Animais de Estimação Cachorro
Os animais, assim como as crianças, precisam apenas de um pouco de amor e carinho para serem felizes.
SENSAÇÕES DOS ANIMAIS À LUZ DO ESPIRITISMO
UMA ANÁLISE DOUTRINÁRIA FUNDAMENTADA EM ALLAN KARDEC E NAS OBRAS COMPLEMENTARES DA LITERATURA ESPÍRITA.
* " Basta olharmos toda criação e fazermos uma íntima análise e sem nos faltar empatia obteremos muito em confirmação do que esses venerandos Espíritos nos apresentam. "
* Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Antes de adentrarmos no assunto um ponto importante: o texto-base para a apresentação da análise reúne passagens da Revista Espírita de julho de 1860, contendo comunicações atribuídas ao Espírito Charlet. Na metodologia kardequiana, essas comunicações devem ser lidas como opiniões espirituais submetidas ao controle universal do ensino dos Espíritos, e não como tendo a mesma autoridade doutrinária de O Livro dos Espíritos. Assim, convém utilizá-las em harmonia com a Codificação, especialmente com as questões 592 a 607 de O Livro dos Espíritos, evitando conclusões que ultrapassem aquilo que Allan Kardec consolidou como ensino doutrinário.
SENSAÇÕES DOS ANIMAIS À LUZ DO ESPIRITISMO
UMA ANÁLISE DOUTRINÁRIA FUNDAMENTADA EM ALLAN KARDEC E NAS OBRAS COMPLEMENTARES DA LITERATURA ESPÍRITA.
A maneira como os animais sentem, percebem o mundo e participam da obra da Criação sempre despertou o interesse da Filosofia, da Ciência e da Religião. Durante séculos, predominou a ideia de que os animais seriam simples máquinas biológicas, incapazes de experimentar sentimentos ou possuir qualquer princípio inteligente. O Espiritismo, porém, inaugurou uma compreensão muito mais ampla, racional e profundamente moral dessa questão.
Ao codificar a Doutrina Espírita, Allan Kardec afastou tanto o materialismo, que reduz o animal a um mecanismo orgânico, quanto a antiga metempsicose, que admitia a transmigração da alma humana para corpos animais. Em seu lugar, apresentou uma explicação coerente com a justiça divina, demonstrando que toda a Criação obedece à lei universal do progresso.
As comunicações publicadas na Revista Espírita de julho de 1860, atribuídas ao Espírito Charlet, ampliam essa reflexão ao descreverem os animais como seres igualmente inseridos na marcha evolutiva do Universo. Entretanto, o próprio método kardequiano recomenda que tais instruções sejam sempre confrontadas com o ensino geral da Codificação, preservando o equilíbrio doutrinário.
O PRINCÍPIO INTELIGENTE NOS ANIMAIS.
Em O Livro dos Espíritos, Parte Segunda, Capítulo XI, Allan Kardec dedica diversas questões ao estudo dos animais.
Na questão 592, os Espíritos ensinam:
"Os animais têm uma linguagem."
Acrescentam que essa linguagem corresponde às necessidades de sua existência, sendo limitada pelo grau de suas ideias.
Kardec observa que é evidente que os animais possuem meios próprios de comunicação, expressando medo, alegria, afeto, sofrimento, advertência e inúmeras outras sensações. Basta uma observação cuidadosa para perceber que os animais estabelecem vínculos sociais complexos e manifestam emoções claramente identificáveis.
Essa constatação elimina qualquer hipótese de que os animais sejam simples autômatos privados de sensibilidade.
SENSAÇÃO, INSTINTO E INTELIGÊNCIA.
Uma das maiores contribuições da Codificação consiste em distinguir instinto, inteligência e razão.
Na questão 597, os Espíritos esclarecem que o animal não possui pensamento refletido semelhante ao humano. O instinto predomina em sua existência.
Isso não significa ausência de inteligência.
Ao contrário.
