Arrancar do meu Peito
Caso Encerrado
Fecho a porta do peito como quem arquiva um processo antigo:
teu nome vira poeira nos autos do silêncio, as provas — beijos, promessas, noites acesas —
descansam em caixas de papelão, carimbadas de saudade.
Te amei como se ama um incêndio mal contido, jurando que o fogo aprenderia limites; mas o amor é juiz sem rosto, e sempre absolve a chama que fere.
Agora assino o fim com
a tinta do aprendizado:
não é derrota, é sentença ao
coração cansado; o amor segue livre,sem algemas nem culpa,
enquanto eu sigo quebrado.
Sou livre
Sou livre como o vento que aprende teu nome ao passar entre janelas abertas do peito;
não me prendo ao medo, faço do silêncio um céu onde teu riso pousa sem receio.
Sou livre como o rio que aceita suas curvas, beija pedras, sangra margens e segue inteiro; teu amor é ponte, não prisão — nele atravesso sem perder-me.
Sou livre porque amar não é jaula,
é asa confiada ao próprio voo;
se fico, é escolha do coração
que encontra em ti um horizonte,
não um nó.
Hipócrita
Isso foi tudo que restou,
um caco de vidro enterrado no peito,
memória ferida que sangra silêncio,
eco de promessas que morreram no escuro.
Teu amor, hipócrita,
era fogo disfarçado de abraço,
ceniza quente que queimava e sorria,
um veneno doce que se escondia nos lábios.
E eu, naufrago de tua ausência,
vago entre sombras de nós que não existem,
cada suspiro um grito afogado
no abismo de um desejo que nunca volta.
Vencer com o Bem
Não carrego a vingança nas mãos,
nem afio o ódio no silêncio do peito.
Entrego a Deus o peso da justiça,
porque há batalhas que não são do meu jeito.
Quando a dor pede resposta em grito, aprendo a responder com oração.
A ira que o mundo quer que eu abrace eu deixo escorrer pelas mãos da redenção.
Se o inimigo vem faminto de amor,
é pão que ofereço, não desprezo.
Se chega sedento de paz,
é água viva que derramo sem medo.
Pois sei:
o bem que nasce do perdão
arde mais forte que qualquer punição.
São brasas que queimam a consciência, não para destruir,
mas para trazer reflexão.
Não me deixo vencer pelo mal que machuca, nem pela sombra que tenta ficar.
Eu venço quando escolho a bondade,
quando deixo Deus julgar.
Porque a justiça não falha em Suas mãos, e o amor sempre vence no final.
Quem caminha com o bem no coração nunca perde
— mesmo ferido pelo mal.
Um fogo tímido
A chama nasceu pequena,
quase um sussurro,
acendeu no escuro
do peito sem pedir licença.
Era medo e esperança dançando juntos, um fogo tímido que já sabia arder.
O destino soprou ventos contrários,
tentou apagar promessas e sonhos antigos.
Mas a chama aprendeu a resistir no silêncio, crescendo firme entre quedas e recomeços.
Houve noites em que queimou como saudade, dolorida, intensa, impossível de esconder.
Ainda assim, iluminou caminhos tortos, mostrando que até a dor pode guiar.
Hoje a chama é farol e coragem,
não consome
— transforma quem sou.
No centro dela, entendo enfim:
meu destino é arder sem deixar de amar.
No recanto
O vento quente do sertão
varre a alma cansada,
E a ansiedade aperta
o peito como corda de viola.
O homem sente
o mundo pesado nos ombros,
E a esperança parece distante, escondida no céu de brasa.
Mas chega uma palavra doce, feita de calma e cheiro de terra molhada,
Um sussurro que floresce entre
o juazeiro e a laranjeira.
O coração se abre,
desata o nó que sufoca,
E a vida volta a dançar
na batida lenta do luar.
No recanto da paixão,
o olhar se encontra,
Mãos trêmulas se entrelaçam,
tão simples e certeiras.
