Brione Capri
Amaduerecer é assim rasgar-se,e remendar-se,é quebrar-se,e colar-se,é saber que quase sempre dói,mas depois é lição aprendida.
O tempo passou,eu ainda sou eu, se sou visto como antes não sei,o coração continua o mesmo inconsequente.
Se aprisionar ao passando,e ver o presente passar sem nada fazer, é rejeitar qualquer chance de mudança para o novo.
Tão ingênuo só tinha o coração e mesmo assim entregou,e o outro insensível devorou na mesa do boteco como tira gosto.
Eu não quero silêncio dentro de mim,também não sei comer calado,as vezes nem talher,nem guardanapo eu uso,por isso me lambuzo todo,uns dizem que me falta educação,eu garanto que sobra felicidade.
Tem gente que toma café em porcelana fina inglesa,mas não tem o mesmo caráter de quem toma no copo de requeijão, acreditem,o problema não está na louça e nem no café.
Sou intenso e profundo,transbordo amor,se você tem medo,providencie um bote salva vidas,ou se afogue só.
Eu até pensei que fosse masoquismo, duvidei que fosse sabotagem, mas entendi que é covardia mesmo, sofrer com medo de amar.
Agora se vira com seu acúmulo de saudade,eu cansei de fazer tudo sozinho,evitando que chegassêmos onde chegamos.
Se a educação não der boas vindas,e a simplicidade não fazer sala,nem me acomodo,nem desfaço a mala.
Até pensei que fosse amor, mas era uma cópia de um rascunho mal feito,uma piada sem graça,uma intimidade não autorizada,um esculacho no coração,uma esculhambação não interpretada.
Era sobre a gente,sobre perceber a verdade olhando no olho,era sobre sentir a sinceridade em cada toque,era sobre presenciar a boa intenção em cada ação,era sobre a gente,que os poetas queriam falar,era sobre a gente que tentaram compor uma canção,era sobre a gente que o físico tentou encontrar a lógica da física,era sobre o que nos atraia,que o químico tentou explicar nossa química.
