Atravessar
No mínimo, Ela se deixaria atravessar por cada paisagem. Como quem não passa, mas fica.
Tentaria fotografar. Não só com os olhos, mas com aquilo que n’Ela sabe sentir cada instante que, em milésimos de segundo, lhe rouba o ar ou abre seus olhos em espanto manso… daqueles que Ela nem quer entender, só permanecer.
Esse momento é rápido, é muito breve. Talvez dure um “click”. Mas, quando acontece, já não é mais do mundo — é d’Ela. E fica.
Fica nos cheiros que não se explicam, nas cores que não se repetem, nos sons que atravessam sem pedir licença, na música, no barulho, no sol, no vento, no corpo…
E foi exatamente esse pequeno pedaço de eternidade que escolheu morar dentro d’Ela.
De repente, Ela olharia para o lado… (quero dizer, para frente… é mais provável, rs) e veria Ele.
E, então, tudo faria ainda mais sentido. Ficaria ainda mais bonito… não, bonito não. SU BLI ME.
ELE. A pessoa que tornou tudo isso possível, com uma dedicação silenciosa e uma entrega que não se mede, só se percebe, se nota.
E Ela… talvez não dissesse nada. Só agradeceria.
Pensando bem, Ele seria a paisagem da qual Ela não conseguiria (nem por vontade própria, caso existisse) desviar o olhar.
E, sim… acho que Ela estaria aproveitando. Na verdade… vivendo.
... coisas sobre Ela e Ele
As Pontes Invisíveis
Vivemos em uma era estranha. Nunca foi tão fácil atravessar continentes com uma mensagem e, ao mesmo tempo, nunca pareceu tão difícil encontrar pertencimento. Cercadas por conexões instantâneas, muitas pessoas seguem isoladas. Cercadas por discursos sobre liberdade, muitas continuam aprendendo a esconder quem são.
Talvez uma das grandes tarefas do nosso tempo seja reconstruir aquilo que as fronteiras, os preconceitos e os interesses dividiram. Não através de novas muralhas, mas por meio de pontes. Não por meio da uniformidade, mas pelo reconhecimento da pluralidade humana.
Há uma força silenciosa que atravessa povos, idiomas e culturas. Ela aparece quando alguém estende a mão sem exigir semelhança. Quando uma pessoa protege outra sem esperar recompensa. Quando o respeito supera a necessidade de controle. Quando a solidariedade se torna mais importante do que a identidade.
As grandes transformações raramente começam nos palácios ou nos parlamentos. Elas nascem em pequenos gestos, em encontros improváveis, em redes invisíveis de confiança que se espalham lentamente até formarem algo maior do que a soma de suas partes.
O século XXI exige novas formas de comunidade. Formas que não dependam da geografia. Formas que não imponham uma única visão de mundo. Formas capazes de reunir pessoas diferentes em torno de princípios simples: dignidade, proteção mútua, autonomia, respeito e cooperação.
Uma comunidade verdadeira não é aquela que exige obediência. É aquela que inspira responsabilidade. Não é aquela que determina como todos devem pensar. É aquela que permite que cada pessoa pense por si mesma sem medo de ser abandonada.
Em tempos de intolerância, proteger torna-se um ato de coragem. Em tempos de vigilância, confiar torna-se um ato de resistência. Em tempos de fragmentação, construir laços torna-se um ato revolucionário.
Nesse horizonte, a obra de William Contraponto ecoa como um lembrete de que toda estrutura humana precisa permanecer aberta ao questionamento, sob risco de se transformar naquilo que diz combater.
Talvez o futuro pertença menos às instituições rígidas e mais às redes humanas capazes de atravessar fronteiras sem carregar consigo a pretensão de dominar. Redes discretas, porém presentes. Diversas, porém unidas por valores comuns. Invisíveis para quem procura poder, mas essenciais para quem procura pertencimento.
Porque toda época produz seus muros.
Mas são as pontes que sobrevivem.