Existe uma inteligência adaptada às necessidades de conservação, reprodução, alimentação, defesa e convivência.
Essa inteligência manifesta-se através do princípio inteligente em desenvolvimento.
O animal aprende pela experiência.
Reconhece pessoas.
Recorda acontecimentos.
Desenvolve hábitos.
Demonstra preferências.
Manifesta medo.
Sofre perdas.
Expressa alegria.
Tudo isso constitui um conjunto de sensações reais, embora ainda não alcance o livre-arbítrio moral característico do Espírito humano.
AS SENSAÇÕES SÃO REAIS.
O Espiritismo afirma categoricamente que os animais experimentam dor física e sofrimento emocional.
Seu organismo nervoso responde aos estímulos materiais.
Seu princípio inteligente registra experiências.
Seu envoltório espiritual conserva impressões adquiridas ao longo da existência.
Assim, quando um animal sofre violência, abandono ou maus-tratos, esse sofrimento não constitui mera reação mecânica.
Existe uma experiência sensível correspondente ao grau evolutivo em que se encontra.
Da mesma forma, carinho, proteção e convivência harmoniosa também representam aquisições importantes para seu progresso.
A EVOLUÇÃO DOS ANIMAIS.
A questão 603 de O Livro dos Espíritos esclarece que os animais igualmente seguem a lei do progresso.
Esse progresso, entretanto, difere profundamente daquele vivido pelo Espírito humano.
Enquanto o homem evolui mediante escolhas conscientes e responsabilidade moral, o animal progride predominantemente pela ação das leis naturais.
Sua evolução ocorre lentamente.
Cada experiência amplia suas possibilidades futuras.
Cada existência acrescenta novos elementos ao desenvolvimento do princípio inteligente.
Nada permanece estacionário na Criação.
Tudo avança.
Tudo progride.
Tudo obedece à sabedoria divina.
A CONTRIBUIÇÃO DA REVISTA ESPÍRITA DE 1860.
As dissertações do Espírito Charlet apresentam uma visão profundamente moral da relação entre homem e animal.
O Espírito destaca que muitos animais suportam pacientemente sofrimentos impostos pela brutalidade humana.
Afirma que Deus, sendo infinitamente justo, não deixa sem compensação qualquer criatura que padeça injustamente.
Outro aspecto digno de reflexão consiste na afirmação de que o progresso também alcança os animais, tornando-os gradualmente mais aptos à convivência harmoniosa com o homem.
Charlet descreve igualmente mundos mais adiantados, onde os animais revelariam maior desenvolvimento intelectual e comportamental, convivendo em perfeita ordem com os Espíritos superiores.
Embora tais informações pertençam ao campo das comunicações espíritas e devam ser analisadas com prudência metodológica, elas permanecem em plena concordância com o princípio kardequiano da evolução universal.
A GÊNESE E A INTELIGÊNCIA INSTINTIVA.
Em A Gênese, capítulo XI, Allan Kardec reafirma que os animais possuem inteligência instintiva.
Sua consciência existe de maneira restrita.
Não alcança ainda a reflexão moral.
Entretanto, não pode ser confundida com ausência de sensibilidade.
A inteligência animal dirige todas as funções necessárias à conservação da vida.
Essa inteligência representa etapa indispensável da evolução do princípio inteligente.
LÉON DENIS E A ALMA EM ASCENSÃO.
Léon Denis amplia essa compreensão em O Problema do Ser, do Destino e da Dor.
Segundo o eminente consolidador da obra kardequiana, o animal sofre muito mais do que normalmente imaginamos.
Ama.
Reconhece.
Experimenta alegria.
Vivencia tristeza.
Desenvolve afeição.
Sua alma encontra-se em estado inicial de evolução, preparando-se lentamente para etapas superiores.
Essa interpretação permanece inteiramente coerente com o pensamento desenvolvido por Allan Kardec.
