Amanda Liz

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Engraçado mesmo é essa necessidade que invade sem querer, de apenas querer que o mundo pare um instante, eu preciso respirar!

Amanda Liz
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As plantinhas estão felizes, floridas, florindo. Tenho regado todos os dias, acordo bem cedinho, tem feito um sol bonito aqui. E nessa rotina de regar, levantar cedo, nascer sol, eis o segredo: cuidar!

Amanda Liz
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E eu expulsei o Santo Antonio do bidê do quarto, num ataque de fúria. E também passei uns dias sem rezar, e passei uns dias sendo muito mas muito mala. Falei que nem uma doida das coisas que eu abri mão e lamentava. Bom, cairam as fichas. Tudo, mas tudo o que acontece é escolhas e isso acontece a todo momento e se toda vez que eu abrir mão de alguma coisa eu querer que o mundo pare, por favor! A vida é isso coisas vão embora e outras chegam, be happy! e pronto! tenho aprendido muito por aí, na luta. E por mais covardia que tenha parecido tudo agora, desistir foi meu ato de maior coragem! mas sei, coisinhas lindinhas vem por ai, eu sei! sempre vem... be happy ;)

Amanda Liz
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A carta que não chegou

Eu sei que as coisas estão complicadas pra mim, pra você, eu vi que você não tava legal, mas a única coisa que eu posso te dizer, até porque eu sou péssima em dar conselhos, é que você pode contar comigo independente de qualquer coisa. E eu resolvi te escrever porque eu preciso te dizer muitas coisas. Eu sei que a gente se conhece pouco, você sabe pouco de mim e eu muito pouco de você. E que parece loucura falar que eu estou apaixonada, mesmo com tão pouco tempo e tanta distancia. Pode ser que a distancia seja chata, e muitas vezes eu já fiquei furiosa com ela, mas eu não me importo, eu te espero. E eu fico furiosa porque eu tenho que dizer pra’s pessoas que você é meu amigo, sendo que eu sei: você não é meu amigo, é muito mais que um amigo. E quando você me pergunta o que eu digo quando perguntam da gente, eu digo: amigos. Mas no fundo eu queria dizer, “ Não, ele não é meu amigo, é o meu cara”. E eu fico sempre pensando como você está, será que ta alegre, triste, será que esta pensando em mim. Te mando sms pra dizer de alguma forma ‘toh pensando em você’. Você ocupa muitos espaços dentro de mim. Espaços bonitos. E eu fico construindo e desconstruindo a sua imagem dentro mim. O seu rosto, sorriso, pele, cheiro, tudo. E volta e meia te vejo na rua nos rostos das pessoas, atravessando a rua, parado no sinal, um jeito de te trazer pra perto. Eu não sei se eu estou sendo precipitada, atropelando as coisas, atropelando você. Por isso dou sempre um jeito de perguntar se continuaremos a nos ver. Mas o que me motivou a escrever, porque hoje pela primeira vez eu senti um frio na barriga, medo de te perder. Caíram as fichas, te amo. E eu fiquei triste em saber que você estava triste. E não poder fazer nada. Eu poderia te confortar com palavras, mas as palavras não saíram. Pensei, bom se eu pudesse abraça-lo agora, não precisariam palavras. Te abraço em pensamento, sempre. E eu me conforto com isso. O que eu quero dizer é que eu te espero, se for pra te encontrar uma vez por mês, de dois em dois meses, de seis em seis meses, não importa, mas eu preciso que você queira também. É só segurar minha mão. E eu e você vamos ter muitos dias ruins ainda, dias de chuva e de sol, e vamos ter dias lindinhos também. Mas se a gente segurar a mão um do outro bem forte, nem que seja em pensamento, vai dar certo. E digo mais: não é fácil e nem vai ser. Mas se você segurar minha mão, eu prometo que eu não solto. Eu sei, eu sei, faz pouco tempo mas quem disse que existe tempo certo pra tudo? A vida é risco, surpresas, tombos, tem tudo. A única coisa que não tem como controlar é o tempo certo, esse é independente de qualquer coisa. E eu acho que você apareceu no tempo certo na minha vida. No tempo exato, nem tarde, nem cedo demais. “Eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”. É uma frase de um conto de Caio F. de Abreu. É isso, é essa a intenção, te mostrar que você existe dentro de mim e ocupa os lugares mais bonitos. E lembre-se é só segurar minha mão. Te amo.

