Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade

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O homem mais sensível é necessariamente o menos livre e independente.

É falso que a igualdade seja uma lei da natureza. A natureza não faz nada igual; a sua lei soberana é a subordinação e a dependência.

Deve-se usar da liberdade, como do vinho, com moderação e sobriedade.

Se você olhar atentamente você verá que existe apenas uma coisa e somente uma coisa que causa infelicidade. O nome desta coisa é apego. O que é apego? Um estado emocional de aderência causado pela crença de que sem alguma coisa particular ou alguma pessoa você não consegue ser feliz.

Aqueles que nós definimos como os nossos dias mais belos não são mais do que um brilhante relâmpago numa noite de tempestade.

Telha de vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Pouco dizemos quando o interesse ou a vaidade não nos faz falar.

A sabedoria é geralmente reputada como pobre, porque não se podem ver os seus tesouros.

Fica provado que uma inovação não é necessária quando se torna demasiado difícil implementá-la.

O pensamento da morte engana-nos, pois faz-nos esquecer de viver.

Como se há-de governar um país que tem 246 variedades de queijo?

Seja no que for, temos de ter em conta a finalidade.

Os homens investidos no poder crêem na duração do presente.

Não ser amada é uma desventura; mas deixar de sê-lo é uma afronta.

A atividade sem juízo é mais ruinosa que a preguiça.

Há que, na medida do possível, prestar favores a todos: quantas vezes não precisamos de quem é menos do que nós.

As leis mantêm-se em vigor não por serem justas, mas por serem leis.

A imaginação exagera, a razão desconta, o juízo regula.

Um marido, como um governo, nunca deve confessar os seus erros.

Sem as ilusões da nossa imaginação, o capital da felicidade humana seria muito diminuto e limitado.