Cary Bertazzoni
Hoje tinha algo entalado na minha garganta e não era um comida.
Era o medo do desconhecido
Era a angústia de não saber pra onde vamos
Era a raiva por ver tantas pessoas desumanas
Era o desejo por querer ajudar e não conseguir
Eram as lágrimas de saudade do que foi bom
Era a vontade de ver as coisas dando certo
Era a incapacidade de lidar com decisões
Era o desespero por uma vida justa para todos.
O grande tropeço
Hoje eu tropecei no acaso.
Cai com tudo em cima da lei
Quebrei paradigmas,
Deixei incertezas,
Alimentei esperanças, ri da vida.
O universo é um
A vida é dois.
Quem dera eu ser amiga do acaso e poder convidá-lo pra tomar um café; saber por que ele gosta tanto de nos surpreender. Às vezes eu acho que ele e o destino brincam de quem surpreende mais.
Um belo dia acordamos e algo muda, um caminho novo surge, algumas pessoas se vão, uma nova forma de ver a vida acontece. Como saber qual caminho a seguir se ainda estamos perdidos? Perdidos em pensamentos, ações, lugares, em pessoas. Somos um barco ancorados em nós mesmos. Alguém disse: “aponta pra fé e rema”, eu digo: perdi os remos
No varal da manhã
o sol pendura pressa,
o café esfria aos poucos
entre mensagens e promessas.
A cidade acorda em passos,
ônibus, buzinas, sinais,
cada rosto carregando
tempestades pessoais.
Tem quem sorria no automático,
quem esconda o cansaço no olhar,
quem encontre um minuto de paz
vendo a chuva começar.
O cotidiano faz barulho,
mas acontece devagar:
na música tocada
num abraço não dado
na saudade que aparece
sem pedir licença pra ficar.
E mesmo nos dias iguais,
onde nada parece mudar,
a vida costura pequenos milagres
nos detalhes que ninguém vê passar.
Tem felicidade
que não cabe em legenda,
nem precisa ser entendida.
Às vezes ela mora
num caminho repetido,
numa música antiga,
na xícara esquecida ao lado da cama,
ou naquele silêncio
que só você sabe traduzir.
O mundo sempre tenta dar nome
ao que sentimos
mas existem alegrias
que nasceram para não ser explicadas.
Coisas pequenas, estranhas, íntimas.
Detalhes que ninguém percebe,
mas que acendem algo aí dentro
como contemplar um fim de tarde.
E tudo bem
se não fizer sentido para mais ninguém.
Porque felicidade de verdade
não precisa convencer o mundo.
Só precisa encontrar você.
A vida é uma constante oscilação entre o prazer e o sofrimento, sendo o prazer apenas a ausência temporária do sofrimento. A tristeza, portanto, não é um estado excepcional, mas sim a condição normal da existência, segundo Schopenhauer. Desde de a infância somos orientados a “engolir” o choro, na vida adulta mascaramos ele com remédios, vícios em drogas, jogos ou alcoolismo e também com a religião. Todos os dias vestimos máscaras sociais que nos impedem de sentirmos a angústia de forma reflexiva. Somos projetados na felicidade alheia, sem ter tempo de saber qual a nossa de verdade, e nisso vamos conquistando coisas, pessoas e lugares que não se encaixam no nosso mundo. Como poder ter um momento melancólico existencial sem ser chamado depressivo, estranho ou “carente”? A solidão é a dádiva dos pensantes, um universo de possibilidades. Se você vive em um mundo de aceitação total das coisas, não consegue observar verdadeiramente a vida. Essa contemplação começa dentro de si, no momento de estar em paz consigo mesmo.
