Alessandro Teodoro
Confundir Amor sem Medida com Amor em Excesso foi uma das desgraças mais confusas — e medonhas — que o ser humano já experimentou.
Enquanto muitos acreditam que a polarização nasce das ideias — desconfio que ela tenha nascido da preguiça de pensar por conta própria.
Às vezes, o conforto de repetir opiniões é mais sedutor do que o esforço de construir uma. Pensar cansa — seguir alguém, não.
Talvez não haja forma mais nojenta — e covarde — de se lançar numa guerra do que se calar a pretexto de pacificação.
Com tanta má-fé se valendo do nome de Deus — invocá-Lo publicamente, em breve, causará mais Dúvida que Devoção.
Às vezes, o uso apaixonado — e mal-intencionado — do nome de Deus só passa despercebido por outro igualmente apaixonado.
Tão covardes quanto os bandidos infiltrados na polícia — são os que apoiam e romantizam suas covardias.
Quem não se curva aos Caprichos dos Apaixonados — não precisa Mendigar Respeito de quem confunde Arrogância com Bravura, Autoritarismo com Autoridade e Bajulação com Admiração.
Em tempos de polarização, no Brasil e no mundo, tudo se divide — até o pensar.
De um lado, quem pensa. Do outro, quem acha que o faz.
A normalização da mulher — poder continuar Viva depois da separação — me demanda tanto tempo e atenção, que me impede de ajudar a romantizá-la.
Normalmente, gente muito portentosa e bem resolvida acaba esbanjando tanta felicidade, beleza e simpatia, que os invejosos e infelizes acabam se sentindo incomodados.
Não há um livre sequer, pois ninguém é tão livre ao ponto de não querer estar preso àquele que o libertou.
Se Política fosse Futebol, a Polarização ainda seria o Clássico do Ódio — ninguém joga, todos se lascam.
Onde a arrogância se veste de bravura e o autoritarismo posa de liderança — a chantagem encontra terras férteis para se disfarçar de negociação.
Se não tivéssemos esperado a instrumentalização das redes sociais e da igreja para nos interessarmos por política — talvez não tivéssemos tropeçado tão feio no golpe medonho da polarização.