ANDRÉ LUIZ E O PERISPÍRITO DOS ANIMAIS.
Em Evolução em Dois Mundos, André Luiz ensina que o perispírito animal registra continuamente as experiências vividas.
As sensações físicas.
Os impulsos emocionais.
As reações instintivas.
Tudo constitui patrimônio evolutivo.
Essas aquisições sucessivas colaboram para o aperfeiçoamento gradual do princípio inteligente.
A evolução jamais ocorre por saltos.
Tudo se desenvolve segundo as leis imutáveis estabelecidas pelo Criador.
EMMANUEL E A FRATERNIDADE UNIVERSAL.
Em O Consolador, Emmanuel define os animais como nossos irmãos em ascensão.
Essa expressão resume admiravelmente a posição espírita.
Os animais não ocupam posição inferior por condenação.
Também não existem apenas para servir ao homem.
São criaturas de Deus.
Participam da mesma obra universal.
Caminham para destinos cada vez mais elevados.
Por isso, merecem respeito, proteção e misericórdia.
O ESPIRITISMO E A CIÊNCIA CONTEMPORÂNEA.
As pesquisas atuais em etologia, neurociência e comportamento animal confirmam numerosos aspectos observados por Allan Kardec há mais de um século e meio.
Hoje sabemos que diversas espécies demonstram:
Reconhecimento individual.
Aprendizagem complexa.
Empatia.
Luto.
Cooperação.
Memória duradoura.
Capacidade de resolver problemas.
Expressões emocionais variadas.
A Ciência descreve os mecanismos biológicos dessas manifestações.
O Espiritismo amplia essa compreensão, ensinando que tais experiências possuem igualmente significado espiritual, contribuindo para a evolução contínua do princípio inteligente.
O DEVER MORAL DO HOMEM.
Reconhecer a sensibilidade dos animais impõe responsabilidades.
Toda crueldade representa grave violação da lei de amor.
Toda violência gratuita constitui abuso da superioridade intelectual concedida ao homem.
O verdadeiro progresso espiritual manifesta-se também na maneira como tratamos aqueles que dependem de nossa proteção.
Quanto mais elevada a inteligência, maior deve ser a compaixão.
Quanto maior a força, maior a responsabilidade.
O Cristo ensinou a misericórdia para todas as criaturas.
O Espiritismo amplia esse ensinamento ao demonstrar que toda a Natureza participa da mesma obra divina.
CONCLUSÃO.
A Doutrina Espírita apresenta uma das mais belas concepções acerca dos animais.
Eles não são máquinas biológicas.
Não possuem ainda a razão moral do homem.
Também não são Espíritos humanos reencarnados.
Constituem princípios inteligentes em marcha evolutiva, dotados de sensibilidade, inteligência instintiva e capacidade progressiva de adquirir experiências.
Suas dores são reais.
Seu afeto é verdadeiro.
Suas emoções participam da grande lei do progresso.
Ao respeitarmos os animais, respeitamos igualmente a sabedoria do Criador, que nada fez inútil e conduz toda a Criação, desde os seres mais simples até os Espíritos mais elevados, pela mesma lei eterna de amor, justiça e progresso.
FONTES:
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Parte Segunda. Capítulo XI. Questões 592 a 607.
Allan Kardec. A Gênese. Capítulo XI.
Allan Kardec. Revista Espírita. Julho de 1860. "Dos Animais". Comunicações do Espírito Charlet.
Léon Denis. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Capítulo II.
André Luiz, psicografia de Chico Xavier. Evolução em Dois Mundos. Primeira Parte.
Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. O Consolador. Questão 79.
REFLEXÃO:
"Quando aprendemos a enxergar nos animais os primeiros degraus da inteligência criada por Deus, compreendemos que a verdadeira superioridade humana não consiste em dominá-los, mas em protegê-los com amor, justiça e misericórdia."
