Amor Triste
Viagem (Walmir Palma)
Já não me estresso com o ruído de um motor
Se aumentam o volume do televisor
Se enquanto eu canto você conta
Se deito e você se levanta
Já não me espanta qualquer filme de terror
Enquanto leio pensamentos de Foucault
Você enterra os olhos no computador
Essa canção se espalha pelas ruas
Entre os que buscam no clarão das luas
Outra maneira de curar tamanha dor
Eu plantei meus fícus
Escrevi meu livro
Eu já tenho um filho, meu amor
Tudo é passagem
Fiz minha viagem
Eu vindo e na volta eu vou
Já não me irrita uma canção que é só tambor
Se em vez de abajur preferem refletor
Ou vendem ilusões de luz neon
Se poucos leem o Drummond
Se a tolice insiste liga o reator
Nem o silêncio dos gurus adiantou
A natureza está mostrando o seu tumor
Quando ela grita eclodem seus vulcões
Seu choro inunda civilizações
Não tem senhor, não há remédio seu doutor
Vejo cataclismos
Rescindirem sismos
Quanta indiferença meu amor
Sobra incompetência
Tanta imprudência
O poder não tem nenhum pudor
O pior aconteceu
A história se repete
Temo estar frio outra vez
O passado remete
Meu romantismo se perdeu
Diante de tudo que a vida me fez.
Não espere meu sorriso
Não prometo companhia
Tudo agora é melancolia
Reflexo de decisões minhas.
Aprecio algumas amizades
Que me confortam no meio da dor
Mas creio sucumbir sem piedade
Deixando tudo de lado, até o amor.
As palavras ainda se perdem na mente
Culpa das situações vividas recentemente
Meus pensamentos me levam ao fracasso
Prisão que escolhi entrar
Talvez minha alma ainda grite
Na esperança de alguém me encontrar
Mas já excedi meu limite
Então não tente me perturbar
Um lúcido só se faz de louco,
Quando é assim que ele quer estar.
A nossa história de 30 anos juntos,
não se acaba aqui, não se acaba assim...
A morte que nos separou agora, é a mesma
que irá nos reencontrar. O meu amor por você é tão grande, que vive em nossos filhos, que irei criar à sua semelhança, com caráter , hombridade e retidão. E quando a minha missão cumprida estiver, em teus braços, irei me aconchegar. Que eu suporte os dias de saudade e as noites de dolorosa solidão...até o dia em que finalmente, contigo, de novo, irei estar.
Para Márcio Miguel Zorio, meu esposo falecido em 17/07/2016.
Rindo à toa das falsas lembranças, das mentiras ditas, das verdades não ditas, do sentimento desvalorizado e do eu sequestrado. Restou apenas rir, rir de mim, de você e de nós.
Ninguém, sabe, mas dói!
Dói mesmo quando estou rindo, mesmo quando aparento estar feliz, mesmo quando aperta demais a saudade mas eu preciso fingir que estou bem.
Mas eu não estou!
Porque quando Deus nos leva um grande amor, uma parcela da vida da gente vai junto.
Enterramos uma parte de nós, de nosso coração, da nossa felicidade, da nossa certeza de que amanhã será um dia melhor.
Porque já não existem mais dias melhores.
Há apenas o passar das horas, a lembrança dos momentos vividos, a saudade do que nunca mais virá...
E sangra, e espreme a gente de dentro pra fora, e a gente sofre, chora, se agonia...
E o sorriso passa a ser só um artifício para se evitar perguntas, para se evitar as lágrimas nos olhos, a dor que sufoca e maltrata, maltrata e maltrata...
Porque não há cura para alguém que fica quando o outro se vai.
É metade da gente que se foi, mas o amor ficou...e a gente cuida, como se cuidam das feridas mal cicatrizadas.. como se cuida do que não queremos que morra também...
Dói, mas de alguma forma, a gente resiste, persiste e insiste em se manter de pé...
Afinal , a gente sabe que a dor será infinita, pois não se cura algo que nem é doença.
Porque como eu disse, é só amor... é só amor!
Eu estou cansado. Cansado de fingir, fingir que está tudo bem, fingir que estou feliz, fingir que o mundo é um sonho, sonho colorido, lindo, sem defeitos. As pessoas olham pra mim e vêem apenas alegria. Sabe por que elas vêem só isso? Porque é isso que eu demonstro, mas se elas olhassem no fundo dos meus olhos veriam o que eu sinto. Um tal de Alexander Lowen diz que " Os olhos são o espelho da alma." Se alguém olhasse nos meus olhos enquanto eu estampo um sorriso falso na cara, veriam o reflexo triste, e solitário. Escondido atrás daquele sorriso, mas ninguém faz isso. A minha frase é daquela cantora, que estava a frente do seu tempo. Maysa o nome dela! E a frase? A frase é essa "Sinto em mim vazio profundo, desamor pelo mundo, sinto falta de mim." Lendo está frase eu sei que mais alguém sente o mesmo que eu. Maysa sentia o mesmo que eu sinto, ou melhor, eu sinto o mesmo que Maysa sentia, eu a entendo.
Meu refúgio é escrever
Escrevo para não enlouquecer
Quero poder um dia
Sorrir, Como já sorri
Quero poder um dia
Ter amigos, como já tive
Quero poder um dia
Te amar, como já te amei
Quero poder um dia
Viver, como nunca hei podido viver.
O mundo é uma coisa louca, gira, gira e tem pessoas que continuam idiotas da mesma forma, não entendo mais nada!
...e é tão difícil entender e aceitar que amar
também rima com renunciar e fingir que tudo está
bem quando nada mais faz sentido...
Me sinto perdido e confuso, e não me refiro à localizações geográficas. Sei onde começo e conheço meus limites, mas ai que está o problema, conhecer faz de você um percepcionista. E no meio de tantos abismos, as portas e os corredores da sua alma tornam-se labirintos inexploráveis.
E foi assim, de repente, que você apareceu e entrou pela porta da frente.
Já no salão principal e sem cerimônias foi logo conhecendo todos os meus sentimentos.
O primeiro foi o medo, que desapareceu depois que se encantou com sua gentileza e seu abraço.
O segundo foi a solidão, que se levantou da mesa e foi embora quando ficou fascinada por seu carisma e educação.
O terceiro foi a tristeza, que sumiu ao se maravilhar com sua simpatia e senso de humor.
O quarto foi o tédio, que partiu sem deixar rastros depois de ficar impressionado com sua conversa cativante e inteligente.
O quinto foi a carência, que saiu de fininho
quando se deslumbrou com toda a atenção e carinho que recebeu.
E quando me dei conta, já não havia mais ninguém na festa. Éramos só nós dois, dançando juntos a música do amor, ao ritmo da batida dos nossos corações.
Sempre que alguém que eu amo morre, uma parte de mim vai junto. E ainda que o tempo passe e novos amores surjam, esse pedaço nunca volta, nunca regenera. Ele se vai pra sempre. E é assim que eu vou vivendo. Com meus buracos, com meus remendos, com minhas falhas.
Depois de um tempo sozinho, cada coisa ganha um novo nome e cada momento vem com um novo sentido. Por hora, a solidão me transforma em alguém que teme mais o amor do que a própria morte. No canto sozinho do meu quarto, as lagrimas rolam e criam uma cascata soturna...
Às vezes passamos uma vida inteira procurando por nossa alma gêmea e, inesperadamente quem estava procurando por nós é que nos encontra.
Acabou. É avassalador ouvir essa palavra de você. Penso: Queria você aqui, comigo, mas por milésimos de segundos penso que ter você por esse período da minha vida já foi bom. Quero deixar você ir, mas dessa vez de mim, pois em todo canto que reparo em mim há um pouco de você e por mais que eu queira te esquecer, eu sei, é impossível te deletar da minha mente por própria vontade. Não vou reclamar, você me fez sorrir, e os momentos bons superaram os ruins, e sim, agora você pode ir de mim, pois finalmente entendi, que o final das coisas me fez refletir e mudar mas do que no começo.Continuo te amando, mas sim, permito você ir de mim.
A vida,
como um acidente de carro
ou uma metáfora inexplicável,
perante a doença ou a cura.
Os sentimentos,
à mercê da perda ou da reconciliação,
do horror de jamais rever alguém
ou diante da felicidade de um abraço.
A dúvida de existir,
como um animal indefeso,
à espreita de um felino,
que voou tarde demais,
e foi amordaçado.
Por que você admira as penas,
se nem mesmo tentou salvar o pobre pássaro?
