede o privilégio das horas; passamos uns pelos outros como vultos despercebidos e estranhos em uma multidão.
No fim, você acaba se tornando o produto exato da insignificância daquilo que escolhe significar, enquanto busca, tateando no escuro, respostas que o mundo esqueceu de formular.
Talvez a lucidez seja um fardo pesado demais, e por isso todos deveríamos nos permitir o desvario — embriagar a alma duas, três ou inúmeras vezes, até sermos apenas o "bêbado conhecido" que habita as esquinas do próprio ser.
Afinal, o pensamento é uma criatura que nasce do ócio, e sem o tempo vazio para o florescer das ideias, somos meros subprodutos de uma ignorância consequente.
Às vezes, o peso é tanto que me debruço sobre os absurdos do meu próprio "eu", isolando-me em um exílio onde as perguntas não encontram eco.
Ali, o espelho não mente: você é, apenas e irremediavelmente, você.
Contudo, mesmo nesse mergulho intrínseco, a pluralidade nos persegue; o "nós" nasce desse singular ferido, e a vida insiste em nos lembrar que não se caminha só.
O perigo se apresenta quando o pensamento se torna um espelho narcísico; quando o desejo de "ter" para "poder" sufoca a coragem de simplesmente "ser", revelando a mediocridade de quem vive para a vitrine.
Entenda: se você ousa pensar, você inevitavelmente incomoda a ordem das coisas.
Vivemos tempos aflitos, onde o pensamento parece ter perdido o caminho para o cérebro, deixando-nos à deriva entre o poder e o existir.
Diante das incertezas, escolha a lógica do absurdo que preserva a sua essência, mas nunca deixa de habitar-se.
Agilson Cerqueira
