Arnaldo Jabor

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Temos a nostalgia lírica por alguma coisa que pode voltar atrás. Não volta. Nada volta atrás.

Arnaldo Jabor
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A ignorância quer aprender. A burrice acha que já sabe. A burrice, antes de tudo, é uma couraça. A burrice é um mecanismo de defesa. O burro detesta a dúvida e se fecha.

O ignorante se abre e o burro esperto aproveita. A ignorância do povo brasileiro foi planejada desde a Colônia. Até o século 19, era proibido publicar livros sem licença da Igreja ou do governo. A burrice tem avançado muito; a burrice ganhou status de sabedoria, porque, com o mundo muito complexo, os burros anseiam por um simplismo salvador. Os grandes burros têm uma confiança em si que os ignorantes não têm. Os ignorantes, coitados, são trêmulos, nervosos, humildemente obedecem a ordens, porque pensam que são burros, mas não são; se bem que os burros de carteirinha estimulam esse complexo de inferioridade.

Arnaldo Jabor
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A ignorância é muito lucrativa para os burros poderosos. Os burros são potentes, militantes, têm fé em si mesmos e têm a ousadia que os inteligentes não têm. Na porcentagem de cérebros, eles têm uma grande parcela na liderança do país. No caso da política, a ignorância forma um contingente imenso de eleitores, e sua ignorância é cultivada como flores preciosas pelos donos do poder. Quanto mais ignorantes melhor. Já pensaram se a ignorância diminuísse, se os ignorantes fossem educados? Que fariam os senhores feudais do Nordeste em cidades tomadas como Muricy ou o município rebatizado de Cidade Edson Lobão, antiga Ribeirinha? A ignorância do povo é um tesouro; lá, são recrutados os utilíssimos "laranjas" para a boa circulação das verbas tiradas dos fundos de pensão e empresas públicas.

Arnaldo Jabor
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Como é o "design" da burrice? A burrice é o bloqueio de qualquer dúvida de fora para dentro, é uma escuridão interna desejada, é o ódio a qualquer diferença, à qualquer luz que possa clarear a deliciosa sombra onde vivem. O burro é sempre igual a si mesmo, a burrice é eterna como a pedra da Gávea (Nelson Rodrigues). De certa forma, eu invejo os burros. Como é seu mundo? Seu mundo é doce e uno, é uma coisa só. O burro sofre menos, encastela-se numa só ideia e fica ali, no conforto, feliz com suas certezas. O burro é mais feliz.

A burrice não é democrática, porque a democracia tem vozes divergentes, instila dúvidas e o burro não tem ouvidos. O verdadeiro burro é surdo. E autoritário: quer enfiar burrices à força na cabeça dos ignorantes. O sujeito pode ser culto e burro. Quantos filósofos sabem tudo de Hegel ou Espinoza e são bestas quadradas? Seu mundo tem três ou quatro verdades que ele chupa como picolés. O burro dorme bem e não tem inveja do inteligente, porque ele "é" o inteligente.

Arnaldo Jabor
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Nosso grande crítico literário Agripino Grieco tinha frases perfeitas sobre os burros. "A burrice é contagiosa; o talento, não" ou "Para os burros, o 'etc' é uma comodidade..." ou "Ele não tem ouvidos, tem orelhas e dava a impressão de tornar inteligente todos os que se avizinhavam dele", "Passou a vida correndo atrás de uma ideia, mas não conseguiu alcançá-la", "Ele é mais mentiroso que elogio de epitáfio", "No dia em que ele tiver uma ideia, morrerá de apoplexia fulminante".

Arnaldo Jabor
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Tempos difíceis
Arnaldo Jabor

Estamos vivendo tempos bicudos, tempos de muita estupidez.

De um lado, o desespero mórbido de uns e do outro a letargia crônica de muitos. No meio, a crença que só um milagre nos salvará e nas extremidades o ódio transbordando e nos afastando de um consenso ou de um pacto em torno do qual, poderíamos reagir a tudo isto.

Estamos divididos, confusos e ao mesmo tempo, cheios de verdades absolutas e nesta confusão toda, nesta divisão toda, com todas as nossas verdades e razões, estamos sendo enganados por um grupo de maus brasileiros, instalados em todas as instâncias do poder, que estão agindo a mando de forças que têm interesse em destruir tudo de melhor que a nossa história já produziu. Inúmeros projetos tramitam hoje no congresso brasileiro, bancados pelas forças que arquitetaram a chegada de Temer ao poder e que lá o sustentam, para ele realizar os seus intentos.

A terceirização de todas as atividades das empresas e as reformas, trabalhista e da previdência, mexem em direitos sagrados da classe trabalhadora e acabarão com a CLT e a aposentadoria dos brasileiros. Há um conjunto de malefícios bem grandes para serem despejados nas costas dos trabalhadores brasileiros, dentre os quais o fim do décimo terceiro salario e o aumento da jornada de trabalho que nos fará regredir cem anos no tempo, em relação às conquistas destes direitos. Está em curso também, a destruição do estado Brasileiro.

Estes senhores que colocaram Temer no poder e que o deixaram assim cheio de marra, não querem estado mínimo, eles querem estado ausente, longe das ações que regulam a relação entre capitalistas e trabalhadores, especialmente aquelas ações afirmativas, que num país injusto como o nosso, promovem justiça social. Sempre defendi a tese, de que o estado não tem que ser mínimo e nem máximo e sim, ter o tamanho necessário para regular as ações, que o mercado não regula, para não deixar a corda arrebentar sempre do lado mais fraco, o lado da classe trabalhadora. Querem destruir um conjunto de leis que garantem direitos trabalhistas e previdenciários sem um amplo debate nacional, uma conversa séria com a população que será prejudicada por estas reformas e o pior, estes senhores e seu preposto, o boneco de ventríloquo Temer, não têm legitimidade, credibilidade e nem popularidade, para executarem estes tipos de reformas e o povo brasileiro sabe disto.

Por isto, nosso povo e a sociedade organizada, irão parar o Brasil até Temer sair, para mostrar o poder de organização e mobilização do povo brasileiro, para mostrarmos a esses senhores, agentes da maldade, que eles não irão conseguir seu intento com facilidade. Eles não irão enfiar goela abaixo do povo suas maldades e o povo ficar feito mané besta, só aceitando sem reagir.

O povo está revoltado contra este desgoverno que está aí e dependendo de como o governo reagir. O povo brasileiro dará ao seu modo, um basta nesta situação. "Vamos lá rapaziada.Tá na hora da virada, vamos dar o troco"!

Arnaldo Jabor
Inserida por caminheiros

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso nos lábios e paz no coração

Arnaldo Jabor
Inserida por investidor_tresmil

Sempre defendi a tese, de
que o estado não tem que ser mínimo e nem máximo e sim, ter o tamanho
necessário para regular as ações, que o mercado não regula, para não
deixar a corda arrebentar sempre do lado mais fraco, o lado da classe
trabalhadora.

Arnaldo Jabor
Inserida por investidor_tresmil