Arriscar
Eu sei que errei desde o começo. Eu deveria ter arriscado mais, deveria ter feito tudo o que era preciso pra poder ficar contigo. Mas eu vacilei, eu errei… Talvez eu tenha até me precipitado em algumas situações, talvez eu tenha deixado o medo falar mais alto em outras. Mas a verdade é que desde o início eu sentia medo de te perder, sentia medo de fazer algo errado e acabar estragando tudo. Eu vinha sentindo algo que eu jamais tinha sentido antes e isso me deixava com um certo receio. Mas hoje eu vejo que o errado foi não ter feito tudo aquilo que prometi, foi não ter insistido mais em algumas situações, foi não ter deixado de lado aquela vida que eu levava para poder levar uma vida com você. Queria eu poder voltar no tempo pra consertar tudo, pra mudar o que fosse preciso, só pra ficar contigo. Agora eu posso perceber o quão idiota eu fui em todos os momentos. Mas eu quero que saiba que daqui pra frente vou fazer o que for preciso pra ficar contigo, vou dar o meu melhor em todos os momentos. E eu sei que iremos ficar juntos. Não sei quanto tempo vai levar, não sei em que situação estaremos, mas eu sinto aqui dentro de mim, que Deus nos fez um pro outro, e quando Ele quer que duas pessoas fiquem juntas, ninguém pode impedir.
Se você não está assustado, então você não está se arriscando. E se você não esta se arriscando, então o que você esta fazendo?
Ela se arrisca num impulso mais alto, segura com força as correntes enferrujadas e fecha os olhos enquanto o vento gelado paralisa seu rosto.
Cada vez que consegue esvaziar seus pensamentos, ele volta, sorrindo. Era tudo o que ela não precisava, tudo o que ela se esforçava para esquecer.
Talvez se ela arrumasse uma distração mais potente do que a música no último volume, que funcionasse melhor que um banho quente; talvez ele sumisse de vez.
Ou talvez ele voltasse mais forte.
Pobre coração, o dos apaixonados
Que cruzam o deserto em busca de um oásis em flor
Arriscando tudo por uma miragem
Pois sabem que há uma fonte oculta nas areias
Bem-aventurados os que dela bebem
Porque para sempre serão consolados
Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer, devia ter arriscado mais e até errado mais. Ter feito o que eu queria fazer.
Sem uma procura consciente da beleza, arriscamo-nos a cair num mundo de prazeres que causam dependência e na banalização dos atos de dessacralização, um mundo em que já não se percebe bem por que vale a pena a vida humana.
Somente por amor a gente se arrisca.
É por amor que caminhamos em direção ao que não sabemos explicar, como quem segue uma miragem no meio do deserto. Sabendo, no fundo, que pode não ser real — e ainda assim indo. Porque o amor não pede garantias, pede entrega.
O amor nos ensina a decifrar silêncios, a escutar o que não foi dito, a tocar mistérios com mãos trêmulas. Ele nos faz acreditar em promessas que ainda não existem, em destinos que só se revelam para quem ousa permanecer. É uma música que começa baixa, quase imperceptível, mas que cresce dentro da gente até não caber mais no peito.
Há algo de miragem no amor: ele cintila à distância, nos chama, nos ilude e nos salva ao mesmo tempo. Às vezes é engano, às vezes é esperança. E mesmo quando descobrimos que não era água, seguimos adiante, porque a travessia também nos transforma.
Amar é arriscar-se ao impossível. É atravessar desertos internos guiados apenas por uma melodia que insiste em tocar. É escolher sentir, mesmo sabendo do cansaço, da sede, da queda. Porque só o amor nos convence de que vale a pena ir além do que é seguro, além do que é lógico, além do que é visível.
E no fim, mesmo que a miragem se desfaça, algo permanece: o som da música que nos moveu. A coragem de quem ousou. A certeza de que só por amor a gente vai tão longe.
Por Jorgeane Borges
Meu caminho é feito de uma alma com pés valentes,
mesmo quando cansados arriscam mais um passo.
É essa doce valentia que me trouxe até aqui !
Morre lentamente quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Nota: Trecho da crônica "A Morte Devagar", publicada por Martha Medeiros no dia 1 de novembro de 2000. Muitos vezes é equivocadamente atribuída a Pablo Neruda.
...MaisEpitáfio
Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
“É impossível.” disse o orgulho. “É arriscado.” disse a experiência. “É inútil.” disse a razão. “Dê uma chance.” sussurrou o coração.
A gente se arrisca porque gosta de chorar de vez em quando. E se arrisca mais forte ainda porque gosta de sorrir também, digo eu, que não gosto (nem um pouco) do verbo prender. Prender o riso. Prender o choro. Prender o grito. Prender o verbo. Faz a gente deixar de ser, a gente.
