Angústia
O ser humano passa boa parte da vida tentando evitar a angústia, sem perceber que ela talvez seja uma das experiências mais honestas da consciência. A angústia surge justamente quando entendemos que nenhuma estrutura — social, cultural ou moral — pode decidir completamente por nós. É o instante em que percebemos que a liberdade não é leve como imaginávamos, mas profundamente responsável.
A ironia da condição do homem está em que a mais profunda necessidade é livrar-se da angústia da morte e do aniquilamento; mas é a própria vida que a desperta e, por isso, temos que nos recusar a ser plenamente vivos.
(Ernest Becker)
“O que angustia nem sempre é perder algo; às vezes, é não saber o que fazer diante do que se deseja.”
Antidepressivo não cura a angústia; ele apenas a disfarça, a controla, a anestesia momentaneamente.
A cura da angústia é ter a consciência de que leva uma vida angustiante, deprimente, triste.
E ter consciência é mudar a vida ruim que leva.
Mudar a vida angustiante que leva é se analisar, buscar o autoconhecimento, é questionar, olhar para dentro de si mesmo, é reconhecer os verdadeiros valores da vida, é mudar: mudar as crenças, os hábitos, as atitudes, as ideias, os pensamentos. Mudar o jeito que vive, é mudar de vida!
Às vezes, é mais difícil aceitar o amor do que aceitar a angústia; então aceito a angústia e sinto o amor.
Não é a angústia que você não sabe lidar; é com sua própria paz, com sua própria alegria, com seu próprio amor; está apenas reprimindo quem você é; aceite-se.
Questione a angústia;
Questione-se: o que é angústia? por quê? como? qual o sentido da angústia?
Questione até a angústia não fazer sentido nenhum.
Aquele sentimento de angústia, na verdade, é paz. Uma paz que sua mente, por pensar demais, está evitando de sentir. Ao tentar lidar com tantos pensamentos e preocupações, você acaba se distanciando dessa sensação de tranquilidade interior.
Aceite, entenda e permita-se sentir essa angústia, sem medo. Foque nele, sinta-o dentro de seu peito, bem profundo. Desprenda-se da razão e das distrações do mundo ao seu redor. Conecte-se com o sentimento dentro de si, sem pressa ou resistência.
E ao fazer isso, você perceberá que, no fundo, esse angústia nada mais é do que a paz que sempre esteve com você. Ela estava ali o tempo todo, apenas esperando que você parasse para reconhecê-la.
Quando se sentir angustiado, permita-se sentir essa angústia. Dê atenção a ela, concentre-se nesse sentimento. Desfoque do mundo externo e, ao invés disso, foque no que está no centro do seu peito. Ouça o que essa sensação tem a dizer. Você perceberá que, muitas vezes, o que falta é um pouco mais de atenção de sua parte para com você mesmo, para com o seu próprio sentimento, para com o seu eu interior.
A angústia é apenas um alerta de que você precisa mudar.
Mudar a forma em que vive, mudar os pensamentos, atitudes, comportamentos, ideias, visão de mundo, ambientes, pessoas, crenças. Mudar tudo o que não tem mais sentido na sua vida. Mudar aquilo que você já percebe, mesmo que não queira admitir, que não funciona mais.
Caso não mude, a angústia vai continuar lá, tentando te alertar para mudar de vida. Às vezes ela vem em forma de hiperventilação, falta de ar, sufocamento, ansiedade, síndrome do pânico, depressão. Às vezes você acha que tem algum problema no coração, no estômago, ou que está ficando cego, ou que tem um tumor ou câncer, acha que vai morrer. Às vezes você se sente esgotado, cansado ao extremo, ou acha que está ficando doido. Ela vem em forma de insônia, vazio, tristeza, estresse emocional.
A angústia vem de várias formas. Quantas vezes você já não ouviu relatos de pessoas achando que têm algum problema de saúde e, ao chegar no hospital, não acham nada? É angústia acumulada. É o seu sentimento tentando te alertar que a vida que você está vivendo não está fazendo bem. É um sinal óbvio de que algo precisa mudar.
Mas, mesmo assim, você resiste ao que precisa mudar. Você se auto sabota, tenta se distrair, finge que está tudo bem, usa todos os recursos possíveis para continuar igual. E nisso cria conflitos internos constantes, que se repetem todos os dias. Você sente, sabe, mas não muda. E quanto mais resiste, mais a angústia cresce, porque o alerta continua ativo.
