Ate o Mel mais Puro em um Recipiente

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Não é que o gênio se adiante um século ao seu tempo, é a Humanidade que se encontra cem anos atrás dele.

Não se deve abandonar um sentimento por ele parecer pequeno e frágil, mas dispensar-lhe melhores cuidados e preservando-o para que ele possa crescer e, um dia, tornar-se um amor belo e forte.

Ficou um vazio que ninguém (pre)enche. e penso e repenso e trepenso em você aí. (…) Está tudo bem assim. Só que me rouba o sentido - entende? - ou a ilusão de sentido que quero ter de vida, e que é essencial para a minha sobrevivência. (…) Me sinto o camelo do poema de Cecília Meireles, mastigando sua imensa solidão.

A inspiração é como um misterioso cheiro de âmbar.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

‎Fantástico: o mundo por um instante é exatamente o que o meu coração pede.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

Eu queria escrever um livro. Mas onde estão as palavras? esgotaram-se os significados. Como surdos e mudos comunicamo-nos com as mãos. Eu queria que me dessem licença para eu escrever ao som harpejado e agreste a sucata da palavra. E prescindir de ser discursivo. Assim: poluição.
Escrevo ou não escrevo?

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Porque se um julga a verdade por mentira, não é por isso ofendida a verdade, senão o que a não conheceu.

Ponho os meus olhos em você, se você está. Dona dos meus olhos é você, avião no ar. Um dia pra esses olhos sem te ver, é como o chão do mar.

Nando Reis

Nota: Trecho da letra da música "Luz dos Olhos"

Eu estava sonhando.
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar".

Cada mulher é um universo a ser descoberto.

Você pode ser tão fiel a um lugar ou a uma coisa como a uma pessoa. Um lugar pode realmente fazer seu coração dar um salto.

Nem é você que eu espero, já te falei. Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho.

Destruição

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem:
Um se beija no outro, reflectido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

Carlos Drummond de Andrade
in 'Lição de Coisas'

Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?

Fernando Pessoa
PESSOA, F. Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Lisboa: Ática, 1966.

"Às vezes o cavaleiro da armadura brilhante, era apenas um imbecil enrolado em papel alumínio. Desapega!

Coloque um espelho no meio do meu caminho entre a lavanderia, o supermercado o sapateiro, o colégio e a locadora. E que ao me olhar eu goste do que eu veja. Não deixe que eu passe uma semana sem usar um batom bem vermelho, ou uma bota bem alta ou um jeans bem justo. Proteja meus cabelos do vento e os brincos dos olhares invejosos. Que nunca falte na minha vida comédias românticas e boas depiladoras. Deixe que eu feche os registros e as janelas. Mas por favor, abra algumas portas. Se eu estiver com vontade de chorar, faça com que eu chore um dilúvio. E que tenha saído de casa sem pintar o olho. Para cada dia de TPM, me dê uma vitrine com sapatos lindos. Já que eu nunca pedi milagres, faça com que minhas celulites sejam ao menos discretinhas, me dê saúde, tempo livre, silêncio. E um dermatologista de confiança. Também vizinhos tolerantes que não perguntem porque eu corro na esteira depois da meia-noite. Dê forças para eu insistir que meu filho coma salada, diga obrigada, limpe a boca no guardanapo, faça as pazes e puxe a descarga. Cegue meus olhos para as sujeiras nos cantos e para os brinquedos no meio da sala, não deixe que minha testa fique franzida como uma saia plissada. Ajude para que eu chegue do trabalho e ainda consiga brincar, fazer cosquinha, pintar dentro da linha preta. E se eu não tiver a menor condição de me manter em pé, faça com que as crianças voltem dormindo da escola. Dê firmeza para os meus seios e os meus argumentos. Entenda se eu pintar as unhas e roer tudo depois. Faça com que o sol seja meu personal trainer, meu complexo de vitaminas, meu carregador de bateria mas quando eu pedir um diazinho de chuva não pergunte por quê. Afaste os homens que não elogiam e os que buzinam antes de abrir o sinal. Proteja minhas poucas horas de sono e não me julgue mal caso eu não acorde de madrugada para cobrir meu filho. Que o trabalho não seja bom somente no dia de pagamento. Para cada batata quente, me dê um café recém passado. Ilumine o espelho do banheiro e proteja minhas pinças, meus cremes e segredos. Entenda quando eu oro para cancelarem uma reunião não é gastar oração à toa, pode ter certeza. Faça com que eu siga a dieta e a intuição. Ajude a não faltar gasolina, não furar pneu, não arranhar calota. E afaste os motoqueiros do meu retrovisor. No meio de tudo isso faça com que eu ache tempo para virar namorada de novo, ir ao cinema, jantar fora, beijar na boca, dormir abraçadinha. Por mais complicado que seja o meu dia faça com que ele termine, e não eu...

Em relação à Fotografia, eu era tomado de um desejo "ontológico": eu queria saber a qualquer preço o que ela era "em si", por que traço essencial ela se distinguia da comunidade das imagens.

Trancar o dedo numa porta dói, torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pôr um piercing dói.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de alguém que morreu, do amigo confidente.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Saudade de parentes que moram longe.

Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade de alguém que está longe fisicamente, de alguem que não vê há muito tempo ou até mesmo que se vê raramente.
Saudade da pele, do cheiro, dos abraços, do jeito, do jeito de tocar a mão, da presença, e até da ausência consentida.
Saudade que ninguém sabe como deter, saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua pensando em você;
Não saber se ela tem comido bem, se continua saudável;
Se ela continua ouvindo aquela música, e amando aquele cantor;
Se ela continua preferindo tal coisa; se continua com o mesmo corte de cabelo;
Se ela ainda tem a nossa foto impressa; se sente saudade;
Se ela continua usando o mesmo perfume; se ela continua odiando praia;

Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos com a falta dela;
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música que lembra ela;
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber onde ela está, e ao mesmo tempo perguntar às suas amigas por isso..
É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer isso;
É não poder estar com ela quando só se quer fazer isso.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo
E o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.

Martha Medeiros

Nota: Trecho da crônica "A dor que dói mais" de Martha Medeiros. Link

A vida, mormente nos velhos, é um ofício cansativo.

Machado de Assis
Memorial de Aires (1908).

Depois de um certo tempo cada um é responsável pela cara que tem.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.