O medo se dissolve
na música das palavras,
E o amor cresce no silêncio
que fala mais que tudo.
Ah, sertão que ensina
a alma a resistir,
Entre seca e chuva,
entre dor e sorriso.
Uma palavra bondosa
é a chuva na rocha,
E o coração do homem
volta a cantar seu próprio destino.
Você Precisa Seguir em Frente
Mesmo quando a saudade aperta o peito e as lembranças sussurram teu nome em silêncio, é preciso seguir em frente, pois o amor que sinto por você não se prende ao passado; ele vive em cada passo que dou, nas pequenas esperanças que florescem ao amanhecer, e mesmo que a distância tente separar nossos caminhos, carrego teu sorriso dentro do meu ser, teu abraço como abrigo e a certeza de que cada batida do meu coração é um eco daquilo que fomos e sempre seremos, eternos, mesmo que o tempo nos peça coragem para continuar.
Três Regras do Amor
Primeira regra:
não ame sozinho.
Amor que pesa em um peito só
vira dor disfarçada de esperança.
Segunda regra:
não implore presença.
Quem quer ficar, fica,
quem ama, escolhe todos os dias.
Terceira regra:
saiba a hora de partir.
Porque amar também é coragem
quando continuar machuca.
E mesmo seguindo regras,
o coração ainda sente…
porque o amor nunca foi feito
pra obedecer razão.
- P.silva3
Há um lugar
Carrego uma terra inteira dentro do peito, não feita de mapas,
mas de lembranças que
insistem em voltar.
Há um lugar onde tudo soa mais vivo, onde o vento sabe meu nome
e o silêncio não pesa.
Aqui, as coisas existem,
mas não me reconhecem.
O céu é o mesmo, dizem,
mas não brilha igual ao
que mora em mim.
Sinto falta até do que nunca toquei,
porque a ausência também aprende a criar raízes.
Que eu não me perca antes de voltar,
nem desaprenda o caminho daquilo que me forma.
Que eu ainda veja,
nem que seja por dentro,
o lugar onde meu coração repousa.
Porque há saudades que não pedem distância —
pedem reencontro.
O cérebro pode até formular a lógica da nossa existência, mas é no peito que a gente decide se vale a pena acordar amanhã. A razão sem paixão é apenas um relógio que marca as horas de um funeral.
Escuto muito pessoas falar que vivem de todo jeito.
Que carregam diversas marcas no peito.
Da felicidade disfarçada muitas vezes num pranto de leito.
Levam bagagens de sorrisos num rosto perfeito.
Amor é cumplicidade, é a própria felicidade.
Amor é o respeito,de arder no peito.
Se ama desse jeito, sem preconceito,pode crer, com todos terás um bom conceito.
Quem te ama de verdade não te esconde na gaveta,
te carrega no peito, com honra, cuidado e presença.
Amor que vem de Deus não arquiva pessoas,
assume, protege e permanece.
“Acima de tudo, guardem o amor, pois ele une perfeitamente todas as coisas.”
(Colossenses 3:14)
"O cérebro finalmente descansaria, mas o peito viveria em uma eterna insônia, tentando decifrar por que o sangue insiste em voltar para onde foi ferido."
"Se o peito tivesse o dom da análise, ele pararia de bater no exato momento em que a vida perdesse o sentido, por pura conclusão lógica, sem esperar pelo tempo."
eu fui saudade o sal no rosto, a dor solitária, a angústia que ecoava no peito.
Mas já não habito esse corpo ferido.
Hoje estou livre.
Desço ao mar para sentir o sereno no rosto, o toque das folhas, a brisa que me atravessa.
Estou vivo.
Entardecer de vários
tons em Rodeio
no Médio Vale do Itajaí
deslumbram o peito
e encantam o olhar.
Ao ver o céu em pleno
movimento e mistério
na porção Austral onde
o verde é real e etéreo,
entrego e reitero o eterno.
Aqui se encontra achego,
ofereço o meu aconchego
porque lhe tenho apreço.
