Apenas
Vasco da Gama não "descobriu" Moçambique; apenas o encontrou.
A Essência: Moçambique já possuía uma existência histórica, social e económica complexa, evidenciada pelas suas cidades-estado e rotas comerciais ,muito antes de 1498. A chegada de Vasco da Gama marca apenas a inclusão da região nos registos ocidentais, não o seu nascimento.
O Vazio: O erro da narrativa histórica reside na falta de soberania narrativa: faltou o cronista moçambicano para registar e perpetuar a história a partir da perspetiva interna, permitindo que a linguagem da "descoberta" e do observador externo" prevalecesse.
A dominação colonial em Moçambique não cessou; apenas se metamorfoseou em neocolonialismo. Este novo sistema de controlo económico e social é uma armadilha perfeita: aprisiona o indivíduo na rotina básica de nascer, estudar, lutar pelo emprego e, falhando, vender água nas ruas, mantendo-o na dependência. Paradoxalmente, o sistema exige mais do que submissão económica; exige a neutralização do espírito, o incentivo ativo à mediocridade intelectual e ao conformismo. Só assim, pela ausência de criticidade, as estruturas de poder se tornam invisíveis e eternas.
Apenas Deitado
Às vezes o corpo pesa,
e é mais fácil não lutar.
Ficar deitado, quieto,
sem rumo, sem lugar.
Cansado da rotina que se repete,
dos problemas que não se vão,
das vozes que reclamam sempre,
dos dias que parecem em vão.
Deitado, apenas deitado,
fitando o teto como quem espera
que o tempo leve embora
essa névoa que desespera.
Sem querer nada, sem sonhar,
sem planos, sem direção,
só sentindo as horas escorrerem
como areia na palma da mão.
A luz do sol se apaga lenta,
e a sombra toma o chão.
Mas ali, imóvel, eu resisto,
no silêncio da exaustão.
NOVEMBRO AZUL
Homens prestem atenção
Esqueça o machismo
Saúde em primeiro lugar
Apenas um toque, é a sua salvação.
Pode ser constrangedor
Mas esqueça a vergonha
É rápido e simples
Não cause nenhuma dor.
Só o médico vai diagnosticar
Se tiver câncer de próstata
Esqueça o preconceito
O tratamento vai curar.
Então deixem de frescura
O exame é a solução
O câncer pode matar
No início ele tem cura.
Faça logo o seu exame
Não seja um homem machista
Quando a mulher te obriga
Fica dando vexame.
O homem se diz garanhão
Não escuta a sua mulher
Apoie o novembro azul
Deixa de discussão.
Irá Rodrigues.
.
Se há algo que aprendi contigo, é que o amor verdadeiro não exige presença, ele apenas existe. Não se quebra, não se cansa, só muda de forma para continuar vivendo. E se o destino ouvir o que digo agora, que ele saiba "Não quero voltar no tempo, quero apenas continuar".
Quem vive com ansiedade não enfrenta apenas o mundo ao redor, mas também o turbilhão que a própria mente cria. E ainda assim, levanta todos os dias fingindo controle, quando na verdade só tenta não desabar.
Caçadores de Mentes
Vivemos em um tempo onde não se rouba apenas o que está nos bolsos. Rouba-se o que é mais precioso: a mente.
São caçadores invisíveis. Estão nas telas, nas vozes disfarçadas de conselhos, nos sorrisos que parecem verdadeiros mas escondem armadilhas. Eles não levam correntes de ferro — levam ideias distorcidas. Eles não invadem casas — invadem pensamentos.
O caçador de mentes não quer o que você tem, quer o que você acredita. Quer moldar seus desejos, suas escolhas, sua fé. Quer que você viva a vida dele, não a sua.
E aqui está a reflexão: ou você vigia sua mente, ou alguém a caça.
A disciplina é o escudo. A resiliência, a espada.
Só quem aprende a cuidar do que pensa pode ser livre de verdade.
No fim, o verdadeiro campo de batalha não está fora. Está dentro.
E a vitória é não deixar que ninguém, nunca, dite o ritmo da sua alma.
— Purificação
O racismo não é apenas um preconceito visível; é uma ferida que se infiltra nos pensamentos, nos gestos e até nos sonhos das pessoas. Ele não se limita à discriminação aberta: muitas vezes, é silencioso, internalizado e repetido pelas próprias vítimas. O auto-racismo, por exemplo, mostra-nos como uma comunidade pode aprender a odiar a si mesma, aceitando padrões de beleza e sucesso que privilegiam outros em detrimento da própria identidade.
Em contextos como o de Namicopo, o racismo não surge apenas na relação entre negros e brancos, mas também dentro da própria comunidade negra. A valorização da pele clara, a idolatria de filhos claros e o desprezo por quem tem a pele mais escura são manifestações de um padrão social aprendido, reforçado por gerações e perpetuado por olhares, comentários e até por comportamentos de ostentação.
A consequência é profunda: o racismo interno gera insegurança, frustração e competição baseada em fatores superficiais. Jovens e adultos começam a medir o seu valor por um critério artificial a cor da pele esquecendo que a dignidade, a inteligência e a criatividade não se pintam. Quem vive sob essas regras aprende a rejeitar-se, a cobrir-se de loções, filtros e máscaras, procurando aprovação em algo que nunca deveria definir o seu valor.
O combate ao racismo, portanto, não é apenas uma luta externa, mas uma tarefa íntima de resgatar a autoestima e a consciência da própria identidade. Cada olhar de rejeição, cada comentário depreciativo, é um convite à reflexão: quem somos para nos julgarmos uns aos outros pelo tom da pele? O valor humano não se mede na cor, mas no respeito, na empatia e na capacidade de construir relacionamentos genuínos, livres de preconceitos.
Enquanto a sociedade continuar a premiar o claro e a desprezar o escuro, o racismo permanecerá como sombra persistente. Mas a mudança começa na percepção de cada indivíduo: ao aprender a valorizar-se, ao reconhecer a riqueza da própria herança e ao ensinar isso aos outros, cada pessoa torna-se agente de transformação. É na consciência e na valorização da diversidade que reside a verdadeira força contra o racismo, seja ele explícito ou internalizado.
Recuse-se a ser apenas um espectador da sua jornada. O roteiro da sua felicidade está em suas mãos, e o papel principal sempre foi seu.
Podemos ter várias roupas, mas trazemos junto a nós, apenas algumas, que nos deixam bem e confortáveis, isso acontece também com os amigos !
Ivan Nikolaus
"Um homem que sabe a hora de sair de cena nunca perde; ele apenas abre espaço para o que realmente merece."
Penso que é apenas uma opinião autêntica, sincera e verdadeira o que um mestre, amigo meu, certa vez, me disse: "Nosso compromisso é com a arte, pela arte e para a arte. Nossa arte não segue padrões pré-determinados, nem rótulo, nem escolas. Nossa arte é livre, e livre é nossa arte".
José Sérgio Batista
@josesergio9b
19.03.2020
"Talvez a vida seja apenas um evento rápido, entre chegadas e despedidas; momentos inesquecíveis e esquecimento; sonhos ousados e medos secretos.
Quem sabe uma curta viagem “bate-volta” - pois não somos daqui.
Estamos na nave Mãe-Terra, sem oportunidade para conversar com o capitão e descobrir um pouco a respeito da rota e destino; também não temos autorização para olhar mapas e a bússola (isso é sagrado e secreto).
Temos apenas permissão para experimentar sensações, emoções, desafios, dores, saudades, paixões... sentir a brisa, se encantar com o pôr do sol, ou buscar aquela estrela que vimos quando crianças.
Quem sabe se emocionar com o silêncio da Alma quando se despe... ou embriagar com a vertigem de amar, ou quem sabe tudo seja só para aprender sobre a arte de criar laços e nós, para depois e de repente cortar a fita.
Essa viagem (ou sonho?) às vezes tediosa, outras assustadora, nos prepara para experimentamos a aventura mais radical, dessa louca experiência - Envelhecer!
Aos poucos descobrimos que envelhecer é se despedir, enquanto espera a hora de descer no ponto e no momento exato que “Alguém” escolheu."
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