Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Do outro da rua
Na esquina de seu muro hereditário
Tem um recado mosaico
São apenas palavras escritas com sereno!
AMO TODO MUNDO NO MUNDO!
Adélio do Tempo 16/11/2010
Odeio acreditar que você tem inimigos.
Odeio sentir frio,
Prefiro abraços!
Odeio guitarra desafinada.
Odeio gente abstrata.
Odeio pessoas fracas.
Prisioneiras aos matriarcas.
Odeio gente que pensa
Que a noite pode esconder as rugas e o passado.
Se vestem de bebidas
E se acham intelectuais,
Músicos, poetas, atores, pintores, cantores e ricos.
Mas gosto de todos
E para cada um,
Quero dar um presente que não tenho!
Espermatozoides Vulgares
São vulneráveis
Os espermatozoides vulgares,
Cuidado.
Sujam lençóis e as entranhas.
O prazer tem limites.
Sinta medo
Do momento eterno,
Não somos
Eternos.
Equalizar almas
Nem sempre é possível.
Pessoas infelizes
Pecam contra seu próprio espírito.
Vantagens no escuro
Não são glorias.
Encontre o seu próprio erro.
Que o tempo diga
Que o tempo explique:
o que está subtendido,
o que não está escrito e o que não foi dito.
Que o tempo diga o que os lábios não profetizou e o que as mãos não entrelaçou.
Deixando entre o pensamento um silêncio e um tempo vázio
compasso lento.
compassando a música do pensamento.
Deixando entre o pensamento um caos sob o vento.
Entre o dia e a noite
entre o segundo e o minunto
um vazio fraudulento...
Que o tempo diga o que os lábios não profetizou
na fluídez do momento.
Metade
"Me perdi na metade do caminho
E não consigo mais me encontrar.
Tenho me sentido tão sozinho...
Farto por falta de carinho,
Procurando uma forma de sonhar.
Não reconheço mais meus desejos,
Todos os meus sonhos ficaram no ar
Fujo do destino que eu sempre vejo
Traçado nos caminhos que me fazem chorar.
Triste abandono do ninho
Sonhos incertos que embalo a ninar
Riso tristonho, forte e contínuo
Falta de metas, falta de sonhos, falta de amar.
Desespero que aparenta abraçar-me,
Orgulho que obriga calar-me;
Força de vontade eloqüente,
Amor que se cala e que se sente...
O ponto final que desejo traçar.
A história parece sempre se repetir
Eu, que já não conseguia dormir,
Agora não aprendo a acordar.
Brincar comigo mesma virou fixação
Quanto mais acredito que estou forte,
Mais enfraqueço o meu coração.
Caio de cara virada,
Sujo minha alma lavada,
Entrego-me na palma da mão.
Aprender a não me machucar,
A não me ferir pelas próprias mãos,
Preciso entender que a verdade de amar
É doar-se muito a si mesmo
É respeitar a própria decisão."
O vinho
Às vezes fico pensando no vinho e em seu significado. O vinho deveria ser Registrado como bem imaterial. Afinal, vinho só fica bom quando tomamos com pessoas especiais, no clima especial, com o acompanhamento certo. Chega a ser pecado tomar o vinho por tomar. Vinho é escolha! Do sabor, da uva, do perfume, do acompanhante, do acompanhamento, da música... Vinho não é uma bebida simples, não é banal. Por mais que a vontade dele apareça, a gente, que entende que maior que a bebida é o significado, não consegue sentir prazer em tomar um vinho sozinho. Porque será?