Amanda Liz
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Engoli um livro em uma hora, na sala de quimioterapia. E quando fechei o bendito livro é como ter recebido uma luz daquelas bem cintilantes. Me deu uma força, sei lá. Foi bom, foi boa a companhia.

Amanda Liz
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A vida te bate na cara, não mima e as lembranças são rugas e só. Aprendizado também.

Amanda Liz
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E você sabe que te quero bem.

Amanda Liz
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E eu ainda escuto o telefone tocar, as mensagens chegando, e-mails. Mesmo sem nada chegar.

Amanda Liz
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Invariavelmente eu lembro, lembro de tudo. Repasso a história milhões de vezes e não me canso. Engraçado como tem pessoas que doem, mas são inevitavelmente, doce.

Amanda Liz
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Se eu imaginasse que aquele dia na rodoviária seria o ultimo olho no olho de nós dois eu teria te olhado por um infinito tempo a mais. Mas a gente nunca sabe nada mesmo e continuamos a viver adiando tudo, como se tudo fosse para sempre.

Amanda Liz
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Eu lembro detalhes ainda. A jaqueta de couro, o meu previsível casaco xadrez, a meia calça rendada, o teu perfume. Alias se eu quisesse guardar uma lembrança sua, apenas uma, seria o perfume. Você era como um vidro de perfume.

Amanda Liz
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Eu nunca quis que você partisse. Eu queria apenas que você dissesse o inevitável 'eu também' a cada grito de saudade meu.

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E se você voltasse hoje eu não questionaria nada, nada. Nem uma pergunta. Apenas silencio porque agora não me importam mais palavras.

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Eu nunca tive nada na mão, tudo muito batalhado, muito suado. E tô na luta, e ainda está tudo tão batalhado, tão sofrido. Estou num estado que gosto de chamar de anestesia, indiferente, silenciosa, mas mecanicamente lutando.

Amanda Liz
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Mas me diz, você não gostou nem um pouquinho de mim? Olha! Eu tenho coisas lindinhas, mas é preciso um olhar devagar para perceber, decifrar. Olhares rápido demais, não cativam e nem se deixam cativar.

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E te cuida bem viu! Sempre te mando vibrações do bem, todos os dias. Te carrego nas rezas e nos bolsos. Te cuida bem viu!

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Lembro que em uma de nossas conversas eu confessei que a pior coisa do mundo e que desarma qualquer alma era desaparecer. Não existe coisa mais desequilibradora de almas equilibradas que o tal sumiço. Bom, você parece ter aprendido bem a lição!

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Eu te espero. O telefone tocar, a campanhia soar, o barulho do carro. E se tiver frio, vista aquela jaqueta de couro que te deixa com cara de homem só pra mim sentir novamente vontade de ser a melhor mulher do mundo.

Amanda Liz
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As vezes a gente tem que mudar o rumo das coisas mesmo. Mudar, mudar. E essas mudanças não são fáceis, além do nosso imenso esforço em vencer a preguiça e lutar contra todos os medos, ainda temos que lutar contra os conselhos desanimadores dos que acham que nos conhecem. É difícil, cansativo e leva um tempo danado. Mas se faz necessário vez em quando na vida.

