Apagar a minha Estrela
Ah, minha mãe ensinou-me uma coisa valiosa: o poder da oração, o poder de crer em Deus, há mais mistérios entre o céu e a terra que a gente possa imaginar, Shakespeare.
Olhando as estrelas ontem, eu lembrei da minha mãe, da minha infância, de que tudo se torna verdade se a gente acreditar, inclusive que algumas coisas na vida são passageiras, e que isso nos proporciona uma visão amplificada da imensidão desse Universo.
Em cada compartimento de meu corpo
Em cada delinear da minha internalidade
Em cada célula de meu corpo
Em meu DNA
Em meu pensar
Nas lágrimas da emoção
Estão presentes o amor dEle.
Jesus, eu te amo.
O Pequeno Pai
Por Mônica Barreto Alves
Jonathan, meu primeiro, o fruto da minha imaturidade,
Crescemos juntos na luta, na dor e na saudade.
Nossa relação foi divina, o início de tudo,
O menino dos meus olhos, o meu porto seguro.
Mas o JOKAANA precisava de um pilar, de um cais,
E tu, tão pequeno, assumiste o papel de pai.
Enquanto eu trabalhava, o asfalto sob o pé,
Cuidavas e alimentavas os teus irmãos, com toda a tua fé.
Essa carga pesou, o cansaço te roubou a infância,
A adolescência chegou com a dor da distância.
O ódio veio à tona, os traumas foram jogados,
Decidiste partir, deixar os teus laços quebrados.
Foste morar com o pai, buscar o que parecia lindo,
Mas a realidade doía, o sonho ia sumindo.
Um ano depois, o destino nos uniu na rodoviária,
Eu e a Ana, chorando, numa prece extraordinária.
Recebemos-te de braços abertos, o perdão selado ali,
Pois o amor de mãe nunca morre, eu sempre soube de ti.
Hoje és o meu mais velho, o orgulho que me invade,
Mesmo com as marcas de uma vida com tanta dificuldade.
Sigo orando por ti, por cada sonho realizado,
Terreno e carro aos 25, o teu sucesso é sagrado.
Conseguiste o que eu ainda não alcancei, meu filho amado,
E a minha felicidade é ver o teu futuro abençoado.
O JOKAANA está de pé, e tu és a sua primeira pedra,
O pequeno pai que cresceu, e que o amor agora regra.
Amo-te além das falhas, além do tempo e da dor,
Pois tu és o início de tudo, o meu primeiro amor.
“Inclina, Senhor, os Teus ouvidos e ouve a minha oração; atende à causa que coloco diante de Ti.
Vem ao meu encontro e faze justiça, pois a Tua justiça é fiel e verdadeira.
A Ti tenho clamado desde a minha juventude; a minha alma se prostra em louvor diante da Tua presença.
Tu és o Juiz justo; sustém-me de pé nas tempestades e nos dias de luta no deserto.
Faz-me ver, com meus próprios olhos, que escolher-Te foi a melhor decisão.
Ensina-me que a fidelidade a Ti é o caminho da sabedoria.
Concede-me vida para testemunhar o cumprimento das Tuas promessas.
Como outrora viram os Teus servos, verei o fim dos que praticam a iniquidade, dos que contra mim tramam o mal e se levantam para me perseguir.
Seus caminhos serão reduzidos ao pó, e cessarão os seus intentos.
E eu me lembrarei de que permanecer na fé, na integridade e na justiça foi a escolha que me sustentou.
Meus olhos contemplarão que a Tua palavra é justa e verdadeira;
não há tempo que a invalide, pois tudo se cumpre no momento determinado.
Antes de raiar o sol, chegará a notícia e a confirmação,
e saberei que se cumpriu aquilo que disseste.
Por isso, eu Te louvo, Senhor, porque és fiel em tudo o que prometes e justo em todos os Teus caminhos.”
Salmos
Composição: Furtado, Brunno
Data: 31/03/2026
Eternamente eu irei para o banho e o shampoo estará no fim. Então escreverei sobre a minha desgraça, e, depois, escreverei sobre os meus escritos, eternamente. É a tirania do momento. Este instante foi, é, será toda a minha vida. É a consciência do limite, que não pode ser ultrapassado. O momento não termina nunca, por isso é muito difícil de ser percebido.
Falei para o psiquiatra que estava bem, que a minha vida estava ótima. Perguntei-lhe se ele podia me ajudar.
Droga
A minha casa eu conheço há tempos. E ela sempre fica maior. Já sonhei sonhos de álcool, mas ao primeiro gole eu vi que não era nada disso, era algo deprimente até na alegria forçada. Como se eu fosse uma múmia química ganhando a consciência da minha pequenez e do enjoo misturado com a tontura. Parei por aí e deixei as drogas antes de começar a usá-las. A minha droga é a imaginação e a sensibilidade. Os sonhos que me vêm da massa de árvores verdes acinzentadas. Das manchas do teto e daquele facho de luz quando estou na cama e olho para cima e vejo que é Deus.
Sim, Deus vem toda a noite por sobre a minha cama e toma a forma de um triângulo de luz amarela, silencioso e imutável. É um raio de luz, e eu sei que é Deus. Poderia ser qualquer outra coisa, mas quando eu levanto os olhos ele se revela e fico a pensar e admirar a sua imperfeição. As noites de insônia são muito estimulantes. Eu viajo e mantenho contato telepático com a pessoa ao lado. Uma vez eu pensei que dormia ao lado de um demônio, e eu tinha razão. Que saudades do súcubo!
