Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Eu não sou um grande pensador ou um estudioso eu so sou um homem que aprendeu com o tempo que a vida tem seus mistério e que esses mistério devem ser compartilhados com quem está disposto a ler ou a ouvir você.
Se foi tempo perdido?
Talvez.
Mas foi nesse tempo que aprendi:
há amores que não chegam pra ficar,
só pra ensinar onde
a gente se perde…
e onde,sem saber,
começa a se encontrar.
O tempo é vento traiçoeiro.
Eu te encontrei quando o mundo falava baixo,
quando meus dias cabiam em silêncio e rotina.
Teu nome surgiu como quem não pede licença,
e o coração, distraído, abriu a porta sem defesa.
Tuas mãos não prometeram eternidade,
mas ensinaram o agora a respirar melhor.
Nos teus olhos aprendi que o amor não grita:
ele fica, mesmo quando o medo chama mais alto.
Pintei futuros no contorno do teu riso,
mesmo sabendo que o tempo é vento traiçoeiro.
Ainda assim, escolhi te amar inteiro,
porque metade de amor também é solidão.
Se um dia fores ausência, não te culpo:
há encontros que existem só para salvar.
Ficas em mim como luz depois do pôr do sol —
não ilumina o caminho, mas prova que valeu brilhar.
Meu presente é simples
Não te entrego ouro
Nem promessas vazias,
te dou meu tempo,
meu cuidado, meus dias.
Dou-te o silêncio que escuta
teu falar e o abraço que insiste em te amparar.
Meu presente é simples,
mas é inteiro:
um coração sincero, verdadeiro.
Lateja intenso, infinito, feito prece,
cada vez que teu nome aparece.
Te dou meus sonhos para dividir,
meus medos para juntos
enfrentar e seguir.
Dou-te amor sem prazo,
sem medida, daqueles que escolhemficar pela vida.
E se um dia o mundo pesar demais,
lembra: em mim sempre haverá paz.
Porque o maior presente que posso te dar é amar você…
e sempre te amar.
Deixa o vento soprar o que não ficou,
Deixa o tempo levar o que não brotou.
Se não floresceu, não era estação,
Se não permaneceu, faltou coração.
Guardei silêncio onde havia querer,
Aprendi que amar também é ceder.
E no espaço vazio que ficou em mim,
Planto esperança
— recomeço, enfim.
P.silva3
Com você a gente vai escrevendo a nossa história sem pressa,
linha por linha, no papel do tempo.
Tem dias que são vírgulas,
outros viram ponto final —
mas a gente insiste,
rasura o medo erecomeça
no mesmo parágrafo.
Teu riso é a frase que me prende,
teu silêncio, o espaço onde eu fico.
Se o mundo tenta apagar,
a gente escreve mais forte,
à caneta, no coração.
E se um dia faltar palavra,
a gente inventa sentimento,
porque amar você
é o único texto que
eu nunca canso de ler.
30 de janeiro
No dia trinta, o tempo resolveu parar,
Janeiro se despediu com gosto de promessa.
Não foi o mês que nos uniu,
Foi o instante em que teu nome passou a morar em mim.
Os dias correram leves, quase tímidos,
Aprendendo o ritmo do teu riso, do teu silêncio.
Cada amanhecer somou saudade,
Cada noite confirmou que era real.
Fevereiro chegou sem pressa de explicar,
E no vigésimo oitavo dia, o amor completou trinta.
Não precisou de outro dia trinta no calendário,
Porque o que conta se mede no sentir, não no número.
Se em poucos dias já somos tanto,
Imagina o que o tempo ainda quer escrever.
Que venham meses, anos, infinitos,
Eu sigo escolhendo você, dia após dia.
Sei que contigo o tempo se faz leve,
e cada instante é lar que se eterniza.
Pekenah, contigo a vida se escreve,
teu coração gigante é minha brisa.
Marca o tempo [compasso]
Somos a voz da batida do seu coração, o sussurro que marca o tempo entre um suspiro e outro.
Não gritamos amor — pulsamos,
como sangue quente aprendendo o caminho do teu peito.
Somos relógio sem ponteiros,
vivendo do ritmo que teu corpo inventa quando me sente.
Cada verso é um gesto feito com verdade, onde amar é acompanhar sem apressar.
E se um dia o mundo silenciar tudo ao redor, restará esse som
— íntimo, fiel, verdadeiro.
Porque enquanto houver batida, haverá nós, afinados no mesmo compasso.
Ainda guardo teu nome nas dobras do tempo,
como quem esconde uma carta nunca enviada.
Era um amor simples, quase tímido,
mas grande o bastante para caber em mim inteiro.
