ATILANEGRI
De fato, o tempo não se detém.
Ele devora silêncios, limita a existência.
Há, contudo, os que se julgam infinitos no reflexo do próprio ego,
ociosos de alma, doentes de vaidade, vazios de essência.
E no fim, resta apenas o eco —
a lembrança de um instante que ousou ser vida,
e já se perdeu no abismo do passado.
Atila Negri
DEIXA IR (nova versão)
Há instantes em que o destino fala mais alto que o desejo.
Queremos tanto, esperamos tanto,
e quando enfim chega, já parte…
tão breve, tão fugaz quanto um sopro de vento.
Ah, que mistério é a vida, que loucura é o tempo.
Se está saindo, deixa ir.
Se não soube permanecer, deixa ir.
Se não soube cuidar, deixa ir.
Deixa ir, deixa ir…
Permite-se chorar, sofrer, lamentar,
mas não se aprisione ao que não quis ficar.
Porque a lógica é simples:
se partiu, é porque nunca foi raiz,
talvez nem deveria ter sido chegada.
Para ficar, é preciso o mais profundo dos sentimentos:
amor.
E se não há amor,
apenas deixa ir.
A vida é um livro de páginas imprevisíveis,
ora pintadas de romance, ora marcadas por suspense.
Carrega dramas intensos, noites de terror,
e batalhas que nos moldam em guerras silenciosas.
Somos escritores de cada capítulo,
atores de um roteiro sem ensaio,
protagonistas de um único espetáculo:
o filme da vida, que só se revela ao ser vivido.
Seja Águia, saia do rebanho.
O povo tornou-se como gado: segue o rebanho sem perguntar para onde vai.
Perdeu a direção, perdeu o espelho interior, e agora apenas repete os passos de quem caminha à frente, como se a vida fosse uma trilha já traçada e não um caminho a ser criado.
Mas há um chamado silencioso para poucos: ser águia.
A águia não se confunde com a multidão. Ela não teme a solitude, porque sabe que a visão mais ampla só nasce em grandes alturas. Enquanto o rebanho pisa o chão batido, a águia observa o horizonte inteiro, distingue possibilidades, reconhece perigos e escolhe o seu próprio voo.
Ser águia é recusar a prisão das opiniões alheias.
É pensar com profundidade, decidir com clareza e enxergar além da névoa do imediato.
É compreender que singularidade exige coragem — e que liberdade verdadeira nunca foi destino dos que apenas imitam.
O rebanho sobrevive.
A águia transcende.
— Átila Negri
Quero sumir .
Hoje quero sumir
porque a sociedade negocia almas
como moedas de troca.
Até os laços de sangue
enxergam valor apenas na utilidade,
enquanto definhamos lentamente,
com medo da solidão —
até descobrirmos que a solitude
é menos cruel que a companhia vazia.
Hoje quero sumir
porque sinceridade virou risco,
solidariedade virou discurso,
e respeito, uma peça de museu.
No lugar disso,
valores distorcidos governam,
usurpando o que havia de mais puro:
a alma limpa,
a verdade sem cálculo.
Quero sumir
para não testemunhar
os exploradores da fé,
os corruptos de consciência,
os vampiros da inocência
devorando o melhor das pessoas.
A humanidade se corrompe a cada instante,
se autodestrói chamando isso de progresso,
e elimina o simples,
o básico,
o essencial de ser feliz.
Criaram uma manada domesticada,
entorpecida por um sistema
que destrói o intelecto,
atrofia a consciência
e sepulta a justiça e a honestidade.
Hoje quero sumir
porque me sinto um estrangeiro neste mundo,
um erro fora da engrenagem.
Prefiro caminhar só
a viver no meio do caos
que desacredita os afetos
e transforma amizades em personagens.
Percebo que não me encaixo mais.
Vivo em conflito constante
entre o certo e o errado,
entre o bem esquecido
e o mal normalizado,
entre o homem que ainda sente
e o homem sociopata que aprende a sorrir.
Cansei de confrontar
manipuladores da mente,
que usam fragmentos da verdade
para sustentar grandes mentiras.
Hipócritas —
raça de víboras,
túmulos caiados,
limpos por fora,
ocosos por dentro.
O mundo conseguiu me expulsar.
Hoje sou uma alma errante
em meio ao caos,
à discórdia
e à ganância que impera.
E talvez sumir
seja apenas
uma forma silenciosa
de continuar sendo inteiro.
Esse é o grito que muitos retém dentro da sua alma. O medo do despertar e de manter a sua essência.
Atila Negri
Só os loucos sabem amar.
Loucura é amar quando te ferem
e tu não revidas.
É desejar o bem a quem te deseja o mal, abençoar quando teamaldiçoam, retribuir com afeto quando te desprezam.
Loucura é silenciar diante da ofensa,
perdoar quando tudo em ti clama por reação.
Amar é um ato insano aos olhos do mundo, pois contraria vontades, instintos e desejos humanos.
É ignorar o que os outros esperam de ti para aguardar Aquele que, no maior gesto de amor, deu a própria vida por nós.
Mesmo ferido, desprezado, humilhado, torturado e pregado numa cruz, Ele amou.
Prefiro ser louco.
Louco por amar, não por ser covarde.
Louco com a consciência tranquila
de não ter agradado a mim mesmo,
mas Àquele que ensinou que a verdadeira força é ser puro,e que o amor é a maior coragem.
Seja louco também.
Atila Negri
Toda tropa possui uma elite, não definida pela força bruta, mas pela consciência.
Uma nação cujo povo não busca excelência — no conhecimento, no exercício da cidadania e na defesa de seus direitos — torna-se vulnerável.
Um povo que não luta por ideais é facilmente moldado, conduzido e dominado, como ocorre na guerra quando o inimigo subjuga mentes antes de conquistar territórios.
Onde não há elite de consciência, há servidão disfarçada de ordem.
