Amor Recente
Me falaram: - Se a pessoa a qual ama se foi, procure outro amor. - Hum! Essa pessoa certamente nunca amou.
Uma vez me disseram: - Siga a sua vida que eu seguirei a minha, imediatamente eu pensei: - O amor é apenas isso? - Cheguei a conclusão de que: O amor é para alguns a essência e para outros a sobrevivência.
Que coisa feia, chamar de louca aquela que um dia já chamou de amor!
E coisa bonita foi o meu amor, que mesmo sabendo que me chamastes de louca para tantos, ainda assim, não neguei o teu amor.
Eu não vejo a hora de parar de escrever sobre o amor, estou me sentindo tão cheia e farta desse sentimento.
Quero escrever sobre ficção... Esse sim, é o meu verdadeiro lado.
Amor a gente não implora, dói ver alguém partindo nos partindo, mas implorar amor é falta de amor próprio. E isso eu senti na pele.
Sabe o que eu espero dessa vida? - Dinheiro! - Sim, cansei de esperar amor, parece que hoje em dia tudo tem um preço e se você não puder pagar... Meu amigo... Já sabe o final de tudo isso não é? - Tudo tem um preço e as pessoas são caras.
Ontem eu senti o sal de suas lágrimas, o peso do seu medo, o amor do seu amor, ontem eu senti sua essência... Eu enxerguei os seus sonhos, tão grandes e lindos, ontem eu observei o poder do seu sorriso, sim, ele é capaz de destruir um dragão. É a arma mais leve que atingiu meu coração.
Descobri o quanto o amor vale a pena. O amor vale! - Mesmo que para algumas pessoas seja a forma mais dolorida por não se ter mais... O amor não acaba e o sentimento valeu a pena, apenas por ter existido.
Para que
vivencies um grande amor,
com todos seus ingredientes,
estórias e afirmações que ele
seja capaz de te oferecer - aconselho
quecomecespelos pés... no chão!
O restante delegues à sensata
e paciente ação do
tempo!
"O amor é como um elástico sendo puxado por duas pessoas: quem soltar primeiro machucará o outro.." ( Mas você ficará com o Elástico! )
NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Nunca me disseram que a ausência de amor poderia cavar subterrâneos dentro da alma.
Apenas fui percebendo, dia após dia, que algo em mim se retraía sempre que o afeto era negado ou a presença me era retirada sem explicação. E assim nasceu o porão.
Um porão não se constrói de uma vez.
Ele começa como um canto escuro da memória, onde jogamos o que não sabemos lidar: o abandono, o desdém, as palavras não ditas, os olhares que desviaram de nós no instante em que mais precisávamos ser vistos.
E quando nos damos conta, já estamos vivendo ali dentro.
Silenciosamente.
No meu porão, não havia janelas.
Apenas lembranças repetidas como ecos:
“Você é demais.”
“Você exige muito.”
“Você espera o que ninguém pode dar.”
Um dia, desejei ser amado. Verdadeiramente.
E, em meu desejo, ofereci tudo o que havia guardado.
Entreguei minha sede, minha esperança, minhas cicatrizes.
Mas do outro lado, veio o silêncio.
Ou pior — uma rejeição educada.
E então, fiz o que aprendi a fazer: voltei para o porão.
Fechei a porta por dentro.
E culpei a mim mesmo por não ser digno das cores do outro.
Mas ali, no escuro, algo começou a mudar.
Percebi que a dor que tanto me esmagava, não era apenas pela ausência de amor…
Era pelo peso de ter construído minha identidade com base na validação alheia.
Era pela minha tentativa constante de provar que merecia ser amado.
E foi então que compreendi:
O porão não é um castigo.
É um chamado à reconstrução.
Um convite da alma para que deixemos de implorar luz dos outros… e comecemos a criar a nossa.
O arco-íris não se forma no porão porque não há janelas.
E não há janelas porque, por medo de sermos feridos, tapamos toda e qualquer fresta por onde o amor pudesse entrar — inclusive o próprio.
Agora eu sei.
Não é que ninguém quis me amar.
É que eu me abandonei na expectativa de ser salvo.
E a verdade é esta:
Não há arco-íris no meu porão…
porque fui eu quem escondeu o sol.
Mas hoje — hoje eu quero recomeçar.
Talvez eu ainda não saiba como abrir as janelas.
Mas já tenho nas mãos a chave do trinco.
E isso… isso já é luz.
Reflexão final:
Você não precisa de alguém que desça até os teus porões para te amar. Precisa, primeiro, ser quem decide não viver mais neles. A partir daí, tudo começa a mudar. O arco-íris não virá de fora. Ele nasce quando você ousa sentir orgulho da tua própria coragem — mesmo que ninguém esteja aplaudindo.
NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Capítulo II
— O Amor que Ninguém Vê.
“Há dores que têm nome de silêncio. Há amores que desfalecem no escuro.” Camille Monfort.
Ela ainda estava lá.
Não no tempo, nem na fotografia que amareleceu sobre o piano que já não toca mas em mim.
Nas dobras encharcadas da memória, onde até hoje a musselina da tua ausência dança, viva, como um véu de névoa sobre a ferida que não cicatrizou.
Teu nome, Camille, é agora um sussurro que me rasga por dentro —
e não há mais quem o ouça,
senão os fantasmas que deixaste quando partiste.
Nunca soube se foste amor ou febre.
Talvez um delírio.
Ou o último lampejo de beleza antes do colapso.
Tua presença era feita de sombra líquida, de olhos que atravessavam as paredes do mundo e diziam coisas que minha razão jamais soube traduzir.
Na tua boca morava um lamento antigo, como quem tivesse amado demais noutra vida e voltasse para cobrar os restos.
E eu —
tão sóbrio, tão lógico, tão homem —
me vi desfeito no avesso da razão.
Como se tua aparição tivesse escancarado em mim uma porta que dava não para o céu, mas para o porão da minha própria alma.
E lá, entre espelhos rachados e cartas nunca enviadas, te reconheci:
não como um anjo —
mas como a mulher espectro que me revelou tudo o que eu escondia de mim.
Foi amor.
Mas desses que ninguém vê.
Porque amar-te era uma doença sem nome,
um ritual sem altar,
uma febre que só ardia quando a cidade dormia.
Não, Camille, tu não foste feita para os olhos do dia.
Tu eras para ser lembrança,
para ser poema escrito com sangue no diário de quem nunca será lido.
E por isso permaneces viva —
não na realidade que nos negou,
mas nos reconditos mais obscuros de mim, onde ainda habita o menino que chorou quando você não veio.
O que mais dói não é o amor que acaba.
É o amor que ninguém viu ou sentiu nascer.