#Espiritismo #AllanKardec #LivroDosEspíritos #RevistaEspírita #Animais #EvoluçãoEspiritual #PrincípioInteligente #DoutrinaEspírita
Os animais tendem a comer com o estômago; o ser humano, com o cérebro.
"A alma não precisa de legenda quando a energia é pura; bebês e animais não leem palavras, eles decifram o espírito, e se eles se aproximam sem medo, é porque reconheceram em você um porto seguro que a maldade do mundo ainda não conseguiu corromper."
Muitas das vezes, nossas felicidades residem no saltitar de alegria dos animais pequeninos domésticos, demonstradas por estes seres dóceis que vivem transbordando amores, para nos quando estamos próximos ou chegando em casa, após um dia exaustivo.... pra que mais.
Os homens são como os animais, cada homem ou grupo se identifica e é atraído pelo cheiro que lhe é peculiar.
A que animal te assemelhas, a que grupo pertences?
Aos abutres, às hienas, "políticos e religiosos," sindicalistas, associações, agremiação e grupos afins, que vivem a comer carne podre de animais mortos?
Ou pertences ao grupo de espíritos criadores: Arquitetos, professores, construtores, artistas de toda sorte, poetas, escritores, fazedores do amanhã, às abelhas laboriosas da esperança?
Evan do Carmo
“Os animais foram criados
pela mesma mão caridosa de
Deus que nos criou é nosso
dever protegê-los e promover
o seu bem-estar.”
Madre Teresa de Calcuta
"O ser humano se comunica
com palávras, mas os animais
com olhares e gestos, são perfeito
seentendendo e nos compreendendo também.Muitas vezes as palavras
ferem, trazem, mágoas e discordias
sem volta, talvez seja por isso que,
Nem sempre falar mais é o melhor
diálogo"
"Não devemos comparar o ser
humano com os animais pois,
eles nascem e morrem inocentes
e os seres humanos vão mudando conforme o tempo passa e quando
morre leva conta pra pagar.
Milton Cavalcanti
A PALAVRA “QUASE” RESPONDIDA A KARDEC: A QUESTÃO DOS ANIMAIS, O PRINCÍPIO INTELIGENTE E O BOM SENSO DIANTE DOS FATOS ESPIRITUAIS.
Marcelo Caetano Monteiro.
Há temas dentro do estudo espírita que exigem mais do que opiniões rápidas: exigem leitura integral das fontes, análise histórica, compreensão filosófica e, sobretudo, o mesmo método que Allan Kardec utilizava diante dos fenômenos: observar, comparar, analisar e aguardar o amadurecimento das conclusões.
Entre esses temas encontra-se a questão da sobrevivência do princípio inteligente dos animais após a morte física. Muitos negam qualquer possibilidade de continuidade espiritual ligada aos animais, utilizando apenas uma interpretação superficial de algumas respostas de O Livro dos Médiuns. Entretanto, o próprio Kardec demonstra que determinados assuntos não devem ser encerrados precipitadamente, pois o conhecimento espiritual também possui etapas de desenvolvimento.
A chave para compreender esse assunto está em uma palavra aparentemente simples, mas profundamente significativa:
QUASE.
A QUESTÃO 600 DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS: O SENTIDO DO “QUASE IMEDIATAMENTE”
Em 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec apresenta a questão 600:
“Depois da morte do animal, o princípio inteligente que nele havia se acha em estado latente e é logo utilizado quase que imediatamente, por certos Espíritos incumbidos disso, para animar novos seres, em os quais continua a obra de sua elaboração.”
A resposta afirma que o princípio inteligente dos animais é aproveitado rapidamente para novos processos evolutivos.
Mas é necessário observar cuidadosamente: a ideia não é apresentada como um desaparecimento absoluto do princípio inteligente, mas como uma continuidade evolutiva em outro estágio.
E aqui surge uma palavra fundamental:
QUASE.
