Lucas Carvalho
Seria a convicção um reflexo do que desejamos acreditar? Ou, quem sabe, aquela voz que o invade todas as noites, ao recostar a cabeça no travesseiro, tenha algo realmente importante a dizer. Alguns acreditam em um sexto sentido; outros, que possuem o dom da adivinhação. Eu espero estar errado sobre tudo.
Quase todos os dias penso no trapezista, caminhando por sua vida, que nada mais é do que um fio fino e delicado. Um movimento em falso, uma promessa na qual possa acreditar, até mesmo um olhar pode lançá-lo ao abismo, onde a existência colide com a realidade.
Nem todos enxergam o fio.
Para muitos, o trapezista parece apenas seguir em frente, firme, quase seguro. Há quem admire sua coragem, sem perceber que não há escolha apenas a impossibilidade de parar.
E, ainda assim, ele segue.
Não porque acredita que chegará ao outro lado, mas porque aprendeu, cedo demais, que olhar para baixo é o verdadeiro começo da queda.
