Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
“As vezes vejo-te emudecida.
Desterro-me em teu silêncio,
Como quem aguarda e habita,
A raiz renascida em tua voz”
Ventre do Sentir
Não fiquei a colher a flor,
desnuda entrega de tua voz.
Adentrei-me, avesso ao passageiro.
Desejei-me morada em tua raiz.
Quis ser lamparina,
respiro brotado por entre tuas mãos
no pulsar candente de tuas veias:
- Eis-me: Habitado pelo ventre do teu sentir
Quando por frágeis pés me soerguia,
Desejava memoriar nuas andanças.
Quando vinha-me o vozerio do entrelaçar,
Eram as palavras que me queriam recontar.
Quando se anunciou o andar do falar,
Comecei a sonhar-me com o sentir.
Toda guerra, mesmo as que aparentemente se justificam, trazem em si uma certeza: Aniquilam virtudes e humanidades.
TUA VOZ
A tua voz acostumei-me,
Quando ela em meu peito era anuncio.
Feito presságio da noite desperta,
Por sobre o tempo reverberado.
Não aprendi pouco em teu olhar.
Fitei a luz e murmurei a sombra,
Para fazer-me, num só instante,
Andante aprendiz em tua estada.
"... Se o amanhecer despertar desnudo,
Vou banhar-me de aroma,
Insuflado de existência,
Vestir-me do inusitado,
A cantarolar as cantigas,
Daquele reviver em mim avistado".
"...Tenho alguns saberes, que me fazem apreendedor.
Uma arquitetura de razões pronunciadas.
Das mais súbitas, como aquelas a se moldar na quietude,
Como as derradeiras, que se pungem na pele na alma..."
In Do Aprender
"...Distanciei-me por vezes para observar as perguntas.
Tantas outras respondi sem aderir ao absoluto.
Fui vário, múltiplo, único. Só assim fiz-me existir.
E ao ser, precisei reler a estrada e desvendar a travessia..."
"... Eu ficarei orgulhoso de receber a explicação,
já que me vivo a Quintanar de amar,
o amor em sua extensão.
Até resgatei um modesto conceito,
desses que se declara numa ciranda de amigos,
- O amor, é tão somente, o infindo sopro, se fazendo vida..."
Extrato Carta a Mia Couto
"... Então, já não me ia sem ti.
Não te ficava de mim, sem levar-me.
No desterrar partilhado,
No descobrir crivado de anseio e afago,
Nos revestimos como se renascidos,
Fossemos feito candura emanada.
E nesse luzir de entremeada morada,
Acolhemo-nos de lucidez efervescida.
Porque, em fim, amar,
É instruir-se no desvelar,
Do outro revelado...
Você não precisa de um caminhão de ouro para ser feliz.
A felicidade está no olhar de alguém que te admira; nas mãos de alguém que te levanta de uma queda; em um sorriso que só você consegue entender; nas palavras sinceras, que as vezes podem até te machucar.
Quando você vê em uma pessoa boa um otário, é porquê você é um mau caráter e a vida vai lhe dar duras lições em função disto.
