As Pessoas Sao como Ondas

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Como o ser humano constrói significado sabendo que sua existência é limitada?

Responsabilidade é o preço jurídico de sermos tratados como autores daquilo que fazemos.

O que o amor não consegue conservar na matéria, a memória restitui como réstia.

O amor começa como encantamento, mas sua verdade revela-se quando o encanto sobrevive ao cotidiano.

O cristão é aquele que, tendo aprendido a amar as próprias correntes, já não as reconhece como grilhões, mas como promessa de liberdade.

Como deve o Estado constitucional tratar aquilo que a ciência não pode provar, a religião afirma pela fé e o Direito não pode transformar em verdade oficial?

Entre o que desejamos que seja verdadeiro e aquilo que podemos legitimamente afirmar como verdadeiro existe o território da dúvida; é nesse território, precisamente, que a razão aprende sua humildade e a liberdade encontra sua forma mais alta.

“A liberdade começa quando o homem deixa de ser objeto das vontades alheias e se reconhece como fim em si mesmo; o Direito existe, em sua forma mais elevada, para impedir que qualquer poder lhe retire essa condição.”

“Entre a liberdade da consciência e a força do poder ergue-se o Direito, não como simples arquitetura de normas, mas como fronteira moral além da qual nenhum ser humano deveria ser convertido em instrumento de outro.”

A beleza não repousa nas coisas como uma propriedade imóvel; nasce no encontro secreto entre o objeto e a consciência que o contempla.

A ciência não precisa matar o mistério; basta impedir que o mistério seja falsificado como conhecimento.

Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.

A verdade costuma atravessar a história como um estrangeiro indesejado: primeiro provoca riso, depois resistência e, quando finalmente se torna familiar, passa a parecer tão óbvia que ninguém mais se recorda de quando foi contestada.

Enquanto alguns contabilizam as horas para descobrir como fazê-las desaparecer, outros percebem que o verdadeiro desperdício não está no tempo perdido, mas na vida que poderia ter adquirido forma dentro dele.

Nenhuma conquista deveria exigir como pagamento a destruição do corpo, porque o indivíduo que sacrifica a própria saúde para possuir uma vida melhor pode descobrir, tarde demais, que perdeu justamente o instrumento pelo qual poderia vivê-la.

A beleza não elimina a dor, assim como a rosa não revoga os espinhos; talvez a maturidade consista precisamente em aprender a reconhecer a delicadeza sem exigir que o mundo deixe de ferir.

Viver talvez não seja derrotar o absurdo, mas recusá-lo como argumento suficiente para desistir da existência.

Não carregamos simplesmente um corpo: somos, em grande medida, a maneira como esse corpo habita o espaço, o tempo e os outros.

A consciência não paira sobre as coisas como um espectador; ela se compromete com o mundo através da espessura concreta do corpo.

A ciência pode explicar como uma crença se forma sem precisar decidir se aquilo em que se acredita é metafisicamente verdadeiro.