Apenas
Não tenho nenhum talento especial. Apenas sou apaixonadamente curioso.
O covid nos tira tudo, se não bastasse apenas a saúde, também o direito de ficar neste mundo...
Nos tira a dignidade da última despedida, do carinho e dos aplausos, da reunião de todos que se conheceram em vida...
O Covid nos tira tudo, desde a convivência até a beleza de se ver um sorriso, pois ele dentro de uma máscara, permanece escondido...
É de fato um dos piores momentos que estamos vivendo, dia após dia, algo que afronta a nossa liberdade e também a nossa alegria...
O Covid nos tira tudo, o aperto de mão e o carinhoso abraço de urso, mas não podemos permitir que ele nos tire a importância de nossa presença neste mundo.
Em que momento deixamos de perguntar se alguém é feliz para perguntar apenas o que faz da vida?
Talvez seja esta a consequência do fluir da prosa: trocamos a essência pela ocupação.
A violência apenas gera mais violência. O caminho da virtude começa quando o homem entende que seus maiores inimigos não estão ao redor, mas dentro de si mesmo.
O maior erro humano é pensar que possui a verdade, quando muitas vezes apenas defende os próprios interesses.
Os outros apenas te deixam feliz por momentos, mas somente você pode dar a felicidade pra si por inteiro.
Amigos são como feijões, de tanto queimar na panela, com o tempo aprendemos escolher apenas os bons. Deixando os podres de lado.
Para assim se fazer a feijoada de qualidade.
“O mal, em sua essência, não possui substância própria; é apenas o vazio deixado onde o bem se recusou a habitar. Assim como as trevas não têm existência senão pela retirada da luz, o pecado nasce onde o Espírito se cala e o coração humano se afasta do Eterno. Na política dos céus, até mesmo o silêncio de Deus é justiça, pois onde o bem não governa, o homem constrói seu próprio abismo.”
Se Elias tivesse mantido os olhos apenas em Deus, teria pedido a morte debaixo de uma árvore por causa das ameaças de Jezabel? A depressão nasce quando a pressão das circunstâncias sufoca a esperança, e o medo começa a falar mais alto que a fé. O profeta que fez fogo descer do céu agora tremia sozinho numa caverna, porque até homens usados por Deus podem desmoronar quando a alma perde forças para confiar.
Me chamam de filósofo de botequim! Estão errados, sou apenas um ser pensante e minhas bebedeiras são em casa, não no bar!
A consciência, em sua raiz mais antiga, não nasce apenas como um saber individual. Conscientia significa “saber junto”, compartilhar conhecimento, reconhecer-se diante de algo maior que o próprio ego. O ser humano não está separado da centelha primordial da consciência universal, apenas adormecido dentro da ilusão de uma identidade construída pelo mundo.
Desde o nascimento, somos ensinados a vestir máscaras. Recebemos nomes, crenças, medos, desejos e limitações. Chamamos isso de “eu”. Mas aquilo que pensamos ser talvez seja apenas um reflexo condicionado da matéria, uma personalidade moldada para sobreviver dentro de estruturas que aprisionam a percepção. O homem acredita possuir consciência, quando muitas vezes apenas reage mecanicamente aos impulsos, ao medo da rejeição e à necessidade de pertencimento.
É aqui que surge o discernimento.
Discernere é separar, peneirar, filtrar o joio do trigo. Compreende que discernir não é julgar superficialmente o mundo, mas separar dentro de si aquilo que é essência daquilo que é programação. Cada pensamento herdado, cada crença imposta, cada verdade aceita sem questionamento deve passar pela peneira da consciência desperta.
A luz não conforta o ego; ela o desnuda. Ela mostra que grande parte da humanidade vive identificada com uma personagem, enquanto a verdadeira essência permanece soterrada sob camadas de medo e ilusão.
A maioria pergunta: “Quem sou eu?”
Mas poucos suportam destruir aquilo que acreditavam ser.
Despertar a consciência é doloroso porque exige morrer simbolicamente antes da morte física. Exige abandonar falsas certezas, romper correntes invisíveis e perceber que a prisão mais poderosa nunca esteve no mundo exterior, mas dentro da própria mente condicionada.
O discernimento é a espada silenciosa do iniciado.
A consciência é o fogo interno que ilumina o caminho.
E talvez a maior tragédia humana seja esta: passar toda uma existência acreditando ser apenas aquilo que foi ensinado a representar, sem jamais descobrir a vastidão oculta que existe além do personagem.
"Não há castigo, apenas consequências." Uma verdade que dói muito mais na carne do que no espírito que busca a redenção.🕊
