Ate o Mel mais Puro em um Recipiente

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UM POEMA DE OUTONO

Ao ver suas folhas secas
no chão,
sem vida,
e sem cor,
perpassadas
e esvoaçadas ao vento,
filhas das suas raízes,
dos troncos, e dos seus ramos,
a árvore desnudada
chorou de dor.
E deixou sucumbir
toda a ilusão
ao ver as folhas
que do seus ramos se agitavam buliçosos,
e viçosos
e que o vento
sem piedade
lhas arrancou
e lhas atirou ao chão!
Mas, não chores
ó lacrimosa
abre- te ao brando pulsar.
e despertai desses gemidos.
que tudo passa fugazmente
e o inverno não dura sempre(…)
Deixa a nova quadra chegar,
e a nova estação florir
para de verde novamente
voltar a vestir – se em ti

O vento só me atiça
ao valor do tempo.
É um beijo da vida
me fazendo acordar.
Colho as flores,
que da tempestade nasceu,
depois de uma longa estiagem.
Me enfeito do que é meu.
Desvio as pedras...
Há de ficar linda
essa vida que Deus me deu.

Não te revoltes com as pessoas que um dia te fizeram mal, mostre-lhes sempre a felicidade no rosto para que não percebam se o veneno delas funciona ou não.

Passe cada momento com os amigos como se fosse único, um dia eles podem sumir, mas as lembranças continuarão vivas.

Um homem é o produto de seus pensamentos. O que ele pensa, ele se torna.

Desde da Antiguidade, Dançar é um ato sagrado... É uma forma de se conectar com a essência, meditação em movimento.
A Dança é responsável por trocar a frequência energética de seus praticantes e também de quem assiste.
No antigo Egito, por exemplo, reza a lenda, que nenhum ritual era realizado sem a presença de uma sacerdotisa que dançava antes nos Templos Sagrados.
Dançar é um presente para quem dança, mas, dançar também é um presente aos olhos de quem vê.
Se você não percebe o tão mágico que é bailar, então, você não entendeu que existe Magia na Dança.

A cura profunda se tornará possível através de um processo de restauração emocional, no qual poderemos receber amor e também ofertá-lo, assim superando toda revolta nascida do fato de não nos sentirmos queridos e especiais...

Não tinha um instante de sossego, mal conseguia comer e perdi tanto peso que as calças não paravam na cintura. As dores erráticas estacionaram nos meus ossos, mudava de ânimo sem razão, passava as noites num estado de deslumbramento que não me permitia ler nem escutar música, e em compensação passava o dia dando cabeçadas por causa da sonolência sonsa que não me servia para dormir.

Gabriel García Márquez
Memórias de Minhas Putas Tristes

Brisa no rosto, som do mar, folhas ao vento, um lindo entardecer... tudo isso deixa a minha alma feliz. Eu não espero grandes coisas, apenas sou feliz com aquilo que posso tocar e com aquilo que me toca.

“Chatear” e “encher”

Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer na cidade.
— Alô, quer me chamar por favor o Valdemar?
— Aqui não tem nenhum Valdemar.
Daí a alguns minutos você liga de novo.
— O Valdemar, por obséquio.
— Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
— Mas não é do número tal?
— É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.
Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:
— Por favor, o Valdemar já chegou?
— Vê se te manca palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?
— Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.
— Não chateia.
Daí a dez minutos, ligue de novo.
— Escute uma coisa: o Valdemar não deixou pelo menos um recado?
O outro dessa vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.
Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:
— Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar! Alguém telefonou para mim?

Paulo Mendes Campos, in Para gostar de ler - Crônicas

Sabedoria de Preto Velho

Meus filhos julgam, às vezes, que perderam um ente querido pela morte. Mas essa visão é errada. Solte o seu parente que você julga morto. Aprenda a libertar a sua alma e deixar que ele voe nas alturas de sua própria vida. Muitos dos filhos acham que reter significa possuir. Engano. Na vida, o que possuímos de verdade é aquilo que doamos. Se você desejar reter as almas queridas, através de suas emoções e sentimentos desequilibrados, você se transforma aos poucos em pedra de tropeço para aqueles que diz amar. Amor não é posse. Amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e trilhar o caminho que lhe é próprio. Amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes do nosso. Então, meu filho, você não perdeu ninguém, não perdeu nada. Perdeu, talvez, a oportunidade de aproveitar a experiência e aprender a amar de verdade. Esse sentimento de perda é o maior atestado de uma alma egoísta. Ame mais, meu filho. Liberte, liberte-se e procure ser feliz. Mas, pelo amor de Deus, deixe os outros prosseguirem e, assim, encontrarem também o seu caminho. Ainda que seja do outro lado da vida.