E a maior dificuldade que as pessoas têm de mudar é o medo do que vão pensar ou achar. Medo da família, dos amigos, das pessoas próximas. Medo de julgamento, de rejeição, de não ser aceito. Esse medo prende, trava e mantém tudo como está, mesmo quando está ruim.
O problema de todo esse medo da mudança é exatamente isso: o medo do que vão achar, do que vão pensar ou do que podem fazer contra você caso mude. E por causa disso, a pessoa continua vivendo uma vida que não quer, apenas para manter a aprovação dos outros.
Mas é melhor lidar com as consequências de viver livre, sendo quem você realmente é, do que continuar preso, vivendo algo que você não é. Porque viver preso também tem consequências, e elas aparecem na forma de angústia.
No fim, a angústia não está contra você. Ela está te alertando. Enquanto você não muda o que precisa ser mudado, o alerta continua. Quando você entende o alerta e muda sua vida, a angústia deixa de ser necessária.
A angústia te ensina que você precisa mudar.
Veja bem, quantas vezes, do nada, você sente um surto? Ou fica com falta de ar? Depois muda e sente um aperto no peito. Depois muda e sente tristeza. Depois muda e sente um vazio. Depois muda e sente ódio. Depois muda e começa a chorar. Depois muda e acha que tem algum problema na cabeça. Depois muda e sente que tudo parece irreal. Depois muda e sente isso, sente aquilo, e assim por diante.
Isso é a angústia. Ela vive mudando de forma. Você tenta ignorá-la de um jeito, ela aparece de outro. Sabota um sentimento, e ela encontra outra maneira de se manifestar. Você passa o tempo todo tentando controlar o que sente, mas os "conflitos internos" nunca passam. E por quê? Porque a angústia está tentando te mostrar que você precisa mudar.
Até a angústia muda. E por que você não muda? Porque tem medo. Medo do que pode perder. Medo de se afastar de pessoas às quais se apegou. Medo de mudar os pensamentos que sustentou por tanto tempo. Medo de sair da rotina, da zona de conforto. Medo de abrir mão de tudo aquilo que, mesmo te fazendo mal, ainda te prende.
Então, em vez de mudar, você se apega às angústias. Prefere suportá-las a enfrentar a mudança. Mas a mudança é necessária. Mudar a forma como vive. Mudar os pensamentos. Mudar os sentimentos. Mudar os valores. Mudar as ideias. Mudar os lugares por onde anda. Mudar a si mesmo.
Enquanto você não muda, suas angústias continuarão mudando. Ou seja, mude.
A angústia é apenas quando estou evitando minha própria paz no momento daquela situação, ou seja, reprimindo um sentimento que é bom em mim mesmo. Agora, aceitando minha paz no momento da situação, indiferente de qual situação, eu me sinto em paz e a angústia perde o sentido e some.
Conflitos internos constantes na vida (ansiedade, angústia, estresse, etc) estão ligados em três coisas:
A vida não sai do jeito que você quer – Se você tenta e nada muda, é porque ainda não mudou direito. Mas se mesmo mudando tudo, ainda não fica como você quer, então o negócio é aceitar. Porque tem coisas que não dependem só de você.
Traumas que passou – Se já passou, passou. O problema é que fica aquela coisa pendente na mente, aquela ferida que não fecha. E pra fechar, só tem um jeito: aceitar o que aconteceu. Não é esquecer, é deixar de sofrer por isso. Perdoar (os outros ou você mesmo) e seguir em frente.
Pressão do dia a dia – Pressão é igual bomba: se você não sabe lidar, explode. Se toda hora algo te pressiona e você não aguenta, tem que mudar – sair dessa situação, cortar o que te sufoca. Mas se mesmo mudando a pressão continua, aí o jeito é aceitar sem se abalar. Não deixar que te afete. Ser frio, indiferente, não ligar pra cobrança – seja dos outros ou da sua própria cabeça.
O que te segura? Medo e Zona de Conforto
Pra mudar ou aceitar, precisa de atitude e coragem. Mas o que trava você é:
Medo (de dar errado, de perder, de não ser bom suficiente).
Zona de conforto (mesmo sofrendo, é mais fácil ficar onde está).
Só você sabe o que te prende. E só você pode decidir se toma atitude ou se conforma.
No fim, a escolha é sua
Nenhum conflito some sozinho. Ou você toma atitude e muda, ou aceita o que não pode mudar. Mas uma coisa é certa: enquanto o medo mandar, você vai continuar travado.