Amanda Liz
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Eu queria te dizer tantas coisas, mas não temos mais tempo ou ainda temos não sei. Eu preciso te dizer. Sabe, essas coisas que não podem ser ditas, essas coisas que a gente tem medo de viver, porque são grande demais, porque a gente tem medo de viver. Está entendendo? de ir além, a fundo mesmo, nas pessoas, suas coisas, suas vidas pequenas ou grandes. Da pressa e da falta de tempo e da aprovação da familia e dos vizinhos e das distancias. Estou falando sobre essas coisas e eu sei que você esta me entendendo e que você sabe disso tudo também como eu. Os nossos encontros sempre foram meio as pressas, tão pela metade, mas tão completo. E eu aprendi tantas coisas, pequenas e tantas coisas em tão pouco tempo e acho que você também aprendeu, mudou. Estou tentando te dizer, espere. Eu queria dizer, bom você deveria ter plantas em seu apartamento. Eu não vi nenhuma plantinha! Só estou querendo dizer que eu reparava e reparo muito em tudo, só pra guardar comigo. Ah! como eu esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu perseguia o relógio e como eu ficava bem e ao mesmo tempo eufórica. E do imenso ciúme que eu tinha de você. E das coisinhas, da pizza, da polenta frita, do pileque, carreteiro, da panela do seu tio, você lembra! Eu lembro da panela pulando no porta malas do carro. Eu queria que você soubesse tantas coisas, que você cresceu tanto dentro de mim e que eu não percebi que isso tudo exigia um espaço imenso! Eu também não te dei muito espaço eu sei. E ainda assim, no meio de tantos tropeços, passos em falso, e nesse meu coração tão cheio de marcas e manchas e buracos você ocupa um buraco bem bonito, florido. Buenas vibraciones! te cuida, te cuida bem viu! mas eu ainda tenho tanta coisa pra dizer! Espere.

Amanda Liz
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Eu queria que você soubesse que, apesar de ter passado todo esse tempo, estou aqui, estou aqui. E que ontem a noite eu poderia ter escrito uma coletânea de tantas coisas que passaram nos meus pensamentos e devaneios, mas que agora eu estou com esse sapo preso na garganta. Ontem a noite eu havia decidido que hoje, nesse lindo domingo, com esse calor de 40 graus, com as moças passeando com seus namorados nas praças daqui e nas praças daí,das crianças com suas mães ou com seus cachorros, nesse domingo eu iria te escrever. Eu queria te contar das novidades e eu falo novidades já para aumentar a curiosidade. Eu queria te contar do quão foi frio o mês de agosto, de quanto eu sufoquei nesses meses, de quanto eu cheguei a descobrir tantas coisas, inclusive eu mesmo. E que eu não morri como pensei que morreria, descobri que ninguém morre dessas coisas. Mas penso se, quando você vem pra essa cidade, que invariavelmente minha casa fica no caminho de acesso, eu penso se quando você passa você não olha e não espia tentando me ver? ou pelo menos pensa em mim, repassa o filme. Porque eu sempre penso na possibilidade de um dia cruzar num semáforo, numa esquina, na estrada, num buffet. Quem sabe,e eu tenho pensado nessas coisas, porque ultimamente essa urgência aumentou, essa urgência de a qualquer hora sem querer um esbarrão numa rua qualquer.

