afonso claudio de meireles
A vida e o trem, algo em comum tem. A todo momento ao embarque e desembarque humanos vêm. Não pedimos para embarcar, muito menos sabemos para onde ir, mas certamente chegaremos ao lar. A qualquer lugar no porvir.
As vezes melhor é o silêncio que dar asas as palavras e estas se lançarem em voos distantes e comprometedores.
Em tudo na vida você pode cansar e dar fim, menos dar fim a vida. Porque a vida deve ser vivida naturalmente até o fim. Pode ser difícil para você, como é difícil para mim, mas vamos vencendo a cada dia, mesmo não sendo tão simples assim.
Existo e estou vivendo.
Insisto e sigo envelhecendo.
Resisto mas vou morrendo.
A vida e a morte digladiando, alguns nem vê a luz do sol, outros nem aprendem a falar, e outros chegam a andar e viver um pouco mais, e tantos outros chegam a envelhecer. Mas, cedo ou tarde, sabemos o suceder.
E assim ansiamos, em algum lugar da eternidade, ver vencida a morte e toda a maldade.
A mais nociva falsificação ocorre numa amizade, portar um falso sentimento, muito aquém da real sinceridade.
Sempre haverá um bom porquê, para você lutar e vencer. Mesmo cansado ou desiludido, oportunidades Deus tem nos concedido.
A luz, quanto mais forte, aos que estão em trevas, ofusca-lhes a visão. Se tu brilhas, incomoda os que andam na escuridão.
O que é o amor? Para muitos é o dinheiro, para tantos outros o prazer, porém o amor é dar sem se preocupar em receber, é viver a vida com outras vidas que nos dá motivos para continuar lutando, mesmo quando tudo parece acabando, mesmo não vislumbrando um dia feliz após o amanhecer. Amar é preciosidade, qual tesouro cada vez mais raro de se ver. Amor é sublimidade, vem da pureza da alma, contagiando a vida, energizando o ser, que encontra forças para seguir lutando porque amar é a razão pelo qual importamos viver.
De quando em vez, humanos manifestam lapsos de lucidez, ainda que moral e ética estejam em escassez.
Eu amei, amo e amarei.
Eu vivi, vivo e viverei
Eu nasci, envelheci e morrerei.
E assim vou vivendo a vida.
Registrada foi minha chegada, também será minha partida.
Amigos cativei, inimigos talvez, mas vivi intensamente cada instante de minha existência.
Nem tudo foi rosas, muito chorei, mas incontáveis foram os dias em que me alegrei. Hoje, muitas saudades trago em meu ser, mas agora é tarde para se arrepender, pouco tempo me resta, sei lá. Quem pode ter ciência de quanto tempo subsistirá neste plano material? E segue-se a vida assim, porque tudo tem um princípio, meio e fim.
Ter, ser, sonhar e realizar. Eis alguns verbos que acompanham a maioria esmagadora dos seres racionais.
Enquanto uns se perdem nos erros banais, outros se balizam nos trâmites legais.
Qualquer dia vamos partir, mas um pouquinho de nós ficará nos corações de muitos que em verdade nos amaram.
Não há problema em gostar de dinheiro, salvo quando, o coloca acima da família, dos amigos e da própria vida. Precisamos do dinheiro, usemos o dinheiro, mas não deixemos ser dominados pelo amor ao dinheiro.
Vou indo, mesmo sem querendo, viajando ao desconhecido, a cada instante me surpreendendo, até onde possa ter vivido.
Nos arranques bate ao peito, em constante contrações, vibra os corpos, supre as almas, batidas de bilhares corações.
Muitas vezes na vida, ao pedirmos ajuda, passamos vergonha, porque rogamos a pessoas erradas, que não se importam com a dor e o sofrimento alheio. São pessoas que se acham autossuficientes, os quais ignoram a necessidade e dependência ao qual todo ser humano possui.
Ninguém é tão forte que não tenha fraquezas, também não é tão sábio que não comporte ignorância, e por fim, ninguém é tão bom que não manifeste maldades. Nós humanos somos imprevisíveis.
Ser feliz em meio ao caos, ignorar os aflitos pelo mal. Quem pode suportar a tantas desgraças e se declarar, feliz sem com o próximo importar?
Espero ter cumprido muitas das minhas missões, as quais a mais importante, ter marcado a muitos corações.
