Alessandro Teodoro
Quem confunde Discurso de Ódio com Liberdade de Expressão — pode confundir qualquer coisa — inclusive Arrogância com Bravura, Confusos com Multifacetados e Chantagem com Negociação.
Bem-aventurados os que choram — de alegria ou de tristeza — porque serão consolados. Ai dos dissimulados!
Se não tivéssemos tropeçado na desgraça da espera pela instrumentalização das redes sociais e das igrejas, para nos interessarmos por política — talvez os influencers não a tivessem transformado nesse medonho reality show.
Ninguém consegue ser tão pequeno quanto aqueles que precisam diminuir os outros para se sentirem grandes.
Quase impossível saber quem mais precisa de ajuda: se os que clamam por chuva para chorar escondido ou os que só se emocionam diante das câmeras.
O Abismo da Polarização é tão medonho que os que nele se precipitam dificilmente voltam — aprendem a odiar o caminho de volta.
Talvez uma gargalhada num velório seja mais honesta que um choro numa pregação religiosa.
A emoção verdadeira não obedece a protocolos, nem respeita o “ambiente adequado”.
Às vezes, a lembrança engraçada do falecido invade a mente, e rir é inevitável — e profundamente humano.
Não é desrespeito, é sinceridade.
Por outro lado, há lágrimas que escorrem, não pelo peso da fé ou do arrependimento, mas pelo constrangimento social de parecer frio.
Chora-se porque os outros choram, porque a expectativa exige um rosto molhado.
A verdade é que autenticidade não se mede pelo cenário: pode haver mais vida em uma risada fora de hora do que em mil prantos ensaiados.
O coração não conhece etiquetas — e, quando tenta segui-las, quase sempre mente.
Num mundo onde quase tudo se polariza — Discurso de Ódio se confunde com Liberdade de Expressão, Arrogância com Bravura, Confusos com Multifacetados e a Cegueira com a Sensibilidade, é melhor ficar com Nostradamus…
Nostradamus sempre disse, e continua dizendo, e eu não quero dizer o que Nostradamus disse, para não dizerem que sou injusto.
Às vezes, para alcançar a Graça de aprendermos a nos perdoar — e nos libertarmos das Amarras Invisíveis — é preciso aprender a Perdoar os Outros.
Felizes os que começam o dia dispostos a aprender a perdoar os outros! Estes, até o fim do dia, são alcançados pela Graça de Aprenderem a se Perdoar.
Talvez um dia o morango perca sua essência, vendido como unidade de luxo, embrulhado em papel de bala — símbolo perfeito de um futuro onde a natureza se rende ao fetiche da embalagem.
Se continuarmos alimentando os excessos de marketing do “morango do amor”, muito em breve, teremos que nos contentar com o produto de luxo embrulhado em papel de bala.
“Talvez” um povo, em sua maioria especialista em quase tudo, só caiu nas Armadilhas da Polarização por puro capricho.
Ontem éramos, em maioria, meras plateias sob as lonas invisíveis do Circo de Horrores brasileiro, hoje, quase todos divididos — os riscos são outros, habitar o manicômio que a polarização insiste em construir para o amanhã.
Hoje, temo menos o fim da vida do que o teatro da despedida — velórios encenados, a turma da moral encenada e as gargalhadas condenadas.
Vindo dos mesmos que trouxeram a sabedoria fast food: “a economia a gente vê depois” — só nos resta retribuir-lhes com o que eles fazem com a nação: fingir preocupação.
Dia dos Pais!
Perguntas?
Muito mais que respostas!?!
E definitivamente, não dá para fugir das responsabilidades cobradas pela paternidade.
Embora, infeliz e descaradamente, muitos o fazem!
Sem modéstia e sem medo, me atrevo a dizer que a criança que eu era — e que, graças a Deus, ainda vive em mim — gostaria de ter o pai que sempre tentei ser.
Mas tem uma pergunta que deve ser para os que oportunizam a Graça da paternidade — os Filhos.
O Pai de vocês tem ajudado ou dificultado às pessoas que vocês estão se tornando?
Quando conseguimos mudar em nós, o que queríamos mudar no outro — percebemos que fizemos a única mudança que nos cabia.
Muito em breve, a língua portuguesa nos perdoará o descuido com a escrita, só para nos poupar de sermos confundidos com os Chatbots.
A perda da capacidade de questionar algo — especialmente Lideranças Religiosas — pode nos precipitar nos infortúnios da linha tênue entre a Fé Genuína e a Fanatização.
Talvez o destino mais distante que a Oração Sem Ação alcance seja os ouvidos dos tolos que a fazem.
Talvez a gentileza que tanto incomoda — quando vem dos homens — seja o pé na bunda da nojenta grosseria “masculina” que se vê por aí.
No mundinho onde tudo se polariza, só há pódio para duas imprensas: as que confirmam nossos vieses e as que assumem a parcialidade.
O diabo é um gênio: sequestrou mentes a pretexto das liberdades, agora finge libertá-las para se safar do cativeiro.