Cada pessoa tem o próprio “deserto” para atravessar; a forma como cada um o atravessa, só Deus pode ensinar.
Palavras são como pedras no rio: algumas fazem-nos tropeçar, outras nos ajudam a atravessar, mas todas moldam o curso das nossas águas interiores.
Às vezes só é possível atravessar o deserto dos nossos martírios ao aposentar os pés como mola de travessia, e usar os joelhos como tabernáculo e oratório da morada do Eterno.
O tempo parece construir muros que a voz não consegue atravessar. Olhando para trás, para o caminho que percorremos desde o início, percebo que deixamos o orgulho e as mágoas do dia a dia criarem uma distância que nunca deveria ter existido.
Se eu pudesse, percorreria cada passo desse caminho novamente, apenas para mudar os momentos em que falhei com você. Eu sei que feri seu orgulho, e dói reconhecer o quanto você sofreu por isso. Mas o amor — apenas o amor — tem o poder de derrubar essas barreiras.
Peço que tente, só mais uma vez, confiar no que sentimos. Não quero que o nosso amor seja desperdiçado por erros que o tempo e a maturidade podem curar. Eu estou aqui e continuarei aqui, disposto a lutar para reconquistar o espaço que um dia foi meu no seu coração.
Dê-me essa chance de recomeçar, de transformar o que foi fim em um novo começo. Porque a verdade, nua e crua, é que eu ainda te amo. Preciso do seu amor tanto quanto preciso de tempo para te provar que posso ser quem você merece.
"A ponte mais difícil de atravessar é aquela que liga quem você foi ao que você precisa se tornar."
EduardoSantiago
9 de junho de 2024... 21:02
Semana passada sonhei que estava tentando atravessar uma ponte, mas precisava repor uns troncos de árvores para passar por cima.
Quando peguei os 2 troncos para colocar em cima da ponte para que eu passasse, eles viraram pó e se desfizeram em minhas mãos.
A aparência de um deles, era como se fosse o rei Charles da Inglaterra deitado.
Novas teias na facção do desenvolvimento do universo nos fazem atravessar nossas próprias limitações.
Entre atos fortuitos, testemunhamos atrocidades, mas também enxergamos a complexidade das palavras simples no retrato do dia a dia. E, assim, florescemos nossos pensamentos ao nascer do sol.
A música toca tão profundamente que passamos a conhecer cada parte do universo a bordo de um barco chamado esperança... Navegamos por sonhos e descobrimos o maior sentido da aventura, pois nossos corações, embora distantes, estão ligados na imensidão do cosmos.
Abrimos brechas que revelam microcosmos, tudo para compreender os mistérios do próprio ser humano. Afinal, só existimos porque as moléculas estão em movimento; átomos e seus núcleos vivem em constante vibração.
O pensamento transcende os anéis de Saturno, onde pedras e poeira giram em um desenho impressionante. Ali, o espaço pode abrigar vida — não da forma como a imaginamos, mas em resquícios de bactérias, minerais raros, água congelada e elementos que mal podemos conceber.
Claro, meus pensamentos voam pelo universo e ressoam entre eras passadas.
— Celso Roberto Nadilo
Às vezes eu só queria que a distância
fosse apenas uma palavra qualquer.
Queria atravessar o tempo e o espaço
só para ficar um instante com você.
Inclusão de fachada
Se o chão não sustenta quem tenta atravessar,
de que serve uma porta escancarada?
Abre-se.
Mas não se cede.
Porque, no limite,
incluir sem redistribuir
é apenas permitir a entrada
sem abdicar do domínio.
Encantar-se por Deus é deixar a alma encontrar o seu primeiro amor; seguí-Lo é atravessar os desertos da existência guiado pela esperança; encontrá-Lo é descobrir que, desde o princípio, era Ele quem nos procurava.
Quanto mais nos julgamos incapazes, mais representados nos sentimos pelos que ousam atravessar os abismos que tememos.
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