Amanda Liz
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Porto Alegre

Eu queria muito que você falasse tudo, tudo o que aconteceu nesses últimos longos meses em que nos mantivemos afastados. Que você falasse da raiva que sentiu de mim, se sentiu, da barra que enfrentou, se sentiu minha falta ou não, dos problemas que não quis me contar, mas que agora quem sabe fosse uma boa hora, eu também te contaria todas as coisas que eu queria te contar todo esse tempo. No dia 31 de dezembro vão fazer 5 meses que eu vi o seu rosto pela ultima vez naquela Rodoviária de Porto Alegre. Eu ainda lembro sempre como se fosse um ritual. Lembro, sorrio, sofro e rezo. Sorrio quando lembro de nós, das nossas conversas, de como eu te explicava o " ser amigo". Lembra, eu costumava dizer que éramos amigos com beneficios. E você nem se tocava de como eu te olhava apaixonada. Eu dizia que éramos amigos só pra manter a leveza. Eu não queria te perder. E eu tinha muito ciúme de você e acho que isso que te levou pra longe e acho também que tem muitas outras coisas que te levaram pra longe,das quais eu precisava saber. E eu não sei dessas pequenas grandes coisas que foram minando nós dois. Eu lembro que o meu maior medo era não conseguir com que o nosso amor fosse o maior e o melhor da sua vida. Tinha medo dos fantasmas do passado e da mania que as pessoas tem de achar que o amor passado foi tão grande que o amor presente é tão pequenino e frágil e frágil. Eu tinha medo. Eu fico pensando se você pensa nessas coisas como eu penso. Se você olha as coisas e lembra de nós, como eu. Porque eu olho as coisas e vejo você e vejo nós em muitas coisas. Eu tenho que ir pra Porto Alegre em seguida, nesse mês de dezembro e eu sei que vai ser um amontoado de pequenas lembranças, uma bagagem que eu vou carregar pra cada canto que eu for. Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença e de como era bom o teu perfume, a voz, o riso e de como você rodava pela cidade e lembro sempre de que como eu e você ficávamos indecisos a onde ir, mas no fundo a gente sabia onde queiramos ir. Era a vida se mostrando mais poderosa do que as nossas vidas, era eu e você felizes, ali, simplesmente, um com a companhia do outro e aquilo bastava, era a vida acontecendo, eu sentia tanta vida em nós. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo. Nós dois éramos lindo. E eu estou falando no passado, mas ainda é presente em mim.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando na rua, me pegando pela mão e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem sono, sinto falta de quando a imensa distância física ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Hoje me pergunto o que é maior a distancia física ou essa que se instalou entre nós. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinto falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, da facilidade que você tinha em simplesmente ir embora, colocar as coisas no porta malas do carro e ir, e de como eu ficava ansiosa e feliz porque de alguma forma eu sabia do seu retorno, eu esperava. E você, eu acho que de alguma forma sabia que tinha as armas suficientes para me reter. Ou não. Ou pensava que sabia. Então, agora eu digo que as armas suficientes para me reter era somente a sua presença, só isso. Sem sobrenome, cargo, carro e todas essas coisas que a gente sempre acaba achando que são iscas soltas ao redor. Era o sorriso, o cheiro de chiclete, o seu jeito organizado. Eu sinto falta até daquele seu jeito de querer que as coisas fossem do seu jeito e como você implicava com o horário. Prometi não tentar entender e apenas sentir. E o que permanece é essa abstinência de pessoas, eu vejo você em outros rostos mas isso não me faz querer outros rostos, porque quando eu vejo seu rosto por aí, eu olho, olho e então eu vejo que são só meus olhos. Mas não fui eu que escolhi que aquele fosse o último abraço, quando eu disse que queria você longe, na verdade eu queria que você dissesse que não ia a lugar algum, que seguraria a minha mão. Mas agora é outra que se perde em ombros tão largos, e se não tem em seguida terá, nada mais natural que outra esteja no lugar vazio que deixei ao seu lado, tomara que ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o quanto esse teu abraço é o lado bom da vida. E eu acho que ninguém gosta desses filmes com finais felizes, onde tudo termina bem e continua bem e fica tudo bem. Acho que as pessoas gostam dessas histórias onde as pessoas sofrem e se perdem no final. Como aconteceu com nós. Eu queria muito acreditar que ainda houvesse um outro final, ou melhor, que não existisse um final. É que depois de tanto tempo eu começo acreditar que essas lembranças são só minhas. Estou escrevendo porque eu não quero que se perca nada, de tudo que passei nesses últimos tempos. Estou escrevendo porque eu ainda tenho fé de que alguém leia e me deseje fé, força. Eu queria muito que você me visse de verdade, sem a rotulação dos outros, sem a opinião alheia que gosta de pintar as pessoas generalizando. Queria que você me visse de verdade e você veria que tudo que digo é verdade. Me ocorreu agora, não é nas ruas, nem nos bares que você vai me ver, eu continuo em casa, eu continuo. Pensei nisso agora porque as vezes penso que posso te encontrar por aí, quando saio pra correr, quando vou aos bancos, na padaria, na fila do supermercado (risos). Mas lembro que não é aqui que seus passos vão pra lá e pra cá, é nas calçadas de lá.(mais risos). Eu acho que apesar de tudo esse amor me fez mais humilde, porque agora eu aceito até sua partida. Aceito porque eu sei que não seria fácil segurar minha mão. Que o mundo exige muito. Mas se por algum acaso você voltasse eu não cobraria nada, nem questionaria nada. Agora são 2h da manhã e eu vou dormir, as palavras já estão ficando perdidas. Eu sinto falta do barulho que o nosso amor fazia.

