Ate o Mel mais Puro em um Recipiente
Vovó,
Queria te dar uma história bonita para você se orgulhar de mim.
Um livro que se abrisse, perfumado, com o cheiro jasmim.
E no fim, mesmo que triste, tu avistasse um jardim.
O que posso dizer, vovó?
Histórias não gosto de ler
Nem trabalho a as inventar
Eu sei mesmo as viver,
Mesmo que me façam chorar
Mesmo cansado
Meu coração, resistirá.
A vista do mundo sozinha é bonita,
mas é tão triste não ter para quem contar.
Há tanto tempo fico quieta
Aprendi a não incomodar.
Quem quer saber? Quem quer saber?
Ninguém quer dialogar.
Converso sozinha com Deus
A Ele, não sinto incomodar.
Mas é triste, não é?
Esperar em Deus a cumplicidade que o ser humano não dá.
Amar incomoda,
Incomoda mais não amar.
Só você quer saber
O que vou rabiscar.
Que saudade de Aruanda,
Mas um dia hei de voltar!
Encontrarei com os amigos
Que daqui vivo a sonhar...
Vovó Santana, Pai Guiné...
Pretinha Doce, Catarina
Seu Tranca Rua e Seu Zé
Que me acompanham em cada esquina
Mulambo,
Araúna,
A baianada que me anima!
Zambi, Pai Maior
Acalanto da família!
Que saudade de Aruanda...
Onde o corpo não arria
Esperem-me, Amigos
Tornarei à casa um dia!
Enquanto isso me protejam
Da estrela que alumia,
Que eu siga avante no trabalho
Sustentada na alegria!
A vida é como um jogo onde os peões podem se tornar rainhas, mas nem todos sabem jogar. Algumas pessoas permanecem como peões a vida toda porque nunca aprenderam a fazer as jogadas certas.
A ausência ocupa espaço. Um espaço enorme, tão grande que deixa tudo apertado, principalmente o coração. Tão apertado que chega a doer. Muito.
Ninguém imagina quanta falta se pode sentir de um abraço, de um beijo, de um perfume, uma conversa, da mera presença, simplesmente a existência de alguém, até esse alguém ir embora. Principalmente quando esse alguém é nossa própria mãe.
Eu precisava externar meus sentimentos além de meu próprio pensamento, além do meu coração. Não com o propósito de que alguém venha a lê-los, mas de que eles permaneçam em algum lugar neste mundo para quando eu também me for.
Quando pudemos comemorar seus 90 anos, apesar da dor que ainda nos cercava pela perda do pai, achei que tínhamos tudo pra dali dez anos fazermos uma festa chamada "Mamãe Faz 100 Anos", como o filme do Carlos Saura... mas dali pouco tempo, isolados pela pandemia por quase dois anos, lá estávamos nós, presos em casa sem poder nos divertir e desfrutar da companhia um do outro em momentos descontraídos, mas aproximados pela condição da clausura. Meu medo de trazer alguma coisa ruim que te fizesse mal a cada vez que tinha que sair de casa, consumiu minha alma, esgotou o meu corpo (e mais ainda o seu, motivo pelo qual não consegui mantê-la aqui conosco). Mas isso me fazia sentir vitorioso ao conseguir te poupar, Mãe.
E com o passar do tempo, com o ocaso de tua disposição e vontade, assumi certas responsabilidades que, às vezes, podiam parecer obrigação ou até mesmo inquietação, mas que no fundo eram aprendizado e satisfação. Levá-la às consultas, aos exames, parar para comer empada ou passar no mercado na volta, eram essas as "responsabilidades", Mas de todas elas, o momento do banho guardo como o mais emblemático, o que mais representava meu amor e cuidado pela senhora. Lavar seus cabelos, esfregar suas costas, conduzi-la do banheiro ao quarto, secar e pentear seus cabelos, depois vê-la passando seus hidratantes, limpinha, cheirosa... era uma sensação de dever cumprido. Lembro que sempre que eu ouvia da senhora a péssima frase "só te dou trabalho", seguida de sua reflexão "você não tem obrigação de fazer isso" eu pensava: tenho, CLARO que tenho! Era o MÍNIMO que eu podia fazer pela única pessoa a quem verdadeira e incondicionalmente eu amei, como pela senhora fui amado igualmente, sem interesse ou piedade. E curiosamente, tanto tempo depois de não mais fazer essas pequenas tarefas, quando as recordo sinto falta de executá-las. A senhora me ensinou ao longo dos 59 anos que convivi com a senhora diariamente, quase que 24 horas por dia ao seu lado, que tudo vale a pena, tudo tem sentido, tudo é sublime quando feito por amor.
