Ate o Mel mais Puro em um Recipiente

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Eu abriria mão de todas as homenagens que poderia receber depois da morte por um "eu te amo" realmente sincero em vida. As pessoas esperam demais pelas coisas que não são, até que realmente deixam de ser.

Inserida por MatheusHoracio

Saber viver é abrir mão do que um dia te fez feliz porque essa coisa hoje lhe faz mal. A vida é um frequente desapego. Pessoas entram e saem, mas a sanidade permanece.

Inserida por MatheusHoracio

Existe um espinho ali, em algum lugar. Ele tá lá, inerte, intocável. Não há pinça que o tire, nem alicate. A tempos que muitos se fingem de vivos.

Inserida por MatheusHoracio

Quando se é criança, encaramos a imortalidade como um incrível super poder. Uma loucura! 50 ou 60 anos de vil insanidade, sofrimento e dúvidas já são difíceis de se levar. O homem nasceu pra ser feliz em certo período da vida, triste em outro, e inevitavelmente perecer como todas as coisas.

Inserida por MatheusHoracio

Minha única promessa é que quando me procurar, verá sempre um sorriso no meu rosto. O mundo pode estar desabando, e eu, desacreditado. Nem que eu morra de rir do seu lado, mesmo que não seja tão verdadeiro quanto pareça, ou desabe quando passar pela porta de casa. Me recuso a carregar a tristeza no semblante, porque em algum lugar, posso ser inspiração para alguém. Um espelho trincado na parte de trás ainda pode refletir algo de bom. Te ofereço um sorriso, o que tenho, na esperança de que faça mais diferença para você do que faz para mim.

Inserida por MatheusHoracio

Um beijo é o maior inimigo das palavras. Ele não somente as corta ao meio, mas também tira o significado de todas elas.

Inserida por MatheusHoracio

As vezes cumprimos certos "sacrifícios" dignos de um super herói. Infelizmente jamais entrarão no conhecimento de todos. O único expectador dos meus feitos, sou eu.

Inserida por MatheusHoracio

A mortalidade é um fardo, e um alívio.

Inserida por MatheusHoracio

Minha felicidade passa, como um flash de câmera antiga.

Inserida por MatheusHoracio

E tudo era como as páginas de um livro escrito a lápis. Um livro imóvel, parado, recebendo chuva de poeira. Suas letras se apagando aos poucos, lentamente, até que ele não tenha significado nenhum, nem mesmo saibam que aquilo um dia foi um livro.

Inserida por MatheusHoracio

É um erro pensar que só porque algo nos agrada, esse algo não desagrada o senso comum. Nossa mente está habituada a tomar coisas que consideramos boas como uma verdade, simplesmente para satisfazer nossa carne e pensamentos.

Inserida por MatheusHoracio

Eu evito a discussão,
O debate
E a briga.

Não troco uma frase
Com quem acredita
Ter um rei na barriga.

Inserida por MatheusHoracio

É um estado humano muito infeliz, esse de valorizar um pôr-do-sol quando não se tem, ou lamentar pelos abraços e beijos quando não estão mais disponíveis. Um castigo forçado mostra como são as coisas comuns e pequenas que dão forma e sentido a todas as existências.

Inserida por MatheusHoracio

O que é um prédio em chamas comparado a 400 anos de gerações chicoteadas, queimadas, marcadas, e que quando conseguiram sua liberdade, foram caçados e até mortos de forma que os que estão acima sequer demonstrassem incômodo?
Um país em chamas não pagaria esse prejuízo.
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Inserida por MatheusHoracio

⁠O amor é um deus. Não sinta nenhum tremor religioso com a frase, mas é a verdade. Ele só existe à partir de uma crença inquebrável, uma fé inabalável, e à partir dele se constroem coisas e se destroem também. Ele tem sua contra parte (ódio) como todo deus que se preze. Sua ausência mostra o que há de pior nas pessoas. O amor é uma divindade própria, com suas próprias leis, que nos elevam, e ao não ser presente, revela nossas maiores mazelas.

Inserida por MatheusHoracio

⁠A morte só é um terrível final, quando se viveu uma vida medíocre. Quando vivemos bem, é como se Deus pudesse dizer: "Ótimo espetáculo foi sua vida, mas as cortinas precisam fechar."
Ficamos com os aplausos.

Inserida por MatheusHoracio

⁠Tenho sido constantemente tragado.
Me sinto um trago,
Um cigarro, desses fortes
Que contaminam o ar na fumaça
Que poluem por milênios com bitucas.
Um trago de bebida amarga
De raízes, de carvalho defumado
Um rum envelhecido e forte
Um whisky puro em dia muito quente.
Um trago de vida, e no vento
Observo atentamente as areias que escorrem.
Os grãos caem talvez mais rápidos
Sim, mais do que de costume.
Entre meus dedos,
Intragável, indiferente, irreversível.

