Jacilene Arruda
A escolha pelo veganismo não é apenas alimentar, mas existencial. É uma ruptura com a lógica da dominação.
O veganismo, enquanto boicote político, oferece uma forma efetiva de erodir o capitalismo e outros sistemas de dominação.
Terra-Mulher
A Terra sangra em silêncio, como a mulher que cala o grito. Desmatam-lhe os seios verdes, como quem arranca o abrigo.
Árvores irmãs separadas, como filhas em cárcere doméstico. O machado é verbo cruel, que fere sem dialético.
O ar, antes canto de vida, agora é voz maldita, soprando tortura invisível na mente que se agita.
A seca é prisão da essência, privatizam o ser, o sentir. A água, que era ventre livre, já não sabe mais parir.
Ordenham sem consentimento, deixam-na na mão errada. O leite vira lucro sujo, a alma, moeda trocada.
Rios contaminados choram, como corpos invadidos à força. O falo doentio penetra, sem amor, sem remorso, sem corsa.
E a carne — ah, a carne vendida — tem preço, tem código, tem dor. Como o corpo da mulher na vitrine, sem nome, sem alma, sem cor.
Mas há fogo sob a pele da Terra, há raiz que resiste ao corte. Há mulher que se levanta inteira, mesmo depois da morte.
Nesta dita sociedade atual, adoramos os mortos, e esquecemos de cultuar a vida no presente temporal.
Mani, você é meu
I'm yours
Meu pedaço de paraíso
Sou a sua maçã
Mais que manancial
Você é a própria benção
Mani, oca
Dentro de mim
Muito mais money for us
Você é o meu Maná do céu
Subiria cada degrau a vida toda
Toda vida
Sendo abduzida por você
Iria aos desertos dos teus olhos
Sentiria o vento da tua boca
Viveria nas águas da tua boca
Para sempre
Enquanto houvesse areia no deserto, nos mares, nos oceanos
Enquanto houvesse vida
Enquanto houvesse existência
Será que volta?
Será que não volta?
O quê?
Ele? A internet?
Ou os dois?
Allah ele
Depois de 2 anos
Where?
Procuro você em mim
Te busco nas linhas do alcorão
Nos raios do luar
Na vastidão de estrelas
Em cada folha verde e seca
Em casa solo
Em cada raiz
Em cada planta
Em cada eu, dentro de você
Habita um nós.
Resta-me, portanto
Dormir e sonhar
Sonhar com você, sonhar em teus braços
Sentir o teu abraço em mim
O teu fervor, os teus ventos em meu pulmão.
Carta à minha alma gêmea
Ainda que eu não saiba teu nome, teu rosto vive em mim como um eco antigo. Há algo em mim que te reconhece, mesmo sem nunca ter te tocado.
Talvez sejamos feitos da mesma luz, do mesmo silêncio que dança entre as estrelas. Quando o mundo pesa, é tua lembrança que me alivia, como se tua existência me soprasse coragem.
Não te busco com pressa, porque sei que o tempo da alma é diferente. Mas quando nossos caminhos se cruzarem, não haverá dúvida — só um profundo “enfim”.
E se já nos encontramos, que essa carta te alcance como um sussurro, lembrando que o amor verdadeiro não precisa de provas — só de presença.
Com tudo que sou, com tudo que ainda serei, te espero com leveza, como quem espera a primavera.