A única coisa que me arrependo é não ter sabido agir, da mesma forma que agi com a senhora, com meu pai. Todo sufoco que passei (ou melhor, passamos) com ele me ensinou a como cuidar da senhora. Falhei, e muito, nesse cuidado. Hoje percebo que poderia - e deveria - ter tido muito mais atenção e carinho nas minhas "obrigações" para com a senhora. E por mais que a senhora tenha me dito em vida que fiz muito mais do que eu podia, assim como tantas outras pessoas me disseram o mesmo, guardo essa dívida em meu coração. Eu deveria, eu queria ter feito mais. Muito mais, e ainda assim teria sido pouco. Preparar seu café, separar seus remédios, fazer nosso almoço, ajeitá-la para a soneca, oferecer um cappuccino, regar suas plantas (é, mãe, perdão, mas elas estão quase mortas... não tenho me disposto a fazê-lo já que a senhora não está mais aqui para apreciá-las), mandar mensagens para saber se estava tudo bem enquanto eu saía para trabalhar, fazer mercado ou qualquer outra coisa que me tirasse de perto de você... todas essas coisas me marcaram e ainda se distinguem em minhas lembranças.
Poderia ficar escrevendo aqui por horas, mas já me excedi em palavras. Como eu disse, só queria registrar, em qualquer lugar que fosse, meu sentimento acerca do quanto te amei, do quanto me senti amado pela senhora. Qualquer homenagem que eu já possa ter lhe feito nunca alcançará o tamanho de meu amor ou o tamanho da tua grandeza como ser humano, como mulher, como Mãe.
Obrigado por tudo, Dona Lourdes. Encerro com a última frase que - graças a Deus - pude te falar olhando nos olhos: te amo mais do que tudo nesta vida.
"Um dia poderás encontrar alguem que faça apenas pra sentir alguma coisa mesmo que isso atrapalhe quem está ao seu redor"
O interesse intenso e verdadeiro é um recurso primordial para todas as realizações humanas, quando associado a uma coragem imbatível e uma ampla sabedoria é capaz de produzir qualquer tipo de resultado planejado, por mais inatingível que possa parecer.
É fundamental que o amor esteja em mim. Um amor à Djavan: rico e formoso que, de tão formoso me roube a alma..."
Ser criança é maravilhar-se com a vida. Cada criança que nasce é um presente que Deus nunca esquece de nos dar.
Os motivos para a felicidade de um casal pertencem aos dois! A felicidade em um relacionamento só pode existir numa relação bilateralmente. Não é possível ser feliz unilateralmente! Também não é possível supor baseado-se em suas próprias conclusões que o outro não é feliz. O diálogo precisa ser o meio de resolução de todas as incertezas que achamos que o outro tenha!
O homem em suas dimensões!
O homem filogênico, ontogênico e social é uma unidade. O homem é um ser complexo e para sua compreensão é necessário o estudo da pessoa humana de forma holística, de suas dimensões afim de tentar explicar a sua existência. O homem sob a ótica das dimensões é completo não podendo ser subestimadas quaisquer de suas dimensões. Tais dimensões biológica, psicológica, social e espiritual se unificam para que o homem amplie a percepção de si mesmo, interiormente e externamente, fazendo uso de sua inteligência instrumental, emoção, razão e do afeto.
Por fim, as dimensões são partes divisíveis do ser indivisível e através delas procuramos uma resposta para os questionamentos propostos pelas ciências que estudam o homem. Dentre elas a antropologia.
Mesmo nos piores momentos podemos perceber que a estar vivo é um uma dádiva. Não importa o quanto estamos precisando de confiança, sempre deve haver uma esperança ao abrir os olhos ao amanhecer.
A arrogância pode ser uma desculpa ou um motivo para afirmação de um conhecimento ou uma habilidade que não se tem.
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