Alexandra

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Você trouxe uma parte minha de volta à vida. Uma parte que tinha sido silenciada enquanto morria lentamente. Mas, quando essa parte minha vive, eu morro. E agora eu preciso assisti-la morrer e me livrar do corpo sem que alguém perceba. Apenas você vai ver. Porque você está assistindo de camarote a esse espetáculo patrocinado por nós. A verdade é que eu não fui forte para me manter na minha jaula. E agora eu preciso me guiar novamente pra lá, enquanto uma força que me orbita me puxa pra fora. Você virou o objeto do meu maior desejo e a representação de tudo o que eu não posso ter. E você me amaldiçoou, pq agora eu sei como é seu olhar, seu toque e sei que nunca mais vou experimentar isso. Agora eu estou fadada a te ver e não te tocar. Por favor, não fique até o final do show. Ele vai ter um final lento, chato e doloroso. Desça do camarote, não fique até as luzes se apagarem. Eu vou finalizar isso e dar um jeito nessa bagunça. Eu sempre dou um jeito. Então, por favor, não se vire quando estiver partindo. Não olhe para mim. Pq, cada vez que você me olha, aquela parte de mim tenta resistir, mas ela não tem longa expectativa de vida. E, no final, só vou sobrar eu, sozinha, me agarrando às poucas lembranças que me fizeram viver por um breve momento.

Quando criança sentia o tempo na palma da mão, hoje ele escorrega e me assusta não ter mais reservas.

Se nossas escolhas, boas ou ruins, definem quem somos e nós definimos nossas escolhas, então minhas escolhas ruins também fazem parte de mim. Talvez a beleza esteja não em achar que os erros não nos definem, mas em ter a capacidade de olhar para eles de maneira prática e decidir como agir a partir dali. No fim, o que me define não é só o que eu fiz, mas o que escolho fazer depois

Não seja o guarda-chuva de quem escolheu caminhar para a tempestade. Às vezes, sentir a chuva é parte de aprender a olhar para o céu.

Minha companheira persistente é a inércia que nasce da velocidade constante que habita minha mente

Eu achei que
conhecia suas armas,
previa seus disparos,
tinha me blindado contra as balas.

Mas você achou
uma costura na armadura,
um pedaço que passou despercebido.

E foi por ali
que você conseguiu me derrubar.

Pela última vez.

Passei anos tentando fazer meu quadro caber em uma moldura que mudava diariamente de acordo com o seu humor. Quando algo passava da marge, eu cortava sem pensar duas vezes.