Pai João de Aruanda
Sabedoria de Preto Velho

Como acontece a alguém que fita o sol dourado, e vê depois em tudo um círculo encarnado, tal eu, quando não estás e o meu sol é posto, vejo, em tudo que vejo, o brilho do teu rosto.

Edmond Rostand
Cyrano de Bergerac. São Paulo: Scipione, 2019.

SEGURANDO UM AO OUTRO

A dedicada enfermeira, sobrecarregada com tantos pacientes a atender, viu um jovem entrar no quarto e, inclinando-se sobre o paciente idoso em estado grave, disse-lhe em voz alta:
seu filho está aqui.
Com grande esforço, o velho moribundo abriu os olhos e, a seguir, fechou-os outra vez.
O jovem apertou a mão envelhecida do enfermo e sentou-se ao lado da cama.
Por toda a noite, ficou sentado ali,
segurando a mão e sussurrando palavras
de conforto ao velho homem.
Ao amanhecer, o manto escuro da morte caiu sobre o corpo cansado do enfermo.
Ele partiu com uma expressão de paz no rosto sulcado pelo tempo.
Em instantes, a equipe de funcionários do hospital encheu o quarto para desligar as máquinas e remover as agulhas.
A enfermeira aproximou-se do jovem
e começou a lhe dizer palavras de conforto,
mas ele a interrompeu com uma pergunta:
quem era esse homem?
Assustada, a enfermeira respondeu:
eu achei que fosse seu pai!
Não. Não era meu pai, falou o jovem.
Eu nunca o havia visto antes.
Então, porque você não falou nada quando o anunciei para ele?
Eu percebi que ele precisava do filho
e o filho não estava aqui.
E como ele estava por demais doente para reconhecer que eu não era seu filho, resolvi segurar a sua mão para que se sentisse amparado.
Senti que ele precisava de mim.
* * *
Nesses dias em que as pessoas caminham apressadas, sempre com muitos problemas esperando solução, não têm tempo sequer para ouvir o desabafo de um coração aflito, um jovem teve olhos de ver e ouvidos de ouvir o apelo mudo de um pai no leito de dor.
É tão triste viver na solidão...
É tão triste não ter com quem contar
num leito de morte...
Se você tem um familiar enfermo, aproxime-se dele e segure firme a sua mão.
Ofereça-se para lhe fazer companhia,
ainda que por alguns minutos.
Fique em silêncio ao seu lado para ouvir o que os ouvidos do corpo não conseguem captar.
Seja uma presença amiga, sincera, que proporcione segurança.
E se você não tem um familiar enfermo, agradeça a Deus por isso e faça uma visita a alguém que precisa de apoio.
Há tantos enfermos solitários precisando de um gesto qualquer de afeto para sentir que viver ainda vale a pena.
Pense nisso e procure ser a companhia de alguém que precisa de você neste exato momento.
* * *
Madre Teresa de Calcutá costumava dizer que ninguém tem que morrer sozinho.
Do mesmo modo, ninguém deve se afligir sozinho ou chorar sozinho; rir sozinho ou celebrar sozinho.
Nós fomos feitos para viajar de mãos dadas através da jornada da vida.
Há alguém pronto para segurar a sua mão hoje.
E há alguém esperando que você segure a dele.

Não se abale pelo fato de um dia ter demonstrado seus sentimentos para quem não soube valorizá-los, essa pessoa um dia vai ver o que perdeu;

O dojo é um local de superação, vinculo familiar e propagação da sabedoria Ninja.

As palavras têm um grande poder ou para o bem ou para o mal.
Há então que se cuidar com o que se diz ao outro...
Se não for para construir, melhor optar pelo silêncio.

Houve uma época em que eu pensava que as pessoas deviam ter um gatilho na garganta: quando pronunciasse — eu te amo —, mentindo, o gatilho disparava e elas explodiam.

Ferreira Gullar

Nota: (trecho extraído do livro "A estranha vida banal", editora José Olympio – 1989 projeto releituras)

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Não te abras com teu amigo Que ele tem um outro amigo tem e o amigo doteu amigo possui amigos também...

Ajudar o próximo é transpor um muro intransponível. Quando conseguimos, vemos a beleza que existe do outro lado.

Muita gente parece não perceber que a primeira coisa que desaparece quando estão transformando um país num estado totalitário é a comédia.