Andrésaut

Encontrados 4 pensamentos de Andrésaut

Distraidamente fiz amizade com o tempo que devagar
me apresentou a felicidade,
num rápido passeio pela tristeza, que por educação cumprimentei.
Em seguida, porque o tempo não para, me fez conhecer um gracioso sorriso que eternizou uma amizade. E quase no finzinho daquele momento numa lágrima deu um tempo para lembrar que existe saudade.

Inserida por andresaut

Alguns dizem que o fruto não cai longe do pé.
Mas a semente voa.

Vai com o vento,
vai no bico dos pássaros,
vai rolando sem saber exatamente onde vai parar.

Às vezes encontra um chão bom.
Outras vezes, não.
E está tudo certo.

Quando encontra, nasce.
Vira broto, depois árvore.
Dá flor, dá fruto.
E o ciclo segue, quietinho, fazendo o que sabe fazer.

A vida é assim.
Simples.
Delicada.
Tentativa.

Nem toda chuva ajuda.
Tem chuva que cuida.
Tem chuva que leva embora.

Nem todo vento espalha.
Tem vento que só passa.
Tem vento que machuca.

Talvez a gente não precise ser grande demais.
Nem forte demais.
Nem certo demais.

Talvez baste ser um pouco mais suave.
Um pouco mais atento.
Um pouco mais presente.

Ser como a chuva boa.
Que molha sem machucar.
Como o vento leve.
Que passa e deixa espaço.

E deixar a vida fazer o resto.

Pensamentos na Roda de Chimarrão

A roda de chimarrão se forma sem aviso. Um chega, outro puxa a cadeira, alguém esquenta a água. Quando se percebe, o tempo já diminuiu o passo e ninguém sente falta da pressa.

Na roda de chimarrão sempre tem quem fale menos. Não é silêncio vazio, é escuta. A cuia vai e volta, e junto dela um pensamento que ainda não terminou.

O silêncio na roda de chimarrão nunca constrange. Ele se senta junto, toma um mate e fica. Às vezes diz mais que a conversa inteira.

Tem roda de chimarrão que começa leve e, sem combinar, vai ficando funda. Quando vê, alguém falou de infância, outro de ausência, e ninguém tentou consertar nada.

A roda de chimarrão mostra o ritmo de cada um. Tem quem devolva a cuia rápido, tem quem demore. Ninguém apressa. O mate não gosta disso.

Na roda de chimarrão se encontram pessoas que talvez não se encontrassem em outro lugar. Ali, todo mundo bebe do mesmo amargo e isso iguala.

Algumas conversas só existem na roda de chimarrão. Fora dali não teriam espaço, nem clima. São feitas do vapor da água e da confiança que se cria sem anúncio.

Quando alguém chega atrasado na roda de chimarrão, a roda abre. Não precisa pedir licença. A cuia já sabe o caminho.

Tem roda de chimarrão em que ninguém resolve nada. E mesmo assim todo mundo sai melhor do que entrou. Resolver nunca foi o objetivo.

Na roda de chimarrão, a ansiedade vai ficando menor a cada gole. Não some, mas aprende a sentar e esperar.

Sempre tem uma risada que nasce do nada na roda de chimarrão. Não é piada ensaiada, é convivência se reconhecendo.

A roda de chimarrão não cobra explicação. Quem fala pouco fica. Quem fala demais também. O mate não mede ninguém.

Tem histórias que se repetem na roda de chimarrão. E ninguém reclama. Porque não é a história que importa, é quem está contando de novo.

Quando a água esfria na roda de chimarrão, alguém levanta e esquenta de novo sem dizer nada. Cuidar ali é gesto pequeno.

Às vezes a roda de chimarrão fica só no som da bomba. Ninguém se incomoda. Aquilo também é conversa.

A roda de chimarrão ensina que dá pra discordar e continuar sentado. A cuia passa mesmo assim.

Tem roda de chimarrão curta. Alguém precisa ir, outro chega só pra um mate. Mesmo assim valeu.

A cuia passa por mãos diferentes na roda de chimarrão e nunca muda. O que muda é o jeito de segurar.

Quando a roda de chimarrão termina, ninguém anuncia. Ela se desfaz como coisa viva, deixando um resto de calma no ar.

No fim, a roda de chimarrão não é sobre o mate. É sobre estar. O resto acontece sem esforço.

Nem todo silêncio quer resposta.

Descansar não é desistir, é recarregar o humano.

Há dias em que sobreviver já é produção suficiente.

O corpo também pensa, só mais devagar.

Às vezes a melhor ideia é não ter nenhuma hoje.