Amanda Liz
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Extremamente triste, mas dessa vez é uma tristeza diferente. Se é que existe diferença entre tristezas, mas é uma tristeza nostálgica, feia, infinitamente triste. Não consigo definir.

Amanda Liz
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Não foi a distância Doutor!

hoje, andando por ai, lembrei que você disse que nós não daríamos certo devido a distância. Me ocorreu que você está altamente equivocado quanto a isso. Não! Não foi a distância a causa principal desse desfecho infeliz, infeliz pra mim. Foi a falta de confiança. A distância a gente dribla. Tem telefone, msn, carta, sinal de fumaça. Eu pegando o ônibus e indo pra ai e você vindo pra cá. A gente sempre soube que pra isso tinha jeito, se não nem teríamos iniciado nada. Eu poderia até acreditar nisso e até acreditei por um tempo. Afinal, as palavras saíram da sua boca. Mas agora que o tempo passou é mais fácil ver, rever. E como eu disse não foi a distância e sim a falta de confiança. Faltou confiança pra segurar a mão um do outro. Faltou confiança pra esperar, pra entregar nas mãos um do outro essa vida, compartilhar. E o mais importante é o que fez com que eu chegasse nessa conclusão. Foi exatamente o fato de que a gente não manda no coração. A gente não tem o poder de dizer ao coração, " querido não vou te amar porque você mora longe", ou "querido não vou te amar porque você não gosta das mesmas musicas que eu gosto" , a gente ama porque ama e não se sabe o por quê. Se fosse assim não existiria uma penca de mulheres bem resolvidas, independentes e lindas, porém sozinhas. Também não existiria um monte de homens de bom gosto, lindos, aqueles do tipo galã de novela, independentes e sozinhos. E foi pensando nisso que cheguei a conclusão de que você se enganou quanto a justificativa. Ou melhor de usar a distância como justificativa. E eu sei também que falar sobre isso não resolve nada e que você nem vai ler isso. Engraçado que foi exatamente a distância que nos uniu e depois nos separou. E no meio dessa tempestade ficaram tantas coisas soltas. Eu sei, eu sei. Já repeti milhões de vezes: basta de dramalhão! Mas, mas, mas... Uma hora eu paro de escrever, paro de pensar. Passa, isso passa. As pessoas adoram dizer isso. Bom, se passa eu não sei. Mas passou pra você, quem sabe não passa pra mim também. O que eu posso dizer é que eu sobrevivi e isso é tudo, é o limite. Mais do que isso ninguém pode me exigir, além disso nada. É assim que eu me sinto, sobrevivi apenas. E isso é tudo.

Amanda Liz
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Meu Deus! Esse ano de 2012 está se mostrando diferente de todos os anos passados. Nos últimos anos tenho incessantemente corrido contra o tempo e agora me vejo mais lenta, mais tranqüila e arrisco dizer, mais madura. E hoje, observando minha filha na entrada da escola, com seus colegas, tão crescida, tão viva, tão independente, me senti tão bem, tão de bem, e pensei comigo " do meu jeito torto eu fiz a coisa certa". Lembrei também da minha infância, eu era uma menina tímida, acuada, parecia um bichinho do mato, não tinha nem a metade da desenvoltura da minha menina. Engraçado, eu aqui fazendo essas comparações, até me deu uma pequenina saudade da minha infância, da inocência. Do tempo em que a gente acreditava que o mundo era perfeito e do tamanho de uma ervilha. E o melhor ainda é poder olhar pra trás e sentir saudades de um tempo que passou mas que continua eterno na alma da gente.

Amanda Liz
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