Se a resposta fosse “imediatamente”, indicaria uma transição automática, sem qualquer intervalo ou condição intermediária. Porém, ao utilizar a ideia de algo que ocorre “logo” ou “quase imediatamente”, abre-se uma margem filosófica importante: existe uma passagem, um estado de transição, um período intermediário.
A palavra “quase” demonstra que Kardec não estava tratando de um mecanismo simples e matemático, mas de um processo da Natureza, envolvendo leis espirituais ainda não totalmente conhecidas.
O próprio codificador do Espiritismo jamais transformou aquilo que estava em estudo em dogma fechado.
O LIVRO DOS MÉDIUNS: UM NOVO MOMENTO DE INVESTIGAÇÃO.
Em 1861, Kardec publica O Livro dos Médiuns, obra dedicada ao estudo das manifestações espirituais.
No capítulo XXV, item 283, encontramos a análise sobre:
“Evocações dos animais.”
Ali aparece a orientação:
“Depois da morte do animal, o princípio inteligente que nele havia se acha em estado latente e é logo utilizado...”
A princípio, alguns interpretam essa passagem como uma negação definitiva de qualquer manifestação espiritual relacionada aos animais.
Contudo, é preciso compreender o método de Kardec.
O assunto não terminou em 1857.
Em 1865, na Revista Espírita, Kardec volta ao tema diante de um fato novo: uma comunicação envolvendo uma cadela chamada Mika, relatada por um correspondente de Dieppe.
E qual foi a postura de Kardec?
Ele poderia simplesmente negar.
Poderia afirmar:
“Isso é impossível, a questão já está resolvida.”
Mas não fez isso.
O MÉTODO DE KARDEC: NEM CREDULIDADE, NEM NEGATIVISMO.
Kardec escreve, diante do caso:
“Nosso honrado correspondente faz bem em não considerar definitivamente resolvida a questão. De um fato único, que além disso não passa de uma probabilidade, ele não tira uma conclusão absoluta.”
Essa frase revela o verdadeiro espírito científico de Kardec.
Ele não aceita qualquer fenômeno sem análise.
Mas também não rejeita um fato apenas porque ele parece contrariar uma compreensão anterior.
Esse equilíbrio é uma das maiores marcas do pensamento kardecista.
O verdadeiro investigador não diz:
“Já sei tudo.”
Ele diz:
“Examinemos.”
O ANO DE 1865: UM PONTO NOVO PARA REFLEXÃO.
O caso estudado em 1865 representa um momento posterior à publicação de O Livro dos Médiuns.
Portanto, não se trata de ignorar o que Kardec havia publicado anteriormente, mas de compreender que o próprio método espírita admite o aprofundamento progressivo.
A ciência humana funciona assim.
Uma descoberta posterior não destrói necessariamente um conhecimento anterior; ela pode ampliá-lo, refiná-lo ou demonstrar que determinados aspectos ainda necessitam de investigação.
Foi exatamente essa atitude que Kardec adotou.
Ele afirma na Revista Espírita:
“A questão do princípio e do fim do Espírito dos animais apenas começa a surgir.”
Essa declaração é extremamente importante.
Kardec não disse:
“Tudo está definitivamente encerrado.”
Ele reconheceu que havia uma questão em desenvolvimento.
O PONTO CENTRAL:
NÃO EXISTEM ESPÍRITOS DE ANIMAIS COMO ESPÍRITOS HUMANOS ERRANTES.
O ensino predominante. apresentado por Kardec é claro:
Não existem, no mundo espiritual, animais desencarnados vivendo em uma condição semelhante à dos Espíritos humanos.
O animal não possui o mesmo desenvolvimento intelectual e moral do ser humano.
Por isso, não se pode atribuir ao animal uma comunicação mediúnica humana, com linguagem, raciocínio e elaboração de ideias equivalentes.
A comunicação apresentada por um animal, como se fosse um Espírito humano, deve ser analisada com cautela.
Kardec alerta contra as aparências:
“Evoca um rochedo e ele te responderá.”
Ou seja: uma manifestação pode ocorrer através de um Espírito que assume determinada forma ou identidade para responder ao evocador.
O fenômeno mediúnico exige discernimento.
MAS A QUESTÃO NÃO É TÃO SIMPLES.
O próprio Kardec reconhece que existem fatos envolvendo animais que merecem estudo.
Ele afirma:
“Se os animais veem os Espíritos, evidentemente não é pelos olhos do corpo. Então, também eles têm uma espécie de visão espiritual.”
Aqui encontramos um ponto profundo.
Se existe percepção espiritual nos animais, então existe uma dimensão além da simples matéria.
A questão deixa de ser:
“O animal possui espírito igual ao homem?”
A resposta é: não.
A questão passa a ser:
“Como ocorre o desenvolvimento do princípio inteligente na escala da criação?”
E essa é uma pergunta muito mais ampla.
A AFINIDADE ENTRE O HOMEM E O ANIMAL.
Na comunicação apresentada em Paris, em 21 de abril de 1865, surge uma reflexão sobre os laços entre animalidade e humanidade.
O texto aponta para uma continuidade evolutiva, onde existem fases intermediárias e períodos de transformação.
A ideia central é que a Natureza não trabalha com rupturas absolutas, mas com processos graduais.
A evolução espiritual não seria um salto inexplicável, mas uma longa construção.
O animal não é um homem incompleto.
O homem, porém, representa uma etapa superior no desenvolvimento do princípio inteligente.
A IMPORTÂNCIA DA PALAVRA “QUASE”
A palavra “quase” impede interpretações rígidas.
Ela nos lembra que estamos diante de um processo espiritual complexo.
O princípio inteligente animal não permanece indefinidamente como Espírito individualizado semelhante ao humano, mas também não devemos transformar a expressão “logo utilizado” em uma negação de qualquer possibilidade de estados intermediários.
A própria investigação de Kardec em 1865 demonstra prudência:
Não afirmar além dos fatos.
Não negar além das evidências.
CONCLUSÃO:
O VERDADEIRO ESPÍRITO KARDECISTA É O DA INVESTIGAÇÃO.
Negar rapidamente uma possibilidade espiritual porque ela parece desconfortável não é o método de Kardec.
Aceitar tudo sem exame também não é.
O caminho espírita é o caminho do equilíbrio:
Razão iluminando a fé.
Observação guiando a conclusão.
Humildade diante das leis da Natureza.
A questão dos animais permanece como um convite à reflexão sobre a grandiosidade da criação.
O Espiritismo não apresenta um universo fragmentado, onde a vida humana está isolada do restante da existência.
Ele apresenta uma marcha ascendente do princípio inteligente, em uma obra divina onde cada ser participa do desenvolvimento universal.
E talvez a maior lição esteja justamente na palavra aparentemente pequena:
QUASE. Porque, no estudo das leis espirituais, muitas vezes uma única palavra revela que a sabedoria ainda está em movimento.
FONTES:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 18 de abril de 1857. Questão 600.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 1861. Capítulo XXV — Das Evocações. Item 283 — Evocações dos animais.
KARDEC, Allan. Revista Espírita. Maio de 1865. “Manifestação do Espírito dos Animais.”
KARDEC, Allan. Revista Espírita. Junho de 1860. “O Espírito e o cãozinho.”
KARDEC, Allan. A Gênese. Capítulo XI — Gênese espiritual.
A imposição de teorias de que o ser humano descende de animais serve para enfraquecer a fé e combater a adoração a Cristo nas instituições de ensino.
Por que crueldade com os animais?
Um ser frágil que mata sua própria espécie, um ser ignorante que trata vidas com indiferença. ..simples assim. ..Não pode ser chamado de ser humano.
Poeta é aventureiro,
não quer nem saber de dinheiro,
vive igual os animais,
tanto fez e tanto faz,
só quer viver em paz!
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