Vitor Filgueira

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Na noite tensa de um passo incerto,
ergue-se o medo, denso e desperto.
No peito, o pulso corre ligeiro,
entre o instinto e o mundo inteiro.
Não busca a guerra quem quer viver,
nem deseja ferir, nem quer sofrer.
Mas há momentos — duros, fatais —
em que a paz se desfaz nos vendavais.
É quando a vida, em risco iminente,
clama por força, firme e urgente.
E a mão que treme, sem desejar,
torna-se escudo para se guardar.
Não é vingança, nem ódio cego,
é o direito de não ser entregue
à sombra fria da injusta mão
que ameaça o corpo e o coração.
Legítima defesa — nome austero,
carrega o peso de um ato sincero:
proteger o sopro que insiste em ficar,
quando tudo parece desabar.
E após o eco do gesto tomado,
fica o silêncio, denso, marcado.
Pois mesmo justo, o ato em si
deixa cicatrizes dentro de quem o ouviu e o fez ali.