Jacilene Arruda
Vestes da Alma
Na seda que cobre o rosto, não há disfarce — há revelação. A vestimenta não oculta, ela molda o espaço onde o olhar respira.
Os olhos, espelhos do invisível, falam com o ar, sem som, sem pressa. São letras desenhadas no vento, caligrafias da alma em movimento.
Em árabe, dançam como poeira dourada: العيون مرآة الروح — os olhos são espelho do espírito. Em hebraico, gravam luz no silêncio: העיניים מראה לנשמה — o olhar revela a essência. Em sânscrito, flutuam como mantras: नेत्राणां प्रधानं मानं — os olhos medem o coração.
E assim, entre véus e vozes, a alma se veste de mistério, mas nunca se esconde. Ela se mostra — nos olhos que sabem falar com o ar.
Na escritora habitam a curiosidade da criança, a profundidade da filósofa e a precisão da cientista — ela pergunta, pensa e revela.
Filósofos, crianças e cientistas têm em comum a curiosidade, o questionamento e a busca por compreender o mundo de forma criativa.
A verdadeira turismóloga carrega em si um mosaico de culturas, transformando cada encontro em parte de sua essência.
O sabiá-laranjeira, junto com a sinfonia de cigarras, acompanhado do eco dos galos e galinhas, acordam o meu quintal.
Nos tempos antigos, a humanidade esculpiu seu legado na natureza, erguendo templos em reverência à terra. Hoje, movidos pela ganância — por meio da mineração, da pecuária e de outras formas de exploração — destroem a própria fauna e flora que os sustentam. É trágico perceber o quanto a humanidade se afastou da natureza, abandonando o olhar científico que antes a observava com admiração e respeito.
Há o seus olhos
Expressante e delicados
Tão fantasticos que brilham
Combinando com seu sorriso
E seu jeito de menina mulher
De simplicidade e simpatia
Seus labios minha tentação
Um desejo fora de noção
Me entusiasmo quando fala
Seu sotaque me impressiona
E o destino me decepciona
Queria eu ter a conhecido um pouco antes
Talvez não seria platônica esta paixão
Esse desejo pelo sabor do seu beijo
E a vontade de te colocar em meus braços
E te proteger deste mundo cruel
De te namorar de manha, a tarde e a noite
E puder tirar do seu rosto
Os mais belos sorrisos e ouvir
Os mais deliciosos gemidos
De amor e prazer.
A como eu queria que nada disso
fosse platônico.
