Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Eu, Fragmento Perdido
Me perdi faz tempo,
e não tem mapa que me traga de volta.
Sou correnteza sem leito,
sou resto de mim que o tempo levou.
Não existe reencontro,
só o vazio que veste meu peito
e o silêncio que ecoa onde já houve vida.
Ando por inércia,
respiro por costume,
existo sem destino.
Me achar?
Não há o que achar.
O que havia já foi,
o que sobrou é só cansaço,
um corpo que carrega o peso de não ser.
Caras como eu não renascem,
apenas se dissolvem devagar,
até virar nada
Um dia você será tão amado(a) que o tempo de incerteza e solidão será apenas mais uma lembrança do passado.
A memória não se restringe apenas àquilo que lembramos, mas a tudo aquilo que o tempo nos permitiu preservar como legado. Ela nem sempre nasce do afeto, do consenso, como afirma Halbwachs, mas das relações de poder que atribuem a memória novos significados. Já a história, que figura no tempo como antítese da memória, sujeita-se à vontade de quem a seleciona, de quem a escreve. Assim, nessa relação dialógica entre a memória e a história, cabe ao espírito inquieto do pesquisador penetrar os silêncios, questionar os vestígios e avaliar tudo aquilo que a história legitimou como digno de permanecer em arquivos, bibliotecas e museus nacionais.
O que mais dói no ser humano é saber que não pode voltar no tempo e o que ficou de errado não poderá mais ser consertado, dói saber que tudo na vida é passageiro, que o tempo a cada dia diminui e a pessoa não é mais a mesma no caminhar nas alegrias, nas festividades, nos prazeres, e as vezes até mesmo no seio familiar.
O que vai ficando é a saudade do que de bom passou, de tudo que conquistou mais as saudades são passageiras e assim tudo se perderá, tudo vai se transformando em poeira que o vento leva e não traz mais.
As vezes mesmo com inveja dos mais jovens o que resta é o sofrimento na saúde e às vezes uma torcida para os que ficam tenham melhores sorte na vida mesmo sabendo que o normal é a passarem pelo mesmo processo de vida e morte.
Ed. 😶
Faço design para pessoas reais. Penso em nossos clientes o tempo todo. Não existe mérito em criar roupas e acessórios que não são práticos.
Meu único arrependimento na vida foi ter passado muitas horas trabalhando e não ter tido tempo suficiente com amigos e família.
Sei que não há resposta certa. Ainda assim, vou escolher passar este tempo com você.
Te amei em silêncio há vários anos. Retive o sentir, afoguei o desejo. Concluí que o tempo apagaria tudo… mas o tempo só escondeu, não me levou.
No meio de risadas e brincadeiras, o carinho voltou — maior, melhor. Brinquei com você, mas me perdi de mim. Agora não finjo mais: é real, é verdade.
Teus olhos ainda não veem. Que o tempo seja então... Porque o que neguei para esquecer, hoje eu vivo mais do que nunca.
As frivolidades da vida
nos roubam silenciosamente
o tempo precioso que nos foi dado
para buscar a Deus,
refletir sobre Sua vontade
e descansar na Sua presença.
Vivemos correndo atrás do que passa,
e esquecemos d’Aquele que é eterno.
Não há nada neste mundo mais precioso que o tempo.
E não existe nada tão valioso
que seja capaz de comprá-lo.
O tempo não se guarda,
não se repete,
não se vende.
Apenas se vive — ou se desperdiça.
Respeitar o tempo de cada um, inclusive o meu. Cuidar de mim, cuidar do espaço e dar o tempo devido para o novo florescer.
A ordem do tempo
O tempo que tenho já não meço por extenso
Então invento uns pedaços
Fragmentos costurados
Que já não sei se vivi.
O tempo que tenho já não meço como tempo
Eu meço como espaço.
O que posso a cada passo,
qual caminho irei seguir.
O tempo que tenho não divido pelas horas,
por presente ou por passado,
calendários, liturgia.
Prefiro o tempo da poesia.
O tempo que tenho já não meço por extenso:
início, meio e fim.
Porque não existo no tempo,
O tempo é que existe em mim.
Com o tempo, compreendi que,
se a nossa curta jornada terrena
não tiver como propósito glorificar a Deus,
nenhum outro objetivo poderá dar
sentido verdadeiro à vida.
O Mar das Ilusões
Dizem que existe um lugar além do tempo, onde não há terra firme nem horizonte. Um lugar que não se encontra em mapas, mas na essência da alma. Chamam-no carinhosamente de Mar das Ilusões.
É nesse mar que muitos despertam após o último sopro de vida. Não há barulho de ondas, não há vento forte, apenas um fluxo suave que conduz cada ser sem pressa, como se o próprio mar guardasse um segredo que ninguém ousa revelar.
O despertar
Você se encontra ali, deitado sobre a água, incapaz de mover-se. Não há esforço que faça sentido, não há direção a seguir. Apenas o flutuar... e o silêncio.
Ao redor, dezenas — talvez centenas — de pessoas também deslizam, algumas serenas, outras inquietas, mas todas com o mesmo olhar perdido: “O que estou fazendo aqui?”
A primeira coisa que descobre é simples, mas pesada:
a cada lembrança amarga de sua vida, você afunda um pouco.
Não há juízes, nem vozes condenando. Apenas sua própria memória, sussurrando o que foi deixado para trás.
O mergulho
E então, você começa a descer. O azul da superfície torna-se turvo, depois escuro, e o escuro transforma-se em silêncio profundo. Cada erro, cada palavra dura, cada arrependimento não resolvido... tudo pesa. O mar não castiga — apenas devolve.
Mas, ainda que o fundo o chame, seus olhos insistem em olhar para cima.
E lá, entre a claridade distante, algo se move: pássaros.
Eles sobrevoam o mar, pairando com asas que não se cansam, levando consigo alguns daqueles que conseguiram permanecer na superfície. Ninguém sabe para onde vão. Ninguém jamais voltou para contar.
A revelação
Uma voz suave, não de fora, mas de dentro, ecoa na sua consciência:
"Você gostaria de ir com os pássaros? Então não afunde."
Mas como não afundar, se o peso já o arrasta? A resposta não vem de fora.
Logo, você percebe: o mar não é feito apenas de água, mas de sua própria consciência. Ele não o engole; ele apenas reflete quem você foi.
Não lhe falta tempo. Ali, o tempo é eterno, elástico, feito para que percorra os corredores de sua mente quantas vezes forem necessárias. Pode subir, pode descer, pode revisitar cada lembrança, como se andasse em uma casa sem portas.
E então, a verdade se revela com clareza:
se sobe ou desce, já não é escolha sua.
São apenas as consequências da vida que levou.
O destino
No Mar das Ilusões, não há punição, nem recompensa. Há apenas reflexo.
A aceitação torna-se, portanto, o último aprendizado.
Você respira fundo, mesmo debaixo da água, e finalmente entende:
o que prende não é o mar, mas as correntes invisíveis que você mesmo construiu em vida.
E, quando esse pensamento se instala, você percebe algo diferente.
O peso começa a diminuir.
A luz acima torna-se mais próxima.
E, pela primeira vez, você sente que talvez... só talvez... as asas dos pássaros também possam vir buscá-lo.
Porque, no fim, o Mar das Ilusões não é uma condenação, mas um espelho.
E quem aprende a se olhar de frente, descobre o caminho da leveza.
