Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade

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Esse cara sou eu.

Amar é coisa séria.
Estou por aí, aguardando um novo rostinho com um belo sorriso.
O olhar me seduz e induz ao errado, à confusão e a ilusão.
Sempre penso que tudo vai dar certo, e isso sempre falha.
A solidão dói mais do que pensei...
A carência em si parece desnecessária e cheia de "nove horas", mas não. Posso confirmar - não.
Nas pontas dos meus dedos em cima do teclado, escorrem dor e martírio. Está bem, um tanto quanto sem valor, mas cheia de verdades. As minhas verdades.
Depois de um amor não correspondido, não me comporto mais como antes...
Estou estranho, ansioso e cheios de esperanças despedaças.
Choro em qualquer canto de cômoda... Oh, que coisa mais melancólica e depressiva. Nem parece o desbravador da família portuguesa machista!
Chega de prosa, vou dormir e refletir. Depois acordo para um novo começo sem fim. Aquela mesma tortura diária cheia de "homendádes" que acabam com minha rotina. Ora, que belo saco de vida.

O amor é um egoísmo a dois.

O amor-próprio dos tolos desculpa o das pessoas inteligentes, mas não o justifica.

O amor é um poema essencialmente pessoal.

O nosso amor-próprio exalta-se mais na solidão: a sociedade reprime-o pelas contradições que lhe opõe.

O amor-próprio do tolo, quando se exalta, é sempre o mais escandaloso.

Mors Amor

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

Pode ferir-se o amor-próprio; matá-lo, nunca.

O verdadeiro amor só conhece a igualdade.

O nosso amor-próprio é muitas vezes contrário aos nossos interesses.

O amor começa pelo amor; não se pode passar de uma forte amizade senão para um amor fraco.

Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.

Os bens que a ambição promete são como os do amor, melhores imaginados que conseguidos.

A obstinação nas disputas é quase sempre efeito do nosso amor-próprio: julgamo-nos humilhados se nos confessamos convencidos.

É mais fácil perdoar os danos do nosso interesse que os agravos do nosso amor-próprio.

Ninguém nos aconselha tão mal como o nosso amor-próprio, nem tão bem como a nossa consciência.

Somos enganados mais vezes pelo nosso amor-próprio do que pelos homens.

Suportamos tudo isso, por amor dos eleitos.

Sou maduro o bastante para perdoar, mas não sou idiota o suficiente para confiar novamente...