Me sinto o fumo tragado
Um trago de bebida.
Quem me traga não é gente
Não o vejo, porém posso senti-lo
Nos ossos, na pele, no reflexo, no desespero.

Tragado pelo tempo.

Inserida por MatheusHoracio

⁠Essa manhã eu faltei no café.
Como quem falta a escola, trabalho ou um compromisso do dia.
Falta é o que mais tenho feito, aos outros um pouco menos que a mim mesmo.
As vezes me sinto fino, apagado, desaparecendo aos poucos como a fumaça de um cigarro.
Queria dizer como estou bem, como o sol na janela constantemente me alegra, como as coisas dolorosas não me afetam.
Mas sigo infelizmente muito fiel a verdade, que não me permite compactuar com tantos absurdos.
Escrevo porque quero muito, na quantidade. Escrevo porque quero tanto, na necessidade.
Para que minha existência nunca falte.

Inserida por MatheusHoracio

⁠Estou plenamente convencido de que a vida é um jogo de azar. Você pode ganhar 100 mil apostando tudo, ou perder até sua casa. Tudo numa mesma noite.

Inserida por MatheusHoracio

"Samba de um Coração Silencioso"

Naquela manhã de fevereiro, o Rio acordou coberto de purpurina. O vento carregava restos de serpentinas e risos embriagados, enquanto Clara caminhava pela orla de Ipanema, os pés ainda marcados pelo salto que abandonara na noite anterior. Tinha vindo à cidade para escrever sobre o Carnaval, mas o Carnaval escrevera nela uma história que não saberia terminar.

Foi no Arpoador, enquanto o sol nascia tingindo o mar de mel, que ela o viu pela primeira vez. Rafael estava sentado na pedra, dedilhando um cavaquinho como quem conversa com o vento. A música era doce e triste, um chorinho que se misturava ao barulho das ondas. Ele usava uma camisa aberta, a pele dourada como se fosse feita da própria luz do Rio. Quando sorriu, Clara sentiu algo desabar dentro de si, como aqueles prédios antigos de Santa Teresa que se deixam engolir pelo mato.

— Você é estrangeira? — perguntou ele, em um português arrastado que a fez rir.
— Metade. Minha mãe é carioca — respondeu, mentindo sobre o frio que sentira no peito ao ouvir sua voz.

Nos dias seguintes, o Carnaval os engoliu. Dançaram na Lapa debaixo de arcos iluminados, onde o suor e o cheiro de cerveja se misturavam ao aroma de pastéis fritos. Rafael ensinou-a a sambar, as mãos dele firmes em sua cintura, os olhos brilhando mais que as lantejoulas de seu cocar. Clara vestiu-se de baiana, rodopiou até perder o fôlego, e em cada esquina ele aparecia com um sorriso e um copo de caipirinha gelada.

— Você é minha estrela — dizia ele, enquanto subiam os degraus de Santa Teresa, vermelhos como um coração aberto.
Ela não perguntou quantas outras "estrelas" haviam brilhado para ele naquela semana.

As noites eram quentes, mas havia algo frio nas pausas entre um samba e outro. Rafael falava de Salvador, de um amor que deixara lá, com a mesma voz suave com que falava do mar. Clara ouvia, fingindo que as palavras não doíam. Escrevia em seu caderno: *"O Rio é uma cidade que ri até de dor. Talvez por isso eu me sinta em casa."*

Na terça-feira gorda, enquanto o Cristo Redentor se cobria de névoa, ele a levou a uma rua deserta de Santa Teresa. As máscaras de Carnaval penduradas nas janelas pareciam rir deles.

— Clara... — começou ele, segurando suas mãos como se fossem de porcelana.
Ela interrompeu-o com um beijo, doce e apressado, como quem tampa um vulcão com um dedo.

— Não — ele sussurrou, afastando-se. — Minha alma ainda dança com outra música.

O bloco "Cordão da Mentira" passou naquele momento, com seus tambores abafando o silêncio. Clara riu, porque no Rio até a tristeza tem que ser disfarçada de folia.

Na manhã seguinte, ele partiu sem avisar. Deixou apenas um bilhete no café da pousada: *"Até mais, estrelinha."* Ela rasgou-o, misturando os pedaços às pétalas murchas que cobriam a rua.

Na despedida, enquanto seu avião sobrevoava o Pão de Açúcar, Clara abriu o caderno. Escreveu: *"O Carnaval é um amor não correspondido. A cidade te abraça, te beija, te faz sentir única... e no dia seguinte, te esquece. Mas talvez seja assim mesmo: o Rio não é de ninguém. E alguns amores são como o samba-enredo — brilham por uma noite, e depois viram cinza."*

O avião virou, e ela jurou ver, lá embaixo, um vulto de camisa aberta tocando cavaquinho na praia. Mas era só a imaginação, ou o jeito que o Rio tem de nunca deixar ninguém partir inteiro.

Inserida por MatheusHoracio