Apagar a minha Estrela
Minhas certezas vieram de provações, não procuro garantias, só preparo caminhos, o preparo é minha religião cívica.
Minha vida foi uma procura incessante por algo que preenchesse o vazio da alma, uma jornada marcada pela escuridão onde a luz parecia um mero lampejo distante, a angústia era a trilha sonora constante dos meus dias, ecoando em cada passo incerto que eu dava, e em meio a essa dor, o pranto se tornava o único idioma que eu dominava com perfeição, expressando a profundidade do meu desespero em tentar encontrar um sentido maior para toda essa existência tão sofrida.
A vida me ensinou a ser seletivo, não dou meu coração a quem não sabe segurar, minha alma não é brinquedo, ela é templo, é história, é renascimento, e merece mãos que saibam cuidar.
A solidão não é sinônimo de vazio, é laboratório de si. Lá monto peças da minha verdade que ninguém constrói por mim. Trabalho com ferramentas de silêncio e lâmpadas internas. E o resultado é um eu que conhece suas próprias medidas. Voltar ao mundo é mostrar essa peça, ou guardá-la em segredo.
No terreno estilhaçado onde a minha dor cavou raízes, aprendi que o corpo é um manual de guerras antigas, cada cicatriz uma sentença gravada na pele que o tempo tentou apagar, mas não conseguiu, e é nessa arena interna, entre o sopro de horror e o fio tênue da esperança, que a alma, ferida e incansável, se levanta como chama obstinada na noite, jurando ser mais que sobrevivência, ser prova viva de que o abismo pode engolir um corpo inteiro e, ainda assim, não apagar a luz que insiste em nascer no silêncio entre uma respiração e outra.
"Vendi o desejo de pertencer para comprar o direito de ser. Hoje, minha paz é um artigo de luxo que o ego de ninguém consegue financiar."
"Minha paz é um território sagrado onde o aplauso alheio não tem visto de entrada; prefiro o silêncio da minha consciência ao ruído de uma aprovação comprada."
"Não reduzo o volume da minha verdade para caber na audição de quem só aceita ecos. Minha tranquilidade custa a renúncia de ser o que esperam de mim."
"Aprovação é moeda volátil; minha paz é lastro de ouro. Trocar um pelo outro é o pior negócio que o meu coração já tentou fazer."
"Aprendi que o 'sim' para o mundo é, muitas vezes, um 'não' para a minha alma. Decidi que minha quietude não aceita suborno, nem mesmo em forma de elogio."
"Quem tenta comprar minha calma com aceitação volta de mãos vazias: meu silêncio não tem código de barras."
"Minha alma não aceita batismos de conta-gotas; ou eu me afogo no que sinto, ou desaprendi a respirar."
"A minha essência não é moeda de troca; é patrimônio inegociável que não depende da cotação do ego de